ARACAJU/SE, 19 de junho de 2024 , 3:30:55

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Prefeitura não repassa verba para o HC e põe em risco a vida pacientes

Da redação, AJN1

Durante o ano de 2017, a direção do Hospital de Cirurgia (HC) suspendeu os procedimentos cirúrgicos eletivos por três vezes aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), e os motivos sempre são os mesmos: falta de repasse, por parte da Prefeitura de Aracaju, via Secretaria Municipal de Saúde (SMS), inviabilizando o funcionamento do hospital, que não tem condições de honrar com diversas despesas, entre elas, a Cooperativa de Anestesiologistas (Coopanest). As parcelas municipais em aberto ultrapassam os R$2,6 milhões.

Segundo a direção do HC, o contrato que o hospital tem para atender aos pacientes do SUS é com a Prefeitura de Aracaju. “Os recursos são oriundos de verbas federais, estaduais e uma parte municipal. A Prefeitura, nos últimos meses, está repassando as parcelas federal e estadual, mas não está honrando a que lhe cabe”, diz o diretor-presidente do hospital, Milton Santana.

Sem os recursos, o HC está com os serviços suspensos desde o último dia 1º de novembro e o que se vê, por trás da inadimplência municipal, é o sofrimento dos pacientes que dependem desse tipo de serviço: são mais de 600, sendo que, desses, 60 estão internados no HC, e a fila dos enfermos aguardando para serem transferidos ultrapassa 180. De acordo com Milton, estão reservados somente os procedimentos em caráter de urgência e emergência.

Boletim de Ocorrência

Diante da situação calamitosa, a direção do HC prestou ontem (15), em pleno feriado da Proclamação da República, um Boletim de Ocorrência contra a SMS e hoje (16) levou para o Ministério Público a lista de pacientes que estão aguardando cirurgias.

Milton lamenta a situação e informa que não está medindo esforços para que a unidade hospitalar volte à normalidade em breve. “A SMS alegou que não tinha condições de fazer o pagamento. Todo mês, eles dizem que lançam tal dia e não pagam. Na reunião da última segunda-feira (16), o Ministério Público solicitou aos hospitais filantrópicos, inclusive o Cirurgia, que protocolasse a lista de pacientes que estão aguardando transferência no Huse, a lista dos que estão internados e os eventuais óbitos que venham ocorrer por conta da suspensão desse serviço. Tivemos que registrar um Boletim de Ocorrência, porque estamos lidando com vida de pessoas que estão aguardando cirurgias de urgência e emergência e, por conta da falta de pagamento, o HC, prestador único de vários desses serviços de alta complexidade, está sem condições de oferecer esse serviço”.

Demissão em massa

Milton comunicou ainda que os médicos da UTI do HC irão pedir demissão em massa, caso o pagamento não seja efetivado. “Eles vão pedir demissão, sim. Mas conversei com alguns deles para esperar até o dia de hoje. Eles estão avaliando”, revelou.

O presidente do Sindicato dos Médicos de Sergipe, João Augusto, está acompanhando o imbróglio de perto. “O alerta de demissão em massa existe e nós estamos de olho no caso. Mas só vamos nos manifestar após a PMA se explicar publicamente”.

Defesa

A SMS diz que o Boletim de Ocorrência registrado pela direção do HC é uma tentativa de criminalizar as ações da Prefeitura. Para esclarecer todos os pontos referentes aos pagamentos realizados ao Hospital de Cirurgia desde o início do contrato, de 2015 até hoje, a SMS agendou para às 10h30 desta sexta-feira (17), uma coletiva de imprensa, ocasião em que a secretária Waneska Barbosa responderá todas as indagações.

 

Atualizado às 18h para correção de informação. 

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