O mercado imobiliário brasileiro manteve trajetória de crescimento e registrou alta de 19,3% no número de lançamentos nos últimos 12 meses até janeiro de 2026, segundo dados da Associação Brasileira de Incorporadoras (Abrainc) em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas. O resultado reforça a resiliência do setor mesmo diante de um cenário macroeconômico desafiador.
O avanço foi puxado principalmente pelo programa Minha Casa, Minha Vida, que registrou crescimento de 20,8% nos lançamentos, consolidando-se como principal motor do mercado. Já o segmento de Médio e Alto Padrão também apresentou expansão, com alta de 11,1% no período. Em termos financeiros, o valor global lançado teve crescimento real de 24,5%, com destaque para o desempenho do segmento de maior renda, que avançou 27%.
No campo das vendas, o setor apresentou aumento mais moderado. Entre fevereiro de 2025 e janeiro de 2026, o volume de unidades comercializadas cresceu 4,1%, enquanto o valor real das vendas subiu 4,8%, refletindo a valorização dos imóveis e a manutenção da demanda habitacional.
O segmento de habitação popular seguiu em destaque, com alta de 11,8% nas vendas em volume e de 12,7% em valor. Já o mercado de Médio e Alto Padrão registrou queda de 17,6% no volume de unidades vendidas, mas com recuo mais contido em valor (-4,2%), indicando concentração em empreendimentos de maior valor agregado.
As entregas de imóveis também avançaram, com crescimento de 10,8% no número de unidades concluídas, indicador considerado estratégico para a saúde financeira das incorporadoras e para a confiança dos compradores.
A oferta final do mercado se manteve em nível considerado equilibrado, com estoque equivalente a 11,9 meses de vendas, segundo o indicador de Vendas sobre Oferta (VSO).
“Os dados consolidados de janeiro reafirmam a resiliência e a maturidade do setor. O Minha Casa, Minha Vida continua sendo o pilar de volume do mercado, com funding garantido pelo FGTS e taxas de juros definidas, propiciando escala no acesso à moradia, enquanto o Médio e Alto Padrão, mais impactado pelo cenário de juros elevados, demonstra uma recuperação importante na oferta de novos projetos”, afirma o presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras, Luiz França.
Para ele, o ritmo de lançamentos indica confiança do setor no médio e longo prazo, mas exige previsibilidade nas fontes de financiamento. “A alta de quase 20% nos lançamentos em 12 meses é um sinal claro de que os incorporadores confiam na demanda de longo prazo e na estabilidade das regras do setor. Para que isso se mantenha, é fundamental garantir que os recursos do FGTS continuem sendo aplicados em habitação, saneamento e infraestrutura. Liberar parte do saldo para pagamento de dívidas de curto prazo é preocupante, com efeitos diretos sobre o crescimento, arrecadação e geração de empregos no país”, conclui.
*Com informações Abrainc





