Alguns açudes e tanques ainda me seduziram nos tempos iniciais do Ginásio. Conto nos dedos: o Açude Velho, o da Marcela, um que ficava nas imediações do Posto, o da Pedreira, além do Zaloque (como era denominado), e o que se situava próximo a Praça da Bandeira. Em todos, entrei na água até a cintura, de short e tudo – a idade de tomar banho nu já tinha sido há muito ultrapassado -, o cuidado na volta à casa de estar com o cabelo enxuto, para que os olhos atentos de mamãe não descobrissem onde eu me encontrava. Hoje, muitos deles desapareceram da paisagem urbana de Itabaiana. O avanço dos anos se encarregaram de retirá-los do mapa. Talvez só o da Marcela tenha sobrevivido, beneficiado por ter se destinado a barrufar a agricultura que, ao seu redor, sempre se cultivou. Os demais não resistiram ao avanço da urbe.
À míngua de praia, que a geografia não nos concedeu, os açudes e tanques quebravam o galho, sempre frequentados, os que sabiam nadar avançavam para os lugares fundos, os que não nadavam, como eu, ficavam nas margens, não indo além da água na cintura, esclarecendo que só a população masculina deles fazia uso, a exceção do Açude Velho, que, pelo seu traçado, se estendendo por vasto espaço, facilitava o banho do elemento feminino em local bem distante da margem do lado da chegada do centro urbano, esclarecendo logo que quem a tanto se arriscava não gozava de boa reputação, nem de reputação alguma. Um dia, atraído por certo barulho, escondido nos meios de pedras, me aproximei o suficiente para reconhecer uma senhora, que morava perto lá de casa, que ali se encontrava ao lado de outras mulheres e de um homem, descoberta que me chocou ao me deparar com a quase nudez ostentada . Quem diria…
Os banhos se casavam com o período de férias, sempre na parte da tarde. Ninguém se incomodava com o fato da água não ser apropriada, do tanque servir para lavar caminhão, caso do açude do Posto, ou roupa, nem de outros elementos que desfavoreciam o seu uso. A idade excluiu o banho do roteiro da gente, sem que deixasse saudade. Hoje, não sei dizer quando perdeu a graça. Talvez tivesse sido substituído pelas peladas. Enfio a dúvida no mesmo saco ao lado dos açudes e tanques, para que todos continuem descansando o sono eterno dos esquecidos.