Família diz que professora não suportou perseguição

Da redação, AJN1

 

"Foi uma perseguição clara o que fizeram com minha irmã e ninguém tomou providência. Minha irmã se suicidou devido ao sistema que é imoral, ilegal e desumano. É desumano o que fizeram com minha irmã. Tiraram a autoestima dela e agora tiraram a vida. Espero que as pessoas sejam responsabilizadas”, desabafou a irmã da professora Jucélia Almeida Ferreira, 45. A professora, que foi encontrada morta na casa onde morava na Palestina, deixou uma carta relatando que o gesto extremo que tomava se deu em virtude do corte de salário e de uma suposta perseguição que vinha sofrendo da direção da escola estadual Severino Uchôa, em Aracaju.

 

De acordo com familiares, mesmo tendo apresentado atestado e laudos médicos, Jucélia teve o salário bloqueado em março, o que resultou em problemas financeiros, e ela ainda estava respondendo a procedimento administrativo. “Ela ficou vivendo a custa de favor. Fui eu quem a ajudou. Sustentei esse tempo todo e vi a sua angústia. Chegando a dizer várias vezes que iria se matar”, revelou a irmã da professora, acrescentando que ela viveu uma via crucis tentando resolver o problema, pois o atestado encaminhado não teria sido encontrado na Secretaria de Estado da Educação e depois ainda teriam duvidado da autenticidade do documento.

 

“Vivi cada momento da tristeza e desespero da minha irmã. Estava vendo que ela não ia suportar. Estava um trapo, perdeu mais de 20 kg”, lamentou a mulher. Ela lembrou, Jucélia esteve praticamente todos os dias, nas duas últimas semanas, na SEED tentando resolver a questão. “Minha irmã desmaiou lá e só ai conseguiu falar com a secretária adjunta. A coitada da minha irmã ficou o tempo todo lá. Mandavam pegar documento em casa e ela sem dinheiro chegou de ir da Barão de Maruim até o bairro Palestina a pé. Isto é justo, é humano é legal? Na sexta-feira, ela me ligou e disse q estava na SEED e o salário continuava bloqueado. Disse que não tinha mais forças, que estava se sentindo mal”, disse a irmã que prefere não ter o nome divulgado.

 

A Assessoria de Comunicação da SEED informou que, a professora teve uma vida um pouco conturbada na rede estadual de ensino e desde 2015 até o final da semana passada, havia mudado de escola por três vezes.  Além disso, quando foi coordenadora chegou a enfrentar problemas com alguns diretores, o que pode ter refletido na sua situação emocional.

 

Ainda de acordo com a Ascom da SEED, entre novembro e dezembro do ano passado, houve o registro de 28 faltas sem justificativa, situação resultou no bloqueio de salário e no processo administrativo. A assessoria informou ainda que a medida que as aulas fossem repostas, os salários seriam desbloqueados.

 

Protesto

 

Em protesto contra a morte da professora, às 9 horas, desta quarta-feira (6) o Sindicato dos Trabalhadores da Educação Básica da Rede Oficial do Estado de Sergipe (Sintese) realiza um protesto em frente a escola Severino Uchôa. Além disso, o sindicato colocou o departamento jurídico à família da professora para interpor as ações judiciais cabíveis contra o Estado de Sergipe, bem como contra os envolvidos diretamente, a partir da análise dos advogados.