A retomada do setor de turismo

Segundo a Organização Mundial do Turismo (OMT), o setor do turismo terminará o ano de 2021 com perdas de US$ 2 trilhões devido à pandemia de coronavírus. Em levantamento, apresentado recentemente, a entidade revela que a recuperação do setor está “frágil” e “lenta”.  No ano passado, o setor teve perdas econômicas similares, sendo um dos mais atingidos pelos impactos da crise global de saúde. Apesar das recentes melhorias, o fluxo de viagens continua sendo afetado pelas taxas desiguais de vacinação entre países e novas variantes da Covid-19, que geram mais restrições de viagens.

Segundo a OMT, o setor também está sendo afetado pela alta no preço dos combustíveis. Dessa forma, as chegadas de turistas internacionais em 2021 continuam sendo 75% menores que os índices de 2019, antes da pandemia.

O secretário-geral da OMT, Zurab Pololikashvili, afirmou que os dados do terceiro trimestre de 2021 são “encorajadores”, mas ao mesmo tempo “os resultados entre diferentes regiões do globo continuam desiguais”.  Segundo ele, o aumento dos casos e o surgimento de mais uma variante, ainda “não é o momento de baixar a guarda”, mas “continuar o esforço para garantir o acesso igualitário às vacinas, coordenar procedimentos de viagens, usar os certificados digitais de vacinação para facilitar a movimentação de pessoas e apoiar o setor” do turismo.

De acordo com a OMT, a retomada segura do turismo internacional continuará a depender em grande parte de uma resposta coordenada entre os países em termos de restrições de viagens, protocolos de segurança e higiene harmonizados e comunicação eficaz para ajudar a restaurar a confiança do consumidor. Isso é particularmente crítico em um momento em que os casos estão surgindo em algumas regiões e novas variantes do Covid-19 estão surgindo em diferentes partes do mundo.

O futuro do turismo está em discussão com líderes do turismo de todas as regiões do mundo em Madrid, através da 24ª Sessão da Assembleia Geral da OMT, trata-se da primeira reunião de turismo global a ser realizada desde o início da pandemia, com inovação, educação e investimentos no topo da agenda. Portanto, o tema do turismo está na pauta mundial e entendemos ser importante destacar o assunto em nível local.

A grande novidade no início do evento internacional, foi que a OMT abriu a Assembleia Geral com uma Sessão de Indução do Código Internacional para a Proteção de TuristasLançado em resposta à queda na confiança do consumidor causada pela pandemia, o código legal de referência fornecerá padrões mínimos e direitos do consumidor para turistas em situações de emergência.

Em um relatório recente do Banco Central do Brasil, foi informado que o setor de turismo foi substancialmente impactado pela crise sanitária tanto em 2020 como em 2021. E neste mesmo relatório são apontados dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do IBGE para o Brasil demonstrando que, diferentemente do índice geral, o setor ainda não voltou ao patamar pré-pandemia, embora apresente recuperação nos últimos meses. A análise regional aponta ritmos de recuperação distintos, sobressaindo o crescimento superior do Nordeste, em comparação, sobretudo, com o do Sudeste.

Entendo como uma boa notícia e oportunidade para o estado de Sergipe, para que o trade turístico recupere o faturamento que declinou em face da crise sanitária.

Cabe destacar que o Ministério do Turismo está com uma previsão de encerrarmos 2021 com crescimento de 16% no faturamento, cuja expectativa é alcançar R$ 151 bilhões. Apesar de 22% inferior ao registrado no período pré-pandemia, o percentual de alta sinaliza a consolidação da trajetória de recuperação do setor.  A prova de referida recuperação é a taxa de ocupação dos hotéis nos últimos feriados que registraram taxas acima de 75%.

De acordo com o Ministério do Turismo, para as atividades culturais, recreativas e esportivas (que no 1º semestre sofreram queda de 7,4%), a projeção é de um aumento de 11,7% na segunda metade deste ano, encerrando 2021 com elevação de 1,9%. Ainda de acordo com o Ministério do Turismo, diante do aumento da imunização, a tendência é que tenhamos uma recuperação persistente.

Em Sergipe diversas ações estão em andamento para o fortalecimento e recuperação do setor de turismo, bem como, já vislumbramos sinais de recuperação, um deles é o aumento de movimentação de passageiros no setor aéreo, conforme dados divulgados pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) apontado pelo aumento de voos no Aeroporto Santa Maria de Aracaju.

Um ponto de destaque nestas ações é a busca de integração das ações do Governo do Estado com as Secretarias Municipais que tratam do turismo, visando a exploração das potencialidades turísticas municipais, via a criação de rotas específicas que criam uma maior permanência do turista no estado.

Além das ações do Governo Estadual das Prefeituras Municipais, cabe destacar as ações do setor privado, a exemplo da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis em Sergipe (ABIH-SE), que foi criada em 1992, com o objetivo de amparar e defender os interesses da hotelaria, colaborando com os poderes públicos, como órgão técnico, consultivo e deliberativo, no estudo e solução dos problemas da classe congregada.

O surgimento de novos restaurantes e bares tem sido constante em Sergipe, mas ainda precisamos da ampliação da capacidade hoteleira em outros municípios além da capital, possibilitando alguns pernoites que ampliem as visitações dos componentes turísticos do interior sergipano. Este é um grande desafio para os gestores municipais, atrair investidores que queiram implementar novos hotéis no interior sergipano, seria uma importante contribuição para a solidificação do turismo do estado.

A melhoria da infraestrutura rodoviária em andamento e outras obras como a  Orla Sul, localizada depois da Orla de Atalaia são ações que irão certamente contribuir para a retomada do crescimento do turismo em Sergipe, criando emprego, renda e desenvolvimento local.

Autor

Saumíneo Nascimento

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