ARACAJU/SE, 27 de maio de 2024 , 4:08:19

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‘Morrer é ridículo’: leia carta de sobrinha para médico morto no RS

 

A sobrinha do médico Leandro Medice, de 41 anos, escreveu uma carta para o tio nas redes sociais após receber a notícia que o profissional de saúde morreu enquanto prestava ajuda ao Rio Grande do Sul. Em depoimento, Amanda Medice, de 22 anos, escreveu que eles tinham planos que não vão mais acontecer.

Leandro estava no Sul do país como voluntário , dedicando seu tempo e conhecimento para ajudar as vítimas das recentes chuvas que assolaram a região. Ele foi encontrado morto em um abrigo, levantando suspeitas de mal súbito como causa do óbito.

Além de sobrinha, Amanda era afilhada de Leandro e chamada de filha pelo médico. No aniversário da jovem, ele fez uma publicação parabenizando a sobrinha: “gosta das mesmas coisas que eu, e não gosta das mesas coisas também… rs Eu te amo! Conte sempre comigo! Minha menina!”.

Leia na íntegra a carta de Amanda

Morrer é ridículo.

Você combinou o que iríamos almoçar na semana seguinte, está com planos de reformar sua casa, está preocupado com contas, com várias ideias para o instituto… e do nada, pela manhã, morre. Como assim??? E os e-mails que você não leu? sua toalha molhada no varal? suas roupas para lavar? o instituto para limpar? os pacientes? a nossa família? Você passou mais de 10 anos estudando, se profissionalizando… fez fisioterapia, medicina, se especializou em cardiologia, intensivista, transplante capilar… De uma hora pra outra, tudo termina num infarto no meio da tragédia que você foi ajudar no Rio Grande do Sul.
Morrer é uma loucura. Te obrigada a sair da festa na melhor hora, sem se despedir de ninguém, sem ter um último abraço ou um último “te amo”. Dindo, meu amor, éramos tão iguais e nunca me imaginei escrevendo isso para você… para sempre serei sua filha, sua cópia!
Eu te amo além da vida,
com amor, sua filha do coração,
Amanda.

Amigo o encontrou morto

“No Dia das Mães, estava difícil conseguir alguém para se deslocar, mas ele se dispôs imediatamente a ir. Operou no sábado até 23h e saímos direto para o aeroporto. Chegando lá, o abrigo tinha 1.600 pessoas, 500 crianças, mais uns 200 cachorros. Estava eu, Leandro, uma colega que veio do Recife e mais duas empresárias que foram conosco. Nós fizemos atendimento direto e durante o dia a gente trabalhou feliz”, conta o médico Carlos José Cardoso ao g1. Foi ele quem chamou Leandro para a missão no Rio Grande do Sul.

Na segunda-feira (13) de manhã, seria mais um dia de trabalho dos médicos, porém, Leandro não acordou.

“Ele já estava cansado, mas normal, conversando. Ele foi dormir do meu lado. Pela manhã, fui acordá-lo cedo, mas tive dificuldade no primeiro momento, mas só achei que ele estivesse cansado. Umas 6h30, voltei e toquei a mão dele, estava um pouquinho morno, mas como entrava um vento gelado, achei que fosse por causa disso. Quinze minutos depois, voltei e realmente achei muito estranho ele não ter acordado. Na hora que eu fui tocá-lo, ele já estava frio, já tinha falecido e não tinha muito tempo, porque às 4h eu ouvi o ronco dele”, disse Cardoso.

O Samu foi acionado e o corpo do médico foi levado até o Instituto Médico Legal (IML) de Porto Alegre. O marido do médico, o acupunturista João Paulo Martins, e a irmã de Leandro reconheceram o corpo.

Nas redes sociais, a mãe do profissional disse que o filho teve um infarto fulminante.

A viagem de Leandro Medice para ajudar as vítimas das chuvas foi organizada por ele mesmo, em conjunto com amigos médicos. O grupo saiu em um jato particular, ansioso para contribuir positivamente para a comunidade afetada. Leandro estava atendendo vítimas no domingo (12), mas, depois, não apareceu no ponto de encontro.

Ele atuava nas áreas de Fisioterapia, Odontologia e Medicina, com especialização em Cardiologia. Além disso, Medice trabalhou como intensivista e dedicou parte de sua carreira ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Nos últimos anos, especializou-se em estética capilar.

Fonte: IG

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