ARACAJU/SE, 3 de março de 2024 , 19:04:47

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Substituição de carne por dieta vegetariana exige orientação e planejamento

 

Uma das práticas que tem se tornado mais comum entre os que buscam uma melhoria da alimentação é a substituição da carne, principalmente a bovina e a suína, por uma dieta vegetariana ou vegana, com prioridade para o consumo de frutas, verduras e legumes e outros alimentos que não sejam de origem animal. Esta mudança vem sendo feita pelos mais variados motivos, mas é um processo que exige planejamento, informação e orientação de nutricionistas.

 

Em alguns casos, a redução ou substituição da carne vermelha pode ser indicada por recomendação médica, quando há situações de doenças cardiovasculares, controle de dislipidemias e outras doenças crônicas. “O consumo excessivo de carne vermelha está associado a problemas de saúde e portanto o consumo deve ser sempre moderado para quem o faz”, pontua a nutricionista Surya Costa Escobar, professora e preceptora do curso de Nutrição da Universidade Tiradentes (Unit), ressaltando que, “de modo geral, parar o consumo completamente não é uma recomendação específica para nenhuma situação”.

 

Em outros casos, essa mudança acontece  por motivos religiosos ou por adesão a causas ligadas aos direitos dos animais. Enquanto a alimentação vegetariana interrompe parcialmente os produtos de origem animal, mantendo o consumo de ovos e/ou laticínios, a dieta vegana exclui tudo o que for de origem animal, inclusive em aspectos como vestuário, calçados, cosméticos, etc.

 

Surya esclarece que a dieta vegetariana, quando bem executada, está associada a menores riscos de doenças crônicas como as cardiovasculares, hipertensão arterial e alguns tipos de câncer. “No entanto, o sucesso dela depende de uma boa adequação qualitativa e quantitativa da mesma maneira que uma dieta onívora. De maneira geral, é saudável aquele hábito que tenha essa qualidade, esse equilíbrio, independente de ser vegetariana ou onívora”, destaca.

 

Ainda de acordo com a professora da Unit, a carne vermelha é uma fonte rica em proteínas de alto valor biológico, completas em todos os aminoácidos essenciais, e tem micronutrientes importantes para a prevenção de casos de anemia, como o ferro e a vitamina B12 (esta encontrada apenas em alimentos de origem animal). Ela alerta que o baixo consumo de proteína pode trazer anemia, redução de células sanguíneas, células do sistema imunológico e perda de massa magra.

 

“A retirada das carnes ou dos alimentos de origem animal de maneira geral, exigem uma readequação no consumo de outros grupos vegetais ricos em proteína como as leguminosas, os cereais e as oleaginosas. Essa adequação precisa ser em quantidade suficiente e em combinação entre eles. Além disso, é muitas vezes necessária a suplementação de micronutrientes como ferro e B12. O ideal é fazer o acompanhamento bioquímico destes por exames de sangue. Para dietas estritas a suplementação de B12 é mandatória já que apenas alimentos de origem animal são fontes dessa vitamina”, detalhou Surya.

 

Orientações

 

As orientações e informações para uma transição segura e planejada podem ser encontradas em sites de entidades oficiais dedicadas ao tema, como a Sociedade Vegetariana Brasileira e a Associação Brasileira de Veganismo. Surya Escobar ressalta ainda que o nutricionista é a melhor opção para quem busca uma orientação mais específica e individualizada. E que hoje existe um número considerável de profissionais que são veganos ou vegetarianos e que se especializaram no tema.

 

A professora diz ainda que é possível equilibrar a alimentação e deixá-la saudável mesmo se alimentando com carne vermelha. Segundo ela, a ciência considera que tanto a dieta vegetariana e vegana como a onívora podem ser consideradas saudáveis, desde que sejam de maneira equilibrada em termos qualitativos e quantitativos. “O importante é considerar que o indivíduo tenha a possibilidade de escolher fazer ou não esse consumo. E, ao optar por consumir ou não alimentos de origem animal, ter uma orientação para que consiga ter saúde dentro da sua escolha. As pessoas precisam ter liberdade de escolha e acesso à informação”, conclui ela.

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