ARACAJU/SE, 3 de março de 2024 , 20:23:38

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Livro de jornalista formada pela Unit passa de 50 mil páginas lidas e concorre a dois prêmios

 

A escritora sergipana Thiarlley Valadares, egressa do curso de Jornalismo da Universidade Tiradentes (Unit), é um dos nomes que começam a ganhar destaque entre as novas autoras da literatura brasileira contemporânea. O mais recente dos seus cinco e-books publicados, o romance ‘Não é o que parece’, está concorrendo em dois prêmios voltados para autores e profissionais independentes: o 8º Prêmio Kindle de Literatura, da plataforma Kindle, e o Prêmio Lítera 2023, promovido pelos três perfis de divulgação literária mais seguidos da plataforma X (antigo Twitter): TTLiterário, Divulga Nacional e Sem Spoiler. E no próprio Kindle, Não é o que parece’  já ultrapassou a marca de 50 mil páginas lidas desde que foi publicado, em agosto deste ano, e chegou a bater a marca de 2 mil páginas lidas por dia.

 

O livro busca abordar questões ligadas ao preconceito racial e ao machismo enfrentado pelas mulheres, sobretudo no ambiente corporativo, a partir da história de Ágatha, uma executiva da área de assessoria de imprensa, que é conhecida como uma pessoa arrogante e de difícil trato. Na empresa, ela conhece e passa a se aproximar de Jorge, um jornalista recém-formado entra como trainee de Ágatha, tenta conquistar a confiança dela e acaba descobrindo a verdadeira personalidade de sua chefe. A própria Thiarlley afirma que a história dos personagens é um pano-de-fundo para colocar as questões raciais e de gênero em discussão.

 

“Agatha é uma mulher negra em uma posição de poder, ao mesmo tempo que ele é um homem asiático, descendente de taiwaneses. Então, o livro trabalha essas questões raciais da mesma forma que são racismos diferentes, mas ao mesmo tempo são muito semelhantes das pessoas de cor, nesse caso, que são pessoas negras e pessoas asiáticas. Trabalha também questões como machismo, no momento do trabalho. E como mulheres em posição de poder acabam tendo um posicionamento ou uma postura rude ou arrogante numa tentativa de se proteger desse machismo”, explica a autora, que trabalhou durante sete anos no processo de criação e produção do livro.

 

Thiarlley admite que ficou “surpresa, satisfeita e feliz” com o alcance obtido por ‘Não é o que parece’ e atribui o sucesso à temática trabalhada nele. “Nós estamos hoje numa geração que está muito acordada para essas questões e que não lê ou não consome aquilo com que ela não se identifica. Eu imagino que ter personagens racializados e assuntos relacionados a isso tenha também trazido mais pessoas que não me conheciam ou que não era meu público pra esse livro”, comenta, frisando que teve a preocupação de abordar tais assuntos em meio a uma história atraente e agradável ao leitor. “O livro tenta ao máximo humanizar esses personagens e mostrar que, muitas vezes, o girl power é uma coisa muito difícil e desgastante, principalmente se você é uma mulher de cor ou de alguma minoria”, resume.

 

Obras e inspirações

 

A jornalista formada pela Unit tem outros quatro trabalhos publicados, incluindo o romance adolescente ‘O Amor em Lugares Fechados’, lançado em 2021 pela Kindle e que já teve 37 mil páginas lidas; o romance de época ‘O Bom Soldado’ (2020), a coletânea de contos e crônicas ‘Apenas Fugindo: o livro’ (2022), e a pesquisa “Mulheres Negras e Literatura: representatividade, estereótipos e protagonismo”, um trabalho de conclusão da pós-graduação em História e Cultura Afrobrasileira, na qual discutiu a presença de mulheres negras nas obras literárias brasileiras.

 

Nascida em Tobias Barreto, no centro-sul sergipano, Thiarlley escreve desde os 15 anos de idade, quando começou a se interessar pelas chamadas fanfics, histórias de ficção criadas por fãs de seriados, novelas ou bandas musicais. Em seguida, passou a se interessar por escritoras negras que adotou como influências, como a nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, a jamaicana Nicola Yoon, a americana Tiffany Jackson e as brasileiras Carolina Maria de Jesus (1914-1977) e Conceição Evaristo.

 

Ela afirma, no entanto, que a sua maior inspiração para escrever está em histórias e realidades vividas ou presenciadas por ela própria no cotidiano, observando o mundo ao redor e as pessoas com quem convive. Ao dizer que “todo jornalista é escritor”, Thiarlley revela que sua vivência no curso de Jornalismo da Unit contribuiu para aprimorar tanto o seu estilo de escrita quanto a capacidade de compreender as vivências e o cotidiano das pessoas.

 

“O curso me abriu muitos horizontes, principalmente sobre criatividade, sobre observação. Também acho que o jornalista está muito ligado a ver a vivência dos outros, enxergar a necessidade dos outros. Porque você vai fazer aquela matéria que é importante noticiar, um desabamento de terra, uma falta d’água, e você se colocar no lugar daquela pessoa, daquela comunidade que estava passando por aquilo… Então eu acho que isso me ajudou muito também a enxergar a escrita com esse papel de levar boas histórias que toquem”, finaliza ela, expressando sua satisfação em concorrer aos prêmios Kindle e Lítera. “Só em participar já representa muito na minha trajetória, que é curta até aqui. Se você parar pra pensar que são só três anos que eu tô publicando e já consegui participar desse prêmio. Então, já representa muito e que essa trajetória continue crescendo e sendo exitosa”, comemora a escritora.

Asscom Unit

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