ARACAJU/SE, 17 de abril de 2026 , 2:15:42

Expectativa Econômica das Empresas

 

Repassarei adiante as informações que foram divulgadas pelo Banco Central do Brasil no Relatório: “Banco Central do Brasil – Pesquisa Firmus – Primeiro trimestre de 2026”.

Conforme informado pelo Banco Central, em seu relatório, a Pesquisa Firmus tem como objetivo captar a percepção de empresas não financeiras em relação à situação de seus negócios e às variáveis econômicas que influenciam suas decisões. De acordo com a nossa Autoridade Monetária, a edição referente ao primeiro trimestre de 2026 foi realizada entre 9 e 27 de fevereiro.  Na referida  rodada, foram obtidas 309 respostas completas, 69 a mais do que na edição anterior. O questionário contemplou as 13 perguntas recorrentes da pesquisa.

As respostas apresentadas pelas empresas sobre três variáveis macroeconômicas (Inflação, PIB e Câmbio) foram as seguintes:

Inflação – as expectativas para o IPCA de 2026 ficaram em 4,0%, na pesquisa anterior estava em 4,2%, em minha opinião significa que as empresas acreditam em um maior controle inflacionário, isto é bom sinal, pois para isso, elas também precisaram controlar as variações dos preços de seus produtos. Para os anos seguintes, as expectativas são de um IPCA de 4,0%em 2027, sem mudanças em relação às expectativas anteriores, e para 2028 as expectativas são de um IPCA de 3,8%, demonstrando a confiança no controle inflacionário do país de forma consolidada.

Cabe ressaltar que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é o índice utilizado no sistema de metas para a inflação. Destaco ainda, conforme informado pelo Banco Central do Brasil que desde janeiro de 2025, a meta se refere à inflação acumulada em doze meses, apurada mês a mês. Nessa sistemática, também conhecida como “meta contínua”, a verificação ocorre mensalmente, não apenas no mês de dezembro, como ocorria anteriormente.

Dessa forma, A meta, fixada pela Resolução CMN nº 5.141, de 26 de junho de 2024, é de 3,00%, com intervalo de tolerância de ±1,5 ponto percentual, considerando-se descumprida quando a inflação se desviar por seis meses consecutivos da faixa do intervalo de tolerância.  Assim, o limite inferior de inflação é de 1,5% e o limite superior de 4,5%. Atualmente a taxa do IPCA na base de fevereiro/2026 considerando-se o acumulado dos últimos 12 meses está em 3,81% dentro do intervalo superior de tolerância. Registro que no acumulado de janeiro a fevereiro de 2026 a inflação pelo IPCA está em 1,03%.

Produto Interno Bruto (PIB) – as expectativas para o crescimento do PIB em 2026 permaneceram estáveis em 1,8%, mesmo patamar registrado para 2027, demonstrando um grau mais conservador por parte das empresas sobre o crescimento da economia brasileira. Porém para o ano de 2026, as expectativas de crescimento do PIB do Brasil são melhores que as do Fundo Monetário Internacional (FMI), cuja projeção no início do ano ficou em 1,6%.

Cabe destacar que a variação do PIB é medida pelo SCNT – Sistema de Contas Nacionais Trimestrais – que apresenta a evolução do PIB no tempo, comparando seu desempenho trimestre a trimestre e ano a ano. Com base em tais dados, o crescimento do PIB em 2025 foi de 2,3%, porém com um crescimento de 1,8% nos dois últimos trimestres de 2025, que é o mesmo patamar esperado pelas empresas para este ano e o próximo ano. Em termos nominais, o valor do PIB em 2025 foi de R$ 12,7 trilhões.

De acordo com o IBGE, o PIB é, contudo, apenas um indicador síntese de uma economia. Ele ajuda a compreender um país, mas não expressa importantes fatores, como distribuição de renda, qualidade de vida, educação e saúde. Um país tanto pode ter um PIB pequeno e ostentar um altíssimo padrão de vida, como registrar um PIB alto e apresentar um padrão de vida relativamente baixo.

Câmbio – As expectativas das empresas são para uma taxa de câmbio de R$/US$ 5,40, patamar inferior à pesquisa anterior que projetava R$/US$ 5,50.É um patamar acima da cotação que temos no momento.

Conforme consta na página do Banco Central do Brasil, existe o Comitê Consultivo do Mercado de Câmbio do Brasil que é um fórum para discutir questões conjunturais e estruturais do mercado de câmbio. Ele é composto por participantes do mercado e por representantes do Banco Central do Brasil. Entre seus objetivos está o de garantir que o mercado de câmbio brasileiro opere de acordo com padrões internacionais de melhores práticas.

As deliberações do comitê são consultivas, sem poder normativo ou vinculante. As diretrizes e a execução da política cambial permanecem a cargo do Conselho Monetário Nacional (CMN) e do BC, respectivamente. O comitê interage com fóruns análogos de outros países e representa interesses do Brasil no exterior. Na data da elaboração deste artigo o câmbio estava em R$/US$ 5,24 (para dólar) e R$/€ 6,01(para euro).

Nas respostas de múltipla escolha, conforme divulgado pelo Banco Central do Brasil no destacam-se os seguintes pontos: a percepção sobre a situação econômica atual, apesar de se manter em patamar negativo, melhorou pela segunda edição consecutiva; o otimismo quanto ao desempenho relativo do setor de atuação da empresa avançou em relação ao trimestre anterior, atingindo o maior nível dos últimos cinco trimestres; houve ligeiro arrefecimento nas expectativas de aumento dos custos de mão de obra, com o índice agregado recuando de 4,8%, em novembro, para 4,7%, em fevereiro; o índice agregado de expectativas de aumento dos custos com insumos diminuiu pelo quarto trimestre consecutivo, atingindo 4,0%, ante 4,3% no trimestre anterior e 5,1% em fevereiro de 2025; observou-se também redução na parcela de empresas que planeja reajustes acima da inflação. Que a percepção empresarial seja uma propulsora de novos investimentos para o país.