UFS fará estudo inédito sobre eficácia de vacinas
Sergipe vai sediar uma pesquisa pioneira no Brasil sobre a eficácia das vacinas contra o novo coronavírus. Em entrevista à TV Sergipe nessa quinta-feira (21), o professor do Departamento de Farmácia da Universidade Federal de Sergipe (UFS), Lysandro Borges diz que já foi firmada parceria com as prefeituras de Itabaiana e Riachuelo, por meio da qual pessoas que receberam o imunizante nesses municípios, após 21 dias da segunda dose, serão submetidas a coleta de sangue, para pesquisa do anticorpo anti-RBD, que confere imunidade ao indivíduo. Objetivo é saber se realmente a vacina confere imunidade.
Lysandro afirma que está sendo aguardada a chegada de 5 mil testes específicos para esse tipo de pesquisa, que são processados em um novo aparelho, que a UFS também vai receber. Esse teste pode ser aplicado no caso de qualquer uma das vacinas contra a covid que estão no mercado. O professor diz que a pesquisa pode ser ampliada para outros municípios em Sergipe, a depender da revalidação de parcerias já firmadas anteriormente.
Ele diz que a depender do resultado, o paciente pode ter que tomar uma terceira dose da vacina, para atingir a imunidade necessária. “Estudos têm mostrado que no caso do paciente infectado pelo coronavírus, o anticorpo permanece por uma média de cinco meses. Agora precisamos saber por quanto tempo a vacina vai permanecer no organismo imunizando o paciente. Esse é o nosso desafio e essa testagem vai dar essa resposta”.
Estratégia
O resultado desse estudo é fundamental porque possibilita uma estratégia vacinal, uma certeza de que pessoa está protegida quando toma a vacina. “Sem dúvidas é uma contribuição relevante tanto para o Brasil como para o mundo, porque vai demostrar realmente quantas pessoas realmente vão ficar imunizadas ao receber a vacina e quanto tempo esse anticorpo dura, que são perguntas ainda sem resposta”, explica Lysandro.
Para Lysandro, a vacina contra o coronavírus vai ser aplicada anualmente na população, ou seja, vai entrar para o calendário vacinal, assim como a vacina contra a gripe. Ele diz que as vacinas em desenvolvimento tem se mostrado eficazes contra as cepas do vírus já descobertas, porém, alerta que tem ocorrido muitas mutações. “É um novo normal, uma nova adaptação. Isso vai fazer parte do calendário vacinal. Lembrando que a cepa britânica, que causou o 3º lockdowon na Inglaterra, ela tem oito mutações e a cepa do Amazonas que está sendo espalhada pelo Brasil inteiro, tem 10 mutações. Se houver mais mutações, as vacinas terão que ser revalidadas anualmente”, explica.
O professor diz que as pessoas precisam confiar na eficácia das vacinas produzidas contra a covid. “É um preconceito bobo das pessoas quanto a vacina chinesa. A maioria dos estudos médicos hospitalares vem da China. A vacina de Oxford tem componente que vem da China e da Índia, inclusive. Então tem que acabar esse preconceito. É preciso saber que essas vacinas não foram feitas a toque de caixa. Principalmente as da Pfizer, da Moderna e a de Oxford usam uma tecnologia que está sendo estudada há mais de 15 anos. O que se fez foi colocar o material genético do novo coronavírus e se atualizar essas vacinas. As pessoas precisam ter certeza de que a vacina é segura e eficaz, Somente a vacina vai fazer com que parem os óbitos e internações”, observa.
O professor Lysandro explica ainda que quando se fala em 50,38% de eficácia, como é o caso da coronavac, isso significa que metade das pessoas não vão se contaminar e a outra metade que se contaminar, 78% destas terão sintomas leves e em se contaminando, 100% não vai agravar e não vai parar na UTI. Ele lembra também que a vacinação não será um processo rápido e é preciso manter o uso da máscara, a higienização das mãos e o distanciamento social.
Foto: UFS







