ARACAJU/SE, 3 de março de 2024 , 18:46:37

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Edvaldo: “tudo o que planejei como gestor consegui realizar”

Por Cláudia Lemos

Quando 2024 terminar, o prefeito de Aracaju Edvaldo Nogueira encerará mais um ciclo na gestão do município. Já são mais de duas décadas entre os cargos de prefeito e vice-prefeito da capital Sergipana. É tempo suficiente fala ele cravar um legado: tocar o projeto que colocou Aracaju como protagonista do ponto de vista do desenvolvimento. Falando dos últimos sete anos, Edvaldo destaca que foram investidos mais de R$ 1 bi somente em obras de infraestrutura, com 154 obras entregues até o final de 2023. Ele fala com orgulho do projeto ‘Aracaju Cidade do Futuro”, que permitirá o crescimento da capital pelos próximos 20 anos e que será executado com recurso de empréstimo de R$ 500 mi junto ao Brics. O prefeito também fala em sucessão e do seu apoio ao nome de Luiz Roberto Dantas, para quem trabalha para ser o escolhido pelo bloco ao qual faz parte. Sobre seu futuro político, Edvaldo reafirma que será candidato a Senador em 2026:” A população sergipana já conhece o meu trabalho, sabe do meu compromisso, e tem presenciado tudo o que tenho feito pela capital em todos estes anos como prefeito, o que me credencia para a disputa”. Confira a entrevista a seguir concedida ao Jornal Correio de Sergipe e ao Portal AJN1

    

Correio de Sergipe – São mais de duas décadas entre os cargos de prefeito e vice-prefeito de Aracaju. Fazendo um balanço, qual o seu maior legado?

Edvaldo Nogueira – Sem dúvida alguma, o maior legado que eu deixo para Aracaju, como gestor da capital, foi ter comandado um projeto que colocou a cidade, do ponto de vista de desenvolvimento, como protagonista. E eu considero este como o maior feito que um prefeito pode deixar para a cidade. Quando estive à frente da capital, nas duas primeiras gestões, realizei um trabalho que foi fundamental para que a cidade avançasse em sua infraestrutura urbana, dando continuidade ao que foi planejado por mim, como vice-prefeito, e por Marcelo Déda, como prefeito. Mas foi a partir de 2017, quando retornei à gestão, que a capital chegou a outro patamar de desenvolvimento. Encontramos uma cidade completamente desestruturada, com dívidas gigantescas, pagamentos de fornecedores e servidores atrasados, ruas tomadas de lixo, diversas obras paralisadas, entre outros problemas. Apesar de toda essa situação, não me deixei intimidar. Com uma equipe comprometida, arregaçamos as mangas, fomos ao trabalho e, com um verdadeiro ajuste fiscal, começamos a colocar a capital, novamente, no caminho do progresso. Hoje, Aracaju resgatou a sua capacidade financeira e, por consequência, a sua evolução. Somente em obras de infraestrutura conseguimos investir, em sete anos, mais de R$ 1 bilhão, entregando, até o final do ano passado, 154 obras que mudaram por completo a face da cidade. Tiramos inúmeras comunidades da poeira e da lama, construímos escolas, unidades de saúde, entregamos a primeira maternidade pública municipal de Aracaju, resolvemos o problema histórico da avenida Euclides Figueiredo, recuperamos os principais corredores de transporte da cidade, modernizamos todo o parque de iluminação pública com lâmpadas de LED, entre muitas outras realizações. E ainda temos grandes obras sendo executadas, como a avenida Perimetral Oeste e o Residencial Mangabeiras Irmã Dulce dos Pobres com 1.320 casas. Ou seja, mudamos Aracaju por completo e conseguimos transformar a capital em um lugar melhor para as pessoas viverem. E não descansamos, ainda fomos atrás de mais recursos para a cidade e conseguimos conquistar o maior empréstimo já concedido para a capital de uma única vez, R$ 500 milhões, junto ao banco dos Brics, para a execução do projeto que projetará Aracaju para o futuro.

 

C.S – Tem algo que o senhor vislumbrou fazer/construir/entregar e findado esse período o senhor não conseguiu concretizar?

EN – Olhar para trás e ver tudo o que já realizei por essa cidade é motivo de muito orgulho, pois tudo o que planejei, como gestor da capital, consegui realizar. Além de ter contribuído para as grandes mudanças que a cidade passou,  estou deixando para a capital um projeto intitulado como ‘Aracaju Cidade do Futuro’, que eu  considero como o grande impulsionador da cidade, permitindo o seu crescimento pelos próximos 20 anos, e que será executado com o empréstimo conquistado junto ao banco dos Brics, de R$ 500 milhões. Como um político municipalista, acredito na cidade como um instrumento de realização humana. É nela que a vida acontece e o papel do prefeito é fazê-la dar respostas aos seus cidadãos, é assegurar que as pessoas se sintam parte do lugar em que vivem. Neste sentido, é preciso pensar a cidade no seu presente e futuro também, como estamos fazendo. Ao final de 2024, deixarei para quem me suceder mais de R$ 300 milhões para a realização de obras que continuarão fazendo a cidade avançar com este projeto que mudará Aracaju. A busca pela conquista deste financiamento foi, inclusive, um dos motivos pelos quais eu não quis renunciar à Prefeitura de Aracaju, em 2022. Além de terminar o mandato para o qual fui reeleito, concluindo o projeto que eu planejei para a cidade, eu queria dar o pontapé neste programa que vai permitir o progresso de Aracaju, que vai possibilitar a sua expansão física, social e sustentável. Então, hoje, eu posso me considerar um gestor muito mais do que realizado.

 

C.S – No almoço com a imprensa que realizou no último dia 26, o senhor deu muita ênfase aos avanços na Educação. Que avanços são esses? Como o senhor está deixando a Educação?

EN – Sempre sonhei em tornar a educação de Aracaju em um modelo a ser seguido. No primeiro discurso que fiz, ao abrir a primeira reunião do Planejamento Estratégico com o secretariado, compartilhei o meu desejo de trabalhar duramente pela reconstrução desta pasta, que eu considero como um dos pilares da nossa gestão, para que os alunos matriculados na rede municipal de ensino pudessem ingressar em escolas preparadas para direcioná-los a um futuro promissor. Dito isto, traçamos os objetivos que nos levariam a alcançar tal feito e seguimos cada passo. E nós começamos pela base, pela reestruturação das nossas escolas, que foram dotadas de toda a infraestrutura necessária para que os estudantes avançassem nos níveis de aprendizagem. Estrutura essa que inclui ar-condicionados nas salas de aula, internet de alta velocidade em todos os prédios, a partir da rede de fibra ótica que instalamos, quadras esportivas e muito mais. Do final do ano passado para cá, começamos a dar grandes passos para materializar este grande sonho. Na Aula Inaugural para o ano letivo de 2024, iniciamos a entrega dos kits escolares para os alunos, com materiais de primeira qualidade, e lançamos o ‘Escola Tech’, um grande pacote de tecnologia que equipará 100% das escolas municipais com displays interativos de 75 polegadas, onde os professores passarão conteúdos relacionados às matérias, seguindo o projeto pedagógico estabelecido e facilitando o aprendizado em sala de aula; câmeras de reconhecimento facial, que informam, através de um SMS, quando o aluno entrar na escola, trazendo muito mais segurança e tranquilidade aos responsáveis; totens digitais para as chamadas; e um sistema inovador de inteligência artificial, que fará o cruzamento de dados do aluno, prevendo se ele poderá ser aprovado ou não naquele semestre. O uso da IA dará ainda mais autonomia aos professores, já que eles poderão se antecipar e interferir no aprendizado dos estudantes que estão com um rendimento escolar inferior. Também estamos dando continuidade à entrega de notebooks para mais de 25 mil estudantes do ensino fundamental e da educação para jovens e adultos, que terão um computador com um chip de internet, embarcado com conteúdos pedagógicos e configurado com toda segurança devida, respeitando a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). Os aparelhos vão além do aprendizado em sala de aula, os alunos poderão levar para suas casas e assim, também irão promover a inclusão digital de toda a família. No mundo de hoje, não temos como ficar contra o uso da tecnologia. Ela deve ser uma verdadeira aliada para que os nossos alunos sintam orgulho de estudar em uma escola municipal bem equipada e que lhes dê condições de ter um alto nível de aprendizado. Ou seja, sete anos depois, estamos vendo o sonho se tornar real, fazendo uma grande revolução em nossa educação, que hoje ocupa a lista de cidades com maior crescimento no Ideb. E para coroar todo esse trabalho, realizaremos o concurso público para o Magistério, reafirmando o nosso compromisso com a educação do presente e do futuro.

 

C.S – O senhor colocou para a Imprensa que nos últimos oito anos o orçamento de Aracaju subiu de R$ 1,8 bilhão para R$ 3,9 bilhões. Quais medidas foram essenciais para esse bom crescimento e como esse dinheiro vem sendo aplicado?

EN – O crescimento do orçamento de Aracaju neste período se deve, essencialmente, a dois fatores: o primeiro foi o resultado do processo de modernização tecnológica e da legislação municipal, que permitiu um aumento da arrecadação própria do município; o segundo aspecto foi o fato de que, ao conseguirmos recuperar o nosso equilíbrio fiscal, colocar os nossos pagamentos em dia e recuperar  a nota “A” na avaliação da Capag (capacidade de pagamento) do Tesouro Nacional, nós conseguimos, também, acessar recursos de operações de crédito junto a organismos internacionais, como o BID e NDB, e a própria Caixa Econômica Federal, operações estas que estão financiando boa parte do programa de infraestrutura traçado para a cidade. Então, efetivamente o crescimento do orçamento se deve ao resultado do trabalho que realizamos nessas duas vertentes.

 

C.S – Vamos falar sobre a Zona de Expansão de Aracaju. O senhor tem afirmado que o futuro da cidade está nessa região, afinal tem bastante espaço para ser ocupado e estamos falando de uma região muito bonita, abençoada com praia e rio. Porém, sabemos que os desafios são muitos. Como é esse projeto de urbanização pensado para essa região e para quando deve ser concretizado esse projeto?

EN- A Zona de Expansão representa 40% do nosso território, mas, pela falta de infraestrutura, ainda é uma região pouco habitada, se comparada a outras áreas da nossa cidade. Eu sempre vislumbrei executar um programa que pensasse o futuro das próximas gerações e que preparasse a nossa capital para um crescimento ordenado. E isso será possível a partir do “Aracaju Cidade do Futuro”, um programa que, como o próprio nome diz, prepara a capital para o futuro. Dentro deste nosso projeto, boa parte dos recursos se concentram naquela área da cidade. Lá, nós faremos um grande canal que resolverá os problemas históricos de alagamentos na região, construiremos uma avenida de 7,5 quilômetros, com três faixas de rolamento e ciclovia, construiremos uma estação de tratamento de esgoto local, algo inédito em nossa cidade, e dotaremos os bairros de infraestrutura, com a implantação de redes de drenagem e de esgotamento sanitário, além da pavimentação. Ou seja, pela primeira vez, na história de Aracaju, nós vamos preparar o terreno para ser habitado pela população, criando condições para a aplicação de um novo modelo de desenvolvimento sustentável naquela área da cidade, que está crescendo e que abrirá as portas para o turismo e para a geração de emprego e renda.

 

C.S – Todos os partidos que o apoiaram têm participação na sua gestão. Como o senhor consegue administrar para não perder o controle?

EN – Sempre costumo dizer que ninguém governa sozinho. Para que um projeto possua êxito em sua execução, é necessário união, somação de esforços, e isso perpassa, também, por esse trabalho conjunto e participação efetiva dos aliados. Quando digo que todos os partidos que apoiaram a minha reeleição possuem participação no meu governo é porque, de fato, têm. Sempre trabalhei pela construção de uma política plural, justa e de convergências. Obviamente que, pela atividade de prefeito, não tenho tempo de estar, todos os dias, conversando, almoçando, jantando com os meus aliados. Também não é da minha natureza. Mas eu não sou uma pessoa fechada. Pelo contrário. Quem me conhece, sabe que estou sempre aberto ao diálogo, à escuta, e que, embora eu tenha as minhas próprias opiniões, prezo por isso por entender que a política é uma atividade que exige relacionamentos.

 

C.S – Nas eleições passadas, o senhor abriu mão de sua candidatura a governador para manter a unidade do bloco e passou a pedir voto para Fábio Mitidieri. Para sucedê-lo na Prefeitura de Aracaju o senhor escolheu Luiz Roberto Dantas de Santana. O bloco também tem outros nomes, a exemplo de Fabiano Oliveira e Danielle Garcia. Caso Luiz Roberto não seja o nome de consenso, o senhor se manterá firme no bloco?

EN –  Primeiro, quero dizer que sou um político de bloco. Desde que entrei para a política, trabalho pela construção e pela unidade porque, na minha concepção, fazer política é edificar frentes e alianças sólidas, independente de ser para mim ou para os outros. Essa é a base em que eu acredito. E todos os resultados e conquistas do nosso grupo refletem a força da unidade e não a força individual. Foi assim com Déda, com Jackson Barreto, com Belivaldo Chagas, foi assim comigo, quando fui eleito em 2016 com sete partidos me apoiando, foi assim no último pleito, com a vitória de Fábio Mitidieri para o Governo e eu acredito que deve ser assim, também, na escolha do candidato que me sucederá. A escolha do PDT é pelo nome de Luiz Roberto não porque eu tirei da cartola. Foi uma escolha do partido e que conta com o meu apoio e trabalho. E será assim porque a presença de Luiz, como o nosso pré-candidato tem uma base. Nós temos um projeto de cidade que deu certo, que trouxe progresso, desenvolvimento, inclusão e que melhorou todos os índices de Aracaju nos últimos sete anos, como nunca tinha sido feito anteriormente. É visível a mudança que foi feita na capital. É uma realidade que é elogiada, inclusive, por aqueles que não gostam de mim. Esse projeto precisa ser preservado para avançar e, na minha visão, Luiz Roberto é a pessoa que tem o melhor perfil para tocar esse projeto, pela sua capacidade, competência, pela sua trajetória e pelo seu compromisso. Luiz tem uma bagagem que todos conhecem, ele tem solidez, foi o melhor presidente da história da Emsurb, ajudou na construção do nosso Planejamento Estratégico e, por onde passou, deixou um rastro de entregas, o que lhe confere estofo para sair às ruas e conquistar o eleitorado. Além disso, é um nome que agrega, com capacidade para aglutinar as diversas forças políticas do nosso agrupamento, e que é aprovado pelo governador Fábio Mitidieri. Agora, é natural que os partidos que fazem parte da coligação apresentem os seus pré-candidatos. Esse é um processo natural e que faz parte da democracia.

 

C.S – Ainda no almoço com a imprensa o senhor disse estar confiante de que Luiz Roberto seria o melhor nome, inclusive disse que sendo ele o escolhido o senhor já tinha garantido o apoio de André Moura, do União Brasil. O senhor acha essa aliança possível, afinal o nome de Yandra Moura, filha de André, tem sido ventilado para a Prefeitura de Aracaju?

EN – Como disse, é natural que os partidos coloquem suas candidaturas e apresentem os seus pré-candidatos. Este é o momento para isso. Faço parte deste grupo político há mais de 20 anos e em todo esse período, praticamente vencemos todas as disputas nos âmbitos estadual e municipal, mostrando que o nosso trabalho é aprovado pela população. Por isso, vou trabalhar para mantermos esse arco de alianças com todo o agrupamento para que possamos sair vitoriosos nas urnas. Vamos conversar, discutir, vamos buscar unir toda a coligação. Esse tem sido o tom de todos os diálogos que o nosso grupo tem tido. Com relação à conversa que tive com André, ela não aconteceu agora, mas há seis meses. André é um dos políticos que mais converso e com quem tenho uma excelente relação. À época, falamos sobre os nomes que o PDT poderia apresentar para  disputa e ele me disse que se o nosso partido batesse o martelo pelo nome de Luiz Roberto, se fosse o escolhido, ele poderia apoiar. Mas como disse, essa conversa aconteceu há seis meses, quando Yandra não tinha apresentado o seu nome como pré-candidata.

 

C.S – Edvaldo, você sempre colocou que adora ser prefeito e diz que foi a maneira que encontrou para realizar parte dos seus sonhos, das coisas que imaginou em sua opção pela política. Embora o senhor tenha experiência no legislativo, uma vez que foi vereador por Aracaju de 1989 até 2000, sua maior experiência é no Executivo. Agora, o senhor já afirmou que disputará o Senado. Como surgiu essa vontade e que Senador o senhor pensa em ser?

EN – Sem dúvida alguma, se houvesse um concurso para ser prefeito, eu faria, porque adoro governar a cidade. Primeiro porque foi a maneira que eu encontrei de realizar parte dos sonhos que me fizeram entrar na política, e segundo porque acredito na cidade como um instrumento de realização humana. É nela que a vida acontece, que o cidadão tem acesso aos serviços e melhorias cotidianas, e é sendo um político municipalista que você pode trabalhar para reduzir as desigualdades, para ampliar a inclusão, para, efetivamente, transformar a vida das pessoas para melhor. Mas apesar de amar ser prefeito e ter construído a minha carreira política no âmbito municipalista, por escolha e consequência, acima de tudo, o que me move é o desejo de fazer mais pelas pessoas. E sei que, assim como contribui com a melhoria da qualidade de vida dos aracajuanos, posso fazer pelos sergipanos também. Por isso, coloco meu nome para uma candidatura a senador em 2026, na chapa com Fábio à reeleição. A população sergipana já conhece o meu trabalho, sabe do meu compromisso, e tem presenciado tudo o que tenho feito pela capital em todos estes anos como prefeito, o que me credencia para a disputa.

 

C.S – Que mensagem o senhor deixa para os aracajuanos?

EN – A mensagem que deixo aos aracajuanos é que 2024 seja um ano de muitas realizações, assim como trabalharei para que seja em nossa cidade. Da minha parte, quero que saibam que continuarei empenhado, comprometido com esse projeto que tanto sonhei para Aracaju, até o último dia do meu mandato, atuando cotidianamente para que a população tenha acesso a serviços cada vez mais qualificados, para que as inúmeras obras já iniciadas sejam concluídas e que muitos outros projetos sejam iniciados, mudando por completo a face da nossa capital. Foi para isso que fui reeleito pelos aracajuanos. Há muito trabalho pela frente, muitas entregas e nós vamos fazer. Honrarei com o compromisso de continuar levando a nossa capital para o caminho do desenvolvimento e progresso. Contem comigo!

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