ARACAJU/SE, 27 de maio de 2024 , 3:11:00

logoajn1

Coretos de praças se constituem como patrimônio arquitetônico das cidades

 

 

Presentes principalmente em praças, parques e espaços públicos, estruturas criadas para apresentações de bandas e orquestras ainda servem como espaços de encontro e lazer ao ar livre

 

Eles fazem parte da memória afetiva de muitas pessoas que nasceram e cresceram em cidades do interior ou, em tempos passados, nas próprias capitais. Presentes principalmente em praças, parques e espaços públicos, serviram de espaço para momentos de lazer, conversas, encontros, relacionamentos e muitas histórias. E nos tempos de hoje, constituem-se em elementos arquitetônicos que fazem parte da história e da identidade de cada município ou região. Estes são os coretos, reconhecidos por sua estrutura geralmente adornada em forma de cúpula ou gazebo, e que serviam como um local para apresentações musicais de bandas ou grupos musicais ao ar livre.

 

A origem destas estruturas remetem à Europa do século XVIII, principalmente em cidades da França, da Espanha e de Portugal, onde elas eram comuns em praças públicas, parques e jardins de cidades e vilas. No Brasil, os coretos foram introduzidos pelos colonizadores portugueses, que buscavam reproduzir as estruturas de suas cidades e povoações de origem.

 

“Originalmente, os coretos eram projetados para abrigar bandas militares ou orquestras que forneciam entretenimento para a população em eventos comunitários ou celebrações. Além de seu valor estético e histórico, os coretos também desempenhavam uma função prática na vida cotidiana das cidades. Eles serviam como espaços de encontro e lazer ao ar livre. Assim, desempenhavam um papel importante na promoção da cultura e da sociabilidade em espaços públicos”, detalha Millena Moreira Fontes, professora e coordenadora operacional do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Tiradentes (Unit).

 

Inicialmente, os coretos eram pequenas estruturas de madeira, que depois foram sendo substituídas por estruturas de metal e depois de alvenaria (com tijolos e cimentos), evoluindo conforme o estilo arquitetônico de cada época. “Com a urbanização e o desenvolvimento das cidades brasileiras no século XIX, os coretos tornaram-se elementos comuns em praças e parques, refletindo o gosto pela arquitetura eclética da época, que mesclava diferentes estilos arquitetônicos, como neoclássico e o neogótico”, detalha a professora.

 

Atualmente, não há levantamentos precisos sobre quantos coretos existem atualmente nos municípios. Muitos deles encontram-se abandonados, deteriorados e servindo de abrigo para pessoas em situação de rua. Mas outros estão preservados e funcionam como atrativo para os mesmos encontros de outrora. “Mesmo sem a presença de bandas, é importante ressaltar que os coretos continuam sendo usados nas praças de diversas formas. Eles podem servir como locais para apresentações de artistas locais, eventos culturais, exposições de arte, feiras e até mesmo como espaços para a prática de atividades físicas ou encontros comunitários”, destaca Millena.

 

Em Aracaju

 

Na capital sergipana, alguns coretos foram construídos ao longo do século passado nas praças do Centro Histórico, como a Fausto Cardoso, a Olímpio Campos, a Almirante Barroso e a General Valadão. Destes, os únicos que restaram foram os da Praça Fausto Cardoso, que foram recuperados na última reforma, realizada em 2016.

 

“É preciso lembrar que, atualmente, as praças do centro histórico de Aracaju cotidianamente servem mais como local de passagem e eventuais manifestações, refletindo as transformações no uso das áreas centrais da cidade, onde prevalecem atividades comerciais e de serviços”, avalia Millena, alertando para a necessidade de preservação e manutenção do patrimônio arquitetônico e histórico presente nas praças da cidade.

 

Esta preservação, segundo ela, começa com a conscientização da população sobre a importância desses elementos do nosso centro histórico. “Esses elementos fazem parte da paisagem urbana, representando não apenas uma herança arquitetônica, mas também valores como sociabilidade, tradição e cultura. Precisamos cuidar da nossa arquitetura e patrimônio histórico do centro de Aracaju, para que não haja descaracterização e o apagamento de testemunhos de nossa história”, conclui a professora da Unit.

Fonte Ascom UNIT

Você pode querer ler também