IBGE - 19/05/2020 - 14:32

Mais de 50 mil domicílios em Sergipe estavam em aglomerações irregulares em 2019

Foto ilustrativa | Divulgação

Da redação, AJN1

Levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, divulgado nesta terça-feira (19), mostra que, em 2019, havia em Sergipe 53.203 domicílios localizados nos chamados aglomerados subnormais, que são formas de ocupação irregular de terrenos de propriedade alheia (públicos ou privados) para fins de habitação em áreas urbanas e, em geral, caracterizados por um padrão urbanístico inadequado, carência de serviços públicos essenciais e localização em áreas que apresentam restrições à ocupação.

+Confira a estimativa de domicílios por aglomerado subnormal

No Brasil, segundo o IBGE, os aglomerados subnormais podem ser conhecidos por diversas denominações: favela, invasão, grota, baixada, comunidade, mocambo, palafita, loteamento, ressaca, vila, etc. As denominações e características territoriais variam regionalmente.

Nesse sentido, o IBGE explica que os dados são fruto de um mapeamento preliminar como preparação para o Censo Demográfico 2020, que, por conta da pandemia de Covid-19, teve que ser adiado para 2021. Conforme o levantamento, em Sergipe, 7,4% dos mais de 720 mil domicílios estimados para 2019 estavam localizados em aglomerados subnormais.

Em geral, os aglomerados subnormais abrigam populações em condições socioeconômicas, de saneamento e de moradia mais precárias. Além disso, muitas dessas áreas possuem uma densidade de edificações extremamente elevada, o que dificulta o isolamento social e pode facilitar a disseminação da Covid-19.

5º do Nordeste

No Nordeste, os maiores percentuais estão na Bahia e em Pernambuco (10,6% para ambos), no Ceará (9,2%) e no Maranhão (7,8%). Sergipe vem logo após, com 7,4%. O Rio Grande do Norte (4,0%) é o estado nordestino com menor percentual de domicílios em aglomerados subnormais.

País

Já entre as 27 unidades da federação, o Amazonas possui o maior percentual de domicílios em aglomerados subnormais (34,6%, totalizando mais de 390 mil). Nas regiões Centro-Oeste e Sul, os percentuais de domicílios em aglomerados subnormais eram mais baixos do que no restante do Brasil. O menor percentual é o do Mato Grosso do Sul, onde apenas 0,7% dos domicílios se enquadravam nessa situação. Em Santa Catarina e em Goiás, os percentuais eram semelhantes (1,5%).

Capitais

O IBGE afirma que, entre os municípios das capitais, esses percentuais são consideravelmente mais elevados. Em Aracaju, por exemplo, são cerca de 15,8% dos domicílios, ou 33.817 entre os 214.290 estimados pelo IBGE para 2019. Isso significa que 6 a cada 10 domicílios em aglomerados subnormais no estado estavam no município de Aracaju.

No Nordeste, a capital com maior proporção de domicílios em aglomerados subnormais era Salvador (41,8%), onde 4 a cada 10 unidades estavam nessas áreas. Entre as capitais nordestinas, Aracaju estava entre as três com menores percentuais de domicílios em aglomerados subnormais (15,8%), seguidas, em ordem decrescente, de Natal (13,0%) e João Pessoa (12,5%).

Região Metropolitana

A Região Metropolitana (RM) de Aracaju concentrava 92,8% dos domicílios em aglomerados subnormais do estado. Eram, ao todo, 49.364 unidades, das quais mais da metade estava na capital (33.187) e o restante distribuído entre os municípios de Nossa Senhora do Socorro (10.845), São Cristóvão (3.240) e Barra dos Coqueiros (1.462).

Os demais domicílios em aglomerados subnormais estavam no interior do estado. O município do interior com maior número de domicílios nessa condição era Laranjeiras (929 domicílios), que faz fronteira com a RM de Aracaju. Em seguida, vinham Lagarto (765) e Estância (727).

Em termos percentuais, a prevalência de domicílios em aglomerados subnormais era maior no município de Nossa Senhora do Socorro (18,9%), que compõe a RM de Aracaju. Na sequência, aparecia Aracaju, com 15,8%. O percentual estava acima dos 10% em mais quatro municípios: Riachuelo (12,2%), Barra dos Coqueiros (11,4%), Laranjeiras (11,3%) e São Cristóvão (10,1%).

Distância do centro de saúde

A Pesquisa também mostrou que, para quem está em aglomerados subnormais localizados em Aracaju (95), os estabelecimentos de saúde com suporte de observação e internação mais próximos podem apresentar uma distância de 1 a 10 km e estão localizadas, em sua maioria, na capital. Para os aglomerados subnormais localizados em Estância (10) e Lagarto (8), a distância varia de menos de 1km até 3,5 km.

Existem 46 aglomerados em Nossa Senhora do Socorro e a distância até esse estabelecimento de saúde vai de 500 metros até 5,6 km. Essas unidades, em grande parte, estão localizadas em Nossa Senhora do Socorro, com algumas exceções em Aracaju e Laranjeiras.

Dos 14 aglomerados em São Cristóvão, a maioria (12) tem os estabelecimentos de saúde no próprio município e 2 em Aracaju. Em média, essa distância varia de pouco mais de 400 metros até 3,5 km. Dos 3 aglomerados subnormais em Maruim, a unidade hospitalar com suporte para internação está em Rosário do Catete, com uma média de distância de 7,5 km. A maior distância vem do aglomerado de Siriri, no qual o estabelecimento de saúde mais próximo está a 12,1 km, localizado no município de Capela.

Com informações do IBGE.