Base Monetária do Brasil

O Banco Central do Brasil divulgou no início de janeiro de 2022, alguns indicadores econômicos selecionados, entre eles, a base monetária do país que irei abordar de forma breve neste ensaio. Apresentarei inicialmente, os dois conceitos existentes no Banco Central do Brasil para a base monetária.

De uma forma geral, segundo o Banco Central, a base monetária é o passivo monetário do Banco Central, também conhecido como emissão primária de moeda. Inclui o total de cédulas e moedas em circulação e os recursos da conta Reservas Bancárias. É a principal variável de política monetária, refletindo o resultado líquido de todas as operações ativas e passivas do Banco Central. Ainda conforme definido pelo Banco Central, os fatores condicionantes, referem-se às fontes de criação (emissão de moeda pelo Banco Central) ou destruição (recolhimento de moeda pelo Banco Central) de moeda primária (base monetária). Deve-se ressaltar a diferença entre fabricação e emissão de moeda: a fabricação é um processo fabril de cédulas e moedas e a emissão é um processo econômico que resulta em crescimento da oferta monetária, tanto física (cédulas e moedas) quanto escritural (Reservas Bancárias).

O segundo conceito é o de base monetária ampliada, conforme o Banco Central do Brasil, o conceito amplo de base monetária foi introduzido no Plano Real com o pressuposto de que agregados mais amplos sejam melhor correlacionados com os preços na economia brasileira, visto que mais perfeitamente captam a substitutibilidade entre a moeda, em seu conceito mais restrito, e os demais ativos financeiros. Inclui, além da base restrita, os principais passivos do Banco Central e do Tesouro Nacional (compulsórios e títulos federais).

Conforme pesquisa realizada no Banco Central do Brasil e considerando-se a situação da base monetária brasileira na data de 31/12 dos últimos 03 (três) anos, temos o seguinte: o valor do papel moeda emitido de 2019 para 2020 cresceu em 31,9%, já de 2020 para 2021 ocorreu uma redução de 8,49% no valor do papel moeda, fechando o ano de 2021 no montante de R$ 330.013 milhões, Já as reservas bancárias evoluíram em 70,2% de 2019 para 2020 e em 14,8% de 2020 para 2021, concluindo o ano de 2021 com um montante de R$ 70.170 milhões. Como a base monetária é a soma do papel moeda emitido mais as reservas bancárias, no ano de 2021 a base monetária do Brasil ficou em R$ 409.184 milhões, resultado de um crescimento de 36,3% no período de 2019 para 2020 e uma redução de 5,2% de 2020 para 2021.

O papel moeda emitido na base de 31/12/2021 estava assim distribuído: a) R$ 331.441 milhões em cédulas (cédulas de R$1,00, R$2,00, R$5,00, R$ 10,00, R$ 20,00, R$ 50,00, R$ 100,00 e R$ 200,00). O total de cédulas era de 7.649.062.172, sendo que a maior quantidade foi com cédulas  de R$ 50,00 ( 2.099.002.364) e o menor quantidade com cédulas de R$ 200,00 (93.308.278);

  1. b) R$ 7.568 milhões em moeda metálica (moedas de R$0,01, R$0,05, R$0,10, R$0,25, R$0,50 e R$1,00). O total de moedas metálicas foi de 28.644.555.507, sendo a maior quantidade com moedas de R$0,10 (7.549.345.234) e a menor quantidade com moedas de R$ 0,01 (3.191.089.913) e; c) R$ 3,5 milhões em moedas comemorativas (diversos tipos de moedas – uma quantidade de 967.363). Quem tem a maior quantidade de moedas comemorativas é a comemorativa da Bandeira Olímpica, com 20.300 moedas e a menor quantidade é composta das seguintes moedas comemorativas: do tetra, de Portinari, da Família Real e de Ouro Preto com 2.000 unidades cada uma delas. As moedas comemorativas de maior valor, que valem R$20,00, são as seguintes: Tetra, Ayrton Senna, 500 anos, Drummond, Pentacampeonato, Ary Barroso e 100 anos FIFA.

Cabe registrar que as cédulas e moedas metálicas (inclusive as comemorativas) do padrão monetário Real, que estão em poder do público e da rede bancária, constituem o meio circulante nacional.

Destaco que como ocorreu no último ano (2021), uma redução 8,49% no papel moeda emitido e, isso pode ser explicado pela redução do uso do dinheiro em transações das atividades econômicas, a chegada do PIX que ganhou espaço nas transações de transferências (DOC/TED) e pagamentos via POS, além do uso crescente do mobile banking para pagamentos, tornando-se inclusive, o canal dominante e responsável por mais da metade das transações bancárias, acrescentando-se também o natural e contínuo crescimento de pagamentos com cartões de débito e crédito, estamos criando no Brasil, uma cultura de menor necessidade de uso de dinheiro para a realização de transações econômicas e isto influencia na base monetária e seus componentes.

Autor

Saumíneo Nascimento

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