ARACAJU/SE, 27 de maio de 2024 , 3:38:36

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Título de zona livre da febre aftosa sem vacinação em SE reforça qualidade do rebanho bovino

 

Os pecuaristas em todo o estado comemoram a erradicação da febre aftosa em Sergipe. Agora, o território sergipano é considerado zona livre da doença sem vacinação. A conquista foi alcançada graças ao esforço do Governo do Estado, que tem conduzido, ano a ano, diversas campanhas para vacinar o rebanho, além de prestar assistência contínua aos criadores. A política é executada pela Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento e da Pesca (Seagri), via Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro).

A vacinação atualmente em curso, que termina ainda neste mês de abril, é a última antes do encerramento das campanhas. Depois disso, em função da erradicação, a ação periódica será suspensa. Este processo é o estágio mais recente e bem-sucedido de uma história iniciada há cerca de 30 anos, quando um forte movimento de combate à doença se instalou em Sergipe. Naquele momento, a febre aftosa ameaçava o gado e o avanço da pecuária não só no estado, mas em todo o Brasil. Há 28 anos, Sergipe não registra nenhum foco de aftosa.

“O Ministério da Agricultura e Pecuária já emitiu a portaria que torna Sergipe livre da febre aftosa sem vacinação. Mas, por exigência do ministério, precisamos fazer uma última vacinação, que foi antecipada de maio para abril. Até o dia 30, pequenos, médios e grandes criadores de Sergipe, de bovinos e bubalinos, terão que vacinar o seu rebanho contra a febre aftosa. Não haverá prorrogação”, explica o presidente da Emdagro, Gilson dos Anjos.

Com a medida, as casas agropecuárias do estado ficam proibidas de comercializar a vacina contra a febre aftosa a partir de 1º de maio, seguindo determinação do ministério. Quanto aos pecuaristas, o prazo para declarar a última vacinação vai até 10 de maio. “Aqueles que não aplicarem a vacinação ou não a declararem, estarão proibidos de transitar com seu gado dentro de Sergipe e para fora do estado. É um prejuízo enorme, porque eles não mais conseguirão emitir a GTA, que é a Guia de Trânsito Animal. Além disso, terão que pagar uma multa de R$ 64,03 por cabeça, valor da UFP [Unidade Fiscal Padrão]”, destaca Gilson.

Pecuaristas

A erradicação da febre aftosa é, ainda, um mérito dos pecuaristas sergipanos. O fazendeiro Edson Prata tem contato com a criação de animais desde a infância, herança de seu avô e de sua mãe. Ele é proprietário da Fazenda Japaratuba, em Nossa Senhora das Dores, onde cria cerca de mil cabeças de gado de corte. Também é dono de uma fazenda na Bahia, além de outras propriedades em Sergipe, em municípios como Cumbe, Capela e Aquidabã. Sua produção abastece todo o estado. Hoje, vacinando seu rebanho pela última vez, Edson destaca a importância do selo ‘livre de aftosa’.

“É um ganho imensurável. O criador de bovinos e bubalinos, a partir de maio, não mais vai ter despesa com a febre aftosa. Nem com a compra da vacina, nem com a logística de contratar profissionais para aplicá-la. Também é bom para a visão do mercado brasileiro no exterior, porque é uma garantia a mais para o comprador da nossa carne ou do boi vivo. É um selo de qualidade, e quem ganha são os produtores. Tudo isso é fruto de um trabalho muito bem-feito do Governo de Sergipe, da Seagri, da Emdagro e do Governo Federal, com as campanhas. E também do pecuarista e do trabalhador rural, que faz seu dever de casa”, resume Edson Costa.

O fazendeiro destaca, ainda, a importância da agropecuária para o desenvolvimento econômico do estado. “Aconselho a todos aplicar essa última vacinação, para garantir a liberdade que teremos agora. O setor agro gera emprego e renda. O trabalhador rural cada vez mais se especializa, qualifica e foca em uma só função, para que a produção seja a melhor possível. No Brasil e em Sergipe, a pecuária é excelência”, frisa.

De acordo com Gilson dos Anjos, a parceria entre Governo de Sergipe e pecuaristas fez com que a vacinação no estado registrasse índices acima de 90% ano após ano. “No ano passado, conseguimos de 94% a 96%. A vacinação ocorre duas vezes por ano, em maio e em novembro. No mês de maio, se vacinava todo o rebanho, e no mês de novembro, apenas animais de até dois anos”, pontua.

Hoje, Sergipe reúne um rebanho de 1,3 milhão de cabeças de gado, entre bovinos e bubalinos. No sertão sergipano, onde predomina o gado leiteiro, as raças girolando e holandês são as mais incidentes. No centro-sul, onde o gado de corte é mais abundante, prevalece o zebu, com especial atenção para o nelore. Cabe lembrar que Sergipe é o segundo estado brasileiro em produtividade leiteira. “Isso se deve ao trabalho que a Emdagro faz junto com os criadores de gado de leite no sertão, no manejo genético. Hoje, temos uma única vaca em Santa Rosa do Ermírio produzindo 97 litros de leite por dia, por exemplo”, enfatiza Gilson.

Manutenção

A proibição do uso de vacinas antiaftosa no rebanho em Sergipe segue os moldes do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (Suasa) e do Programa Nacional de Vigilância para a Febre Aftosa (Pnefa). O estado está sintonizado com a meta federal de alcançar o status de país livre da febre aftosa sem vacinação até 2026.

Entre os critérios para se tornar uma zona livre está a realização de concurso público na Emdagro, a criação de um fundo de reserva estadual que sirva de seguro a possíveis incidências futuras da doença e índice de vacinação superior a 90%. Todas essas exigências já foram cumpridas. Além disso, é necessário que se crie um fundo de reserva privado pelos produtores, que vem sendo gerenciado pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Sergipe (Faese).

“São mais de dois anos seguindo o Plano Nacional, implantando todos os sistemas e processos, passando por discussões e auditorias, para que a gente alcançasse o status de zona livre de febre aftosa sem vacinação. Agora, é muito importante que o produtor rural colabore nessa última vacinação e que possamos chegar ao máximo índice possível. É uma somação de esforços em que o Governo do Estado faz sua parte, junto com o Governo Federal e nós da Faese, representando a cadeia produtiva. É uma medida histórica para o nosso estado e para o setor, trazendo segurança alimentar para quem consome os nossos produtos e também segurança sanitária para Sergipe”, comenta o presidente da Faese, Ivan Sobral.

Para que Sergipe permaneça como zona livre de aftosa, o trabalho do Governo de Sergipe, dos pecuaristas e de instituições do setor prossegue. “A gente não pode permitir que rebanhos de outros estados que entram aqui passem sem a nossa fiscalização. Estamos fazendo um inquérito e coletando o sangue de animais para exames. Se porventura for detectado algum foco, temos uma equipe treinada e capacitada com veículos e equipamentos para tomar as providências devidas de imediato. Então, Sergipe vai estar vigilante o tempo todo para que nenhum foco entre aqui no nosso estado”, garante Gilson dos Anjos.

Fonte: Secom

 

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