Alta de custos derruba resultado das construtoras

A maior parte das incorporadoras que reportaram seus balanços ontem apresentou queda no lucro líquido no primeiro trimestre. O aumento do custo da construção e a onda da variante ômicron foram justificativas para o desempenho mais fraco em relação ao mesmo período de 2021.

A MRV&Co, que abrange MRV, a Luggo, a Urba e a americana AHS, reportou lucro atribuído aos controladores de R$ 71,3 milhões, queda de 47,89% ante igual período de 2021. A receita líquida atingiu R$ 1,67 bilhão, aumento de 4,8% na comparação anual. Já o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) caiu 5,8%, e foi de R$ 199 milhões.

A margem bruta da MRV&Co foi de 19,8%, queda de 8 pontos percentuais na comparação anual. A inflação do setor é apontada por Ricardo Rodrigues, diretor-executivo de finanças, como o principal motivo para a diminuição, e também afetou o caixa. Foi preciso aumentar o estoque de materiais para evitar novos aumentos de preço. A queda no imposto para importação de vergalhão de aço, anunciada pelo governo, vai ajudar a evitar novos aumentos do material, afirma o diretor, que analisa que a pressão nos custos continuará.

Com atuação no segmento de baixa e média renda, a Plano&Plano reportou queda de 56% no lucro líquido na comparação anual, para R$ 22 milhões, e de 43,2% no Ebitda, que fechou o trimestre em R$ 34,6 milhões. A Trisul viu seu lucro líquido recuar 71% no primeiro trimestre, para R$ 10 milhões, com margem líquida de 6,1%. A companhia não lançou no período. Na comparação anual, o Ebitda despencou 54%, para R$ 21,1 milhões.

Outra empresa que não lançou no trimestre foi a Tecnisa, que comemorou R$ 7 milhões de prejuízo líquido por ser o melhor resultado trimestral em três anos. A perda foi 73% menor do que a relatada no início de 2021. O Ebitda ficou em R$ 6 milhões, ante prejuízo de R$ 11 milhões no início de 2021.

A Even reportou lucro atribuído de R$ 15 milhões, valor 82% menor do que no mesmo período de 2021, com Ebitda de R$ 43,7 milhões, queda de 61% na comparação anual. Leandro Melnick, presidente da Even, afirma que a empresa tem tido dificuldade para repassar o aumento do custo da construção na venda das unidades, que ficaram com preço médio de R$ 612 mil, queda de 13,1% na base anual. “Não temos registrado ocorrências de estouro de custo nas obras, mas, na ponta das vendas, esse aumento pressiona as margens, porque não conseguimos repassá-lo aos clientes.”

A JHSF reportou lucro líquido de R$ 166,5 milhões no trimestre, queda de 13% ante o mesmo período do ano passado. Já o Ebtida cresceu 2,1% (R$ 236,9 milhões).

Contra a corrente, Melnick e EZTEC tiveram aumento dos lucros no primeiro trimestre. A gaúcha Melnick elevou o lucro atribuído em 51,8%, para R$ 22,2 milhões, e a receita líquida em 25,4%, a R$ 207 milhões, na comparação anual. O presidente Juliano Melnick diz que a empresa se beneficia de ter poucos concorrentes no Estado, e que ainda não conseguiu aplicar todo o dinheiro levantando da abertura de capital, em 2020. “Estar capitalizado nesse momento é bom.”

A EZTEC apresentou incremento de 43,5% no lucro atribuído, de R$ 105 milhões, e elevação de 105% no Ebitda, de R$ 80 milhões, ante o primeiro trimestre de 2021. A receita líquida cresceu 47,3% no trimestre, ante o início do ano passado (R$ 287 milhões). Mesmo com esses resultados, a margem bruta caiu 3%, para 39,3%. “À medida que projetos lançados durante e após pandemia ganham relevância nos resultados da companhia, maiores se tornam os custos reconhecidos”, afirma a empresa nos comentários que acompanham seu balanço.

 

FONTE: VALOR ECONôMICO