ARACAJU/SE, 22 de julho de 2024 , 13:44:25

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Novo arcebispo, novas esperanças

Dizem os ateus que, com medo do não vir a ser, o homem antigo criou deuses. Dizem os crentes que Deus criou todas as coisas. Não quero referir-me à polêmica existente entre criacionistas e evolucionistas. Quero referir-me à existência humana advinda, como disse Kalil Gibran, “da ânsia da vida por si mesma”. E a ânsia da vida, para nós cristãos, por assim dizer, está na pessoa de Deus, que é Alfa e Ômega.

No lado do cristianismo católico, gostem ou não os irmãos separados, nesse segmento repousa o início da cristandade, desde a ascensão do Divino Mestre aos céus e desde o dia de Pentecostes, quando o Santo Espírito desceu sobre a Igreja reunida em Jerusalém, como Jesus tinha prometido.

A Igreja Católica na subida inicial, pode-se dizer, no terceiro milênio desta era, tem navegado por mares de calmaria ou de procelas. Isso, pelos tempos afora. Porém, navega. Chegou o tempo, lá atrás, em que os senhores bispos reconheceram, o que já era de direito, o Primado de Pedro na pessoa do Bispo de Roma, hoje nas mãos calejadas, sofridas, mas firmes e venerandas, do Papa Francisco, que, cardeal de Buenos Aires, eu o conheci numa rua da capital portenha, quando não se poderia imaginar que aquele jesuíta de coração franciscano poderia ascender ao Papado. Ascendeu, com a graça de Deus.

Para nós católicos, do Clero e do Laicato, além de, teologicamente, estarmos com nossa fé assentada na Palavra, na Tradição Apostólica e no Magistério da Igreja, há, ainda, na estrutura governativa, o Código de Direito Canônico, considerando que o Catecismo está dentro do Magistério.

Diz o cânone 331 que “O Bispo da Igreja de Roma, no qual permanece o múnus concedido pelo Senhor de forma singular a Pedro, o primeiro dos Apóstolos, para ser transmitido aos seus sucessores, é a cabeça do Colégio dos Bispos, Vigário de Cristo e Pastor da Igreja universal neste mundo; o qual, por consequência, em razão do cargo, goza na Igreja de poder ordinário, supremo, pleno, imediato e universal, que pode exercer sempre livremente”. Quem o contestar, sendo católico, está fora da compreensão do que nos rege. Em palavras outras, não é católico, na acepção precisa dessa palavra. Infelizmente, alguns têm se levantado nesse sentido, o de não querer reconhecer o Primado. Insensatos.

Por sua vez, o cânone 381 diz que: “Ao Bispo diocesano, na diocese que lhe foi confiada, compete todo o poder ordinário, próprio e imediato, que se requer para o exercício do seu múnus pastoral, com exceção das causas que, por direito ou por decreto do Sumo Pontífice, estejam reservados à suprema ou a outra autoridade eclesiástica”.

Neste sábado, 25 de maio, eis que assume a direção da Arquidiocese de Aracaju, Dom Josafá Menezes da Silva, o nosso quinto arcebispo, sendo, ao todo, o nosso sétimo Pastor diocesano. Que todos nós católicos, ordenados e leigos (as) possamos estar imbuídos da necessidade de darmos as mãos, de unirmos os nossos dons, as nossas atividades, e, porque não dizer, os nossos pensamentos e os nossos corações, para nos somar ao senhor Arcebispo na sua missão de bem servir a Deus e ao seu povo, na sua jurisdição eclesiástica.

Passados cerca de oito meses sem o seu titular, após a renúncia necessária de Dom João José Costa, temos, enfim, o novo timoneiro da barca ancorada nesta Igreja particular de Aracaju. Que o novo Arcebispo esteja imbuído do bom exercício do múnus que lhe fora concedido pelo Santo Padre, como ele o vinha fazendo nas Dioceses por onde passou.

É chegada a hora de unir o Clero, de acolher o Laicato, de olhar para o que deve ser feito no anúncio da Palavra, nas ações efetivas em prol do Reino de Deus “que também é nosso”, como rezamos numa das nossas Orações Eucarísticas.

A Arquidiocese de Aracaju clama por um governo competente, sóbrio, firme, que se estruture em torno da essência do Evangelho de Jesus, numa “Igreja em saída”, como tem dito o Papa Francisco, que leve adiante as bases do Concílio Vaticano II, que se deixe tocar pela luz do Espírito Santo e que olhe para o homem integral e integrado, como é assente na Doutrina Social da Igreja. Precisamos de uma Igreja em que não haja ideologismos à direita nem à esquerda. Jesus não é de direita nem de esquerda. Ele é do Pai. Ele é de todos nós: “Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância” (Jo 10,10).

Uma palavra sincera: para a pertinente formação dos clérigos, deve-se observar com prudência e perspicácia o que contém no Título III, Capítulo I, do CDC, que vai do cânone 232 ao cânone 264. É urgente que os nossos Seminários – Propedêutico e Maior –, por meio de seus dirigentes e formadores, atentem para isso. Não basta querer formar clérigos, mas formá-los de maneira convincente, para o trabalho pastoral eficaz e eficiente. Enfim, para uma vida aureolada no que prometemos ao ser ordenados: o cumprimento dos nossos votos de obediência e castidade, a nossa dedicação ao pastoreio. E os clérigos precisam da atenção do seu Arcebispo, especialmente aqueles que já percorreram um longo caminho.

Bem-vindo, Dom Josafá! Estamos juntos. Que o Espírito Santo esteja no seu coração e na sua inteligência, para nos guiar como pai e irmão. Como pai, unindo-nos e, se for o caso, corrigindo-nos. Como irmão, acolhendo-nos. Muitas são as nossas esperanças.