As tendências do mercado imobiliário, segundo 2 gigantes do setor

 

O mercado imobiliário deve ficar ainda mais aquecido nos próximos anos, mesmo com a inflação global e as eleições de 2022 causando incerteza entre investidores. Esta é a visão de Daniel Cherman, diretor geral da Tishman Speyer, e Roberto Perroni, sócio e CEO da Brookfield Properties Groups Brazil, executivos à frente de duas das maiores companhias globais no segmento de investimento em imóveis.

Cherman e Perroni discutiram as tendências do mercado de imóveis no BTG Invest Talks, evento organizado pelo BTG Pactual digital (do mesmo grupo controlador da EXAME), no dia 5.

Quais as tendências vão moldar os investimentos nos próximos anos? Descubra com os grandes nomes do mercado no BTG Invest Talks

“Volatilidade política, inflação e aumento nos juros vão atrapalhar a captação local, mas será um momento interessante para investir. Devem aparecer grandes oportunidades nos próximos 12 meses e quem estiver capitalizado vai conseguir aproveitar esse movimento”, destacou Cherman.

Para os executivos, o mercado está enfrentando um momento de distorções que podem ser transformadas em boas oportunidades de negócio.

“Existem prédios alugados em São Paulo nos quais o preço nominal da locação segue o mesmo nos últimos 10 anos mesmo com o avanço da inflação. Isso é algo que nunca ocorreu na história. Se o Brasil tiver alguma estabilidade macroeconômica nos próximos anos, os aluguéis devem ganhar força e voltar com um crescimento bem acima da inflação porque os preços estão muito defasados, até mesmo nos galpões”, acrescentou Perroni.

Entre as apostas mais interessantes, Perroni destaca o segmento de logística e o residencial para a renda – este último ainda em fase de estudo dentro da Brookfield. “É algo que pode ser interessante em um cenário de alta de juros em que o financiamento ficou mais caro, tornando o aluguel mais atrativo”, afirmou.

Outro segmento em alta é o corporativo “pós-pandemia”. “A qualidade dos escritórios está ficando cada vez mais importante para as empresas e percebemos uma procura mais forte por imóveis de alto padrão, com área verde. O escritório precisa crescer em qualidade para que o funcionário queira sair do home office e ir para esse local agradável de trabalho”, argumentou Cherman.

O foco no alto padrão, a propósito, é também um direcionamento no segmento residencial. “Estamos apostando em imóveis maiores, com espaço para a família, e vimos que o preço dos residenciais subiu muito forte, até mais do que os comerciais”, disse.

Fonte: Abecip