ARACAJU/SE, 21 de junho de 2024 , 23:23:41

logoajn1

Venda de imóveis residenciais pode repetir alta do ano passado

 

A venda de imóveis residenciais, como casas e apartamentos, ganhou um bom impulso com as medidas que reaqueceram a economia brasileira no ano passado. Segundo dados apurados pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), as 20 principais construtoras e incorporadoras do país conseguiram vender mais 163,1 mil unidades em todo o ano de 2023, o que marcou uma alta de 32,6% em relação a 2022. O valor das vendas também cresceu e chegou a R$ 47,9 bilhões, representando alta de 34,7% no mesmo período.

As vendas foram puxadas principalmente pelo programa Minha Casa Minha Vida, do governo federal, que favorece o financiamento de casas e apartamentos para famílias com renda de até R$ 9 mil – e subsidia imóveis para as com renda de até 1,8 mil. No ano passado, as unidades vendidas cresceram 42,2%, somando 117,4 mil, e o valor faturado foi 55,1%, batendo a marca dos R$ 26 bilhões. Por outro lado, os imóveis de médio e alto padrão (MAP), voltado para clientes de maior poder aquisitivo, tiveram quase 43 mil unidades vendidas, perfazendo uma alta de 14%, mas geraram um faturamento de R$ 21,1 bilhões, com alta de 18,9%.

“O emprego está em um bom nível, a inflação está controlada e a taxa de juros está em queda. Tudo isso contribui para o reaquecimento do mercado de imóveis”, resume o economista e professor Rodrigo Rocha, dos cursos de Administração, Ciências Contábeis e Pós-Graduação lato-sensu da Universidade Tiradentes (Unit), referindo-se a fatores como o crescimento do emprego e do acesso ao crédito.

Em 2023, 1,48 milhão de empregos com carteira assinada foram criados no Brasil, ao mesmo tempo em que o PIB (Produto Interno Bruto) cresceu 2,9% e fechou o ano em R$ 10,9 trilhões, um pouco menos que os 3% do ano anterior, mas mantendo a sequência de crescimento. Pesou também a queda dos juros da taxa Selic, do Banco Central, que teve seis cortes seguidos desde agosto de 2023: de 13,75% ao ano, ela passou para os atuais 10,75%.

Rodrigo acrescenta que, além das melhorias na conjuntura econômica, o mercado de imóveis residenciais também é impulsionado por um antigo e tradicional desejo que o brasileiro sempre teve historicamente: ter a casa própria. “Sempre que o mercado cria as condições necessárias para a realização deste sonho, os consumidores aproveitam a oportunidade. Nesse momento de aquecimento, muitos investidores também aproveitam para comprar imóveis na planta e lucrar com a valorização dos imóveis, ao longo do tempo de construção do empreendimento. E quando medidas são tomadas para aperfeiçoar os instrumentos de aquisição de imóveis, os consumidores respondem positivamente”, analisa.

Ainda de acordo com o professor da Unit, a tendência de crescimento do mercado imobiliário pode se manter em 2024, pois a expectativa é de que os juros continuem caindo e haja um bom nível de emprego, com inflação sob controle. “Se este cenário se confirmar, a tendência é de que realmente as vendas cresçam”, disse ele.

A dança dos valores

Comprar uma casa como investimento, visando formar patrimônio ou gerar renda com a cobrança de aluguel, tem sido uma opção igualmente seguida por quem já tem um bom dinheiro guardado. No entanto, o movimento de valorização e de desvalorização dos imóveis segue um ritmo diferente das outras formas de investimento. Ele pode levar em conta fatores urbanos, como as condições de segurança, mobilidade, limpeza e acesso ao comércio e serviços, mas, em geral, prevalecem fatores econômicos, como a falta de interesse dos possíveis compradores, que podem levar à diminuição dos preços das casas e apartamentos em determinados bairros.

Rocha explica que, na economia, sempre vale a máxima da oferta e da procura. “Quando muitos donos de imóveis querem vender, por razões diversas (por exemplo, pessoas que estão trocando de imóvel ou precisando vender rápido para usar o dinheiro em outro objetivo), mas não existe muita gente com as condições de comprar os imóveis ofertados (alta taxa de endividamento das famílias, alto nível de desemprego, inflação e taxa de juros, por exemplo), ocorre desvalorização e o inverso é verdadeiro, ou seja, se tem muita gente em condições comprar, sem grandes variações na oferta, o preço cai”, detalha.

O economista alerta que comprar um imóvel é uma questão que exige reflexão e uma decisão analisada especificamente para cada caso. “A aquisição de um imóvel para morar gera muitas despesas para aquisição e manutenção. Se o consumidor tiver as condições financeiras adequadas e o desejo do imóvel próprio, a melhor decisão provavelmente será a aquisição. Mas se o objetivo é comprar para investir para alugar ou vender após a possível valorização, podem ter outras oportunidades de investimento mais vantajosas no mercado financeiro”, orienta Rodrigo.

Fonte: Asscom Unit

Você pode querer ler também