Professores das redes estadual e municipal paralisam atividades por 24h

Da redação, AJN1

Os professores das redes estadual e municipal cruzaram os braços por um período de 24h nesta quarta-feira (20). A categoria cobra do governador Belivaldo Chagas mais valorização profissional e reajuste salarial. A paralisação foi deliberada durante assembleia realizada no último dia 13 de fevereiro.

Os protestos foram divididos em dois atos: o primeiro teve início às 8h, em frente à Secretaria de Estado da Educação, da Cultura e do Esporte (Seduc). À tarde, os professores tanto da rede estadual quanto das redes municipais se unem na Praça General Valadão, no Centro da Capital, a partir das 14h.

“Esse é mais um momento em que nós professores não podemos esmorecer da luta. Seja ela para garantir conquistas do magistério, mas também para não perder direitos, como é o caso da reforma da previdência”, aponta a professora Ivonete Cruz, presidenta do Sindicatos dos Professores de Sergipe (Sintese).

Ivonete explica que na rede estadual o magistério cobra a aplicação do reajuste de 4,17% e também a continuidade na recuperação da carreira. A presidente ainda fez uma retrospectiva de como se deu o reajuste do piso desde o ano de 2012, onde o Governo só reajustou (em 22,22%) para o Nível Médio.

“Nos anos de 2013 e 2014 reajustou para todos os níveis. E desde 2015 o que o governo do Estado tem feito é reajustar o Nível Médio e para os demais níveis faz uma conta de chegar, ou seja, quem tem o vencimento inicial abaixo do valor, o governo faz um complemento. Só em 2018, após três paralisações, o governo negociou o início da retomada da carreira em 15% (o que no contracheque variou entre 6% e 15%)”, diz a sindicalista.

Redes municipais

Com relação ao reajuste na esfera municipal, o Sintese afirma que fez o contato (via ofício) com as administrações municipais para negociar. “Até o momento, 17 municípios negociaram o reajuste do piso de 2019. Desses, seis (Siriri, Rosário do Catete, Capela, Pirambu, Riachuelo e Nossa Senhora da Glória) já pagaram no salário de janeiro. Os demais (Propriá, São Cristóvão, Telha, Santo Amaro, Canhoba, Japaratuba, Tobias Barreto, Estância, General Maynard, Boquim, São Miguel do Aleixo e Divina Pastora) irão pagar nos salários de fevereiro. O sindicato está em negociação e espera que mais municípios cumpram a lei do piso”, afirma a presidente.

Reforma da previdência

Os professores explicam que são contra a reforma da Previdência porque, sendo a categoria, a proposta do governo Bolsonaro consegue ser pior que a de Temer. “No caso do magistério, o aumento na idade e tempo de contribuição fará com que a professora (que responde hoje por 85% da categoria) tenha que trabalhar, no mínimo, 10 anos a mais que hoje. Precisamos fazer o enfrentamento a essa proposta, a previdência não é deficitária. Querem colocar na conta do trabalhador e da trabalhadora a grande dívida dos empresários”, aponta Roberto Silva dos Santos, vice-presidente do Sintese.

Atualmente o professor para se aposentar precisa ter no mínimo 55 anos de idade e 30 anos de magistério. Para a professora a conta é: 50 anos de idade e 25 anos de magistério.

No texto divulgado, afirma o Sintese, a idade para os professores seria de 60 anos, ou seja, as professoras teriam que trabalhar 10 anos a mais do que hoje.

O que diz o Governo

Em nota, a Seduc entende que toda a manifestação é legitima, mas que paralisação neste momento de reordenamento da matrícula irá prejudicar alunos e pais. Também informa que vem dialogando com a categoria dos professores, prova disso foi a retomada da Carreira do Magistério a partir de 1º de dezembro de 2018, com a aplicação de 15% no escalonamento, o que representa um ganho real aos professores de aumento nominal de até R$855,88, promovendo a valorização dos níveis: graduação, especialização, mestrado e doutorado.

A Seduc destaca ainda que estuda os efeitos da aplicação do Piso Nacional Salarial dos professores sobre a hierarquização da sua carreira, dado ao esgotamento da capacidade do Fundeb em financiar a folha salarial do magistério e dos demais profissionais lotados nas escolas.

Mesmo assim, informa que nenhum professor de nível superior em regência de classe da Rede Estadual recebe abaixo do piso nacional, ou seja, um valor de R$ 3.643,74.