Pretos e pardos representam 78,9% da população sergipana

Da redação, Joângelo Custódio

Neste sábado, dia 20 de novembro, será celebrado o Dia da Consciência Negra em todo o Brasil. A data, que faz referência à morte de Zumbi, o então líder do Quilombo dos Palmares, situado entre os estados de Alagoas e Pernambuco, na Região Nordeste do Brasil, vai além de uma singela homenagem à figura simbólica de um povo, traz à luz questões importantes como o racismo e a desigualdade, os quais, de forma abjeta e patética, continuam impregnados na tez da sociedade brasileira.

Os livros do sociólogo, historiador e ensaísta Gilberto Freyre, e do antropólogo Roberto daMatta ensinam que a sociedade brasileira foi construída por meio da escravidão e que, por mais que melhorias e mudanças na legislação tenham acontecido, a falta de oportunidades para a população negra ou parda ainda evidencia fortes desigualdades sociais e raciais.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tendo 2019 como ano de referência, no Brasil, 9,4% se declararam da cor preta, e 46,8% da cor parda, enquanto 42,7% da cor branca. Na somatória entre pretos e pardos, a porcentagem chega a 56,2%, representando a maior parte da população brasileira.

Em Sergipe, 9,9% dos sergipanos se declararam da cor preta; 20,3% da cor branca e 69% da cor parda, ou seja, pretos e pardos também representam a maior parcela da população: 78,9%.

Emprego e rendimentos

Dados da PNAD-C “Outros rendimentos” apontam que das 803 mil pessoas ocupadas em Sergipe com 14 anos ou mais de idade, 70% são pardas, 19,7% brancas e 9,8% são pretas. Em Sergipe, o rendimento médio mensal das pessoas com 14 anos ou mais de idade foi de R$ 1.837 em 2020. Esse rendimento é maior na comparação com 2019, que foi de R$ 1.660. Percebe-se uma clara distinção de rendimentos na análise por cor ou raça, assim como por sexo e nível de instrução.

Enquanto uma pessoa preta tem um rendimento médio de R$ 1.522, uma pessoa branca pode ter um rendimento de R$ 2.940. Isso acontece também na análise por sexo, já que a média de rendimento entre homens é de R$ 1.962, diante de R$ 1.658 entre mulheres. Em 2019, 20,7% das mulheres pretas ou pardas estavam desocupadas, diante de 13% das mulheres brancas.

Taxa de analfabetismo

A Taxa de analfabetismo de pessoas com 15 anos ou mais de idade é superior na população preta ou parda (14,2%), do que na população branca (13,5%). As disparidades aumentam com a elevação da idade, já que 40,2% das pessoas pretas ou pardas com 60 anos ou mais são analfabetas, diante de 31,3% das pessoas brancas.

Violência em relação às mulheres negras

Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019 apontou que 20,8% da população preta afirmou ter sofrido algum tipo de violência, diante de 16,4% da população branca e 25,8% da população parda. Em relação à violência psicológica, além de ela ser mais incidente entre mulheres (25,9%) do que entre os homens (21,7%), também é mais comum na população preta (25,3%), do que na população branca (20,9%).

Proporção de pessoas pretas ou pardas eleitas em Sergipe

Conforme o IBGE, com base no ano eleitoral de 2018, na Câmara Federal, 37,5% disseram ser pretas ou pardas; na Assembleia Legislativa do Estado, 45,3% disseram ser pretas ou pardas. Em ambos os cargos, havia mais de 66% de candidatos pretos ou pardos. Com relação a prefeitos, 58,9% são pretos ou pardos; no legislativo municipal, 72,3% dos vereadores são pretos ou pardos.