Um sim que salva vidas: HU-UFS reforça importância da doação de órgãos

Mais de 50 mil pessoas aguardam atualmente por um transplante no Brasil, e parte desses pacientes corre risco de morrer antes de conseguir um órgão compatível. No Setembro Verde, mês de conscientização sobre a doação de órgãos e tecidos, o Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe (HU-UFS) reforça a importância de conversar com a família sobre a intenção de ser doador.
No Brasil, a autorização para a doação de órgãos após a morte depende da decisão da família. Por isso, comunicar em vida o desejo de doar pode ser determinante para que essa vontade seja respeitada no momento necessário.
Presidente da Equipe Hospitalar de Doação para Transplantes (E-DOT) do HU-UFS, professor da UFS e chefe da Unidade de Sistema Digestivo do hospital, Antônio Alves Junior destaca a importância da conscientização.
“Existem mais de 50 mil pessoas na fila de espera para transplante e, quando elas entram nessa fila, é porque o órgão já está insuficiente. Significa dizer que, se essa pessoa não receber o órgão em tempo hábil, em algumas situações, como as de fígado, coração e pulmão, ela irá falecer na fila de espera. Então, necessitamos conscientizar cada vez mais a população e os familiares sobre a nossa intenção de doação de órgãos após a morte”, ressalta.
A falta de diálogo dentro da família pode dificultar a autorização para a doação. “Órgãos ficam perdidos, a pessoa que evoluiu para óbito não auxilia outras pessoas, e aquelas pessoas que estão na fila de espera vão a óbito porque não receberam em tempo hábil um novo órgão”, afirma Antônio Junior.
Identificação de potenciais doadores
Um transplante começa muito antes da cirurgia e se estende para além dela. Entre a identificação de um potencial doador e o acompanhamento da pessoa que recebe um órgão, diferentes profissionais e serviços integram uma rede de cuidado que reúne avaliação clínica, exames, assistência às famílias e preparação para a captação e o transplante.
No HU-UFS, a E-DOT acompanha diariamente pacientes internados e atua em conjunto com diferentes setores do hospital. A equipe realiza busca ativa, principalmente em unidades de terapia intensiva (UTIs) e semi-intensivas, para identificar pacientes que possam apresentar condições compatíveis com a abertura do protocolo de morte encefálica.
“Entramos em contato com o setor, geralmente UTI ou semi-intensiva, e identificamos se tem algum paciente evoluindo para Glasgow 3 (coma profundo) ou já com diagnóstico de morte encefálica, para conversar com os familiares e ver a possibilidade da doação de órgãos”, explica o médico.
A equipe também promove reuniões e atividades de orientação com profissionais do hospital para reforçar os procedimentos de identificação de potenciais doadores e o fluxo da doação.
Após a identificação, o potencial doador passa por avaliações clínicas e exames que verificam a possibilidade da doação e as condições dos órgãos. O acompanhamento inclui a assistência ao paciente, o acolhimento da família e, quando autorizada a doação, a captação e o encaminhamento dos órgãos conforme os protocolos do Sistema Nacional de Transplantes.
HU-UFS já realizou 14 transplantes renais com doador vivo
O HU-UFS realiza transplante renal com doador vivo e também já realizou transplantes de córnea. Segundo Antônio Junior, a instituição contabiliza 14 transplantes renais com doador vivo.
“Nós fizemos 14 cirurgias, na verdade são cirurgias duplas, 14 transplantes de rins”, resume.
Nesse procedimento, o doador passa por cirurgia para retirada de um dos rins, que é transplantado em um familiar com insuficiência renal e em acompanhamento para transplante.
Um dos pacientes envolvidos nesse processo é o lavrador Antonio Santana Santos, que doou um rim para a esposa no início de 2026. Após o transplante, ela deixou de realizar hemodiálise e passou a seguir o tratamento pós-operatório.
“Depois que doei um rim para a minha esposa, ver como ela está bem, com saúde, e sem precisar mais fazer hemodiálise, enche meu coração de uma gratidão e uma felicidade que não cabem em palavras. Faria tudo novamente por ela. Poder ver o sorriso dela, acompanhar sua recuperação e saber que hoje ela pode viver com mais qualidade de vida é uma das maiores bênçãos da minha vida. Meu maior presente é vê-la bem. Para mim, a doação de órgãos é um ato de amor que pode transformar e salvar vidas”, declara.
Hospital prepara transplante com doador falecido
O HU-UFS também trabalha para ampliar a atuação na área de transplantes. A próxima etapa prevista é a realização de transplante renal com doador falecido, o que exige a preparação de diferentes setores do hospital para uma resposta rápida quando surgir um potencial doador.
“Queremos, na atividade transplantadora, passar para o transplante de rim com doador cadáver ainda esse ano. É o próximo passo. Exige um preparo instantâneo para a cirurgia de doação. Na hora que surge um doador, uma família doadora, todo o hospital tem que estar pronto para retirar e realizar o implante desse rim no paciente que está em fila de espera”, explica Antônio Junior.
A implantação desse novo procedimento depende da organização de equipes e serviços, além da definição de um fluxo capaz de garantir que as etapas previstas nos protocolos sejam cumpridas dentro dos prazos necessários.
*Com informações Unidade de Comunicação do HU-UFS
