Vizinho relata demora do Corpo de Bombeiros para conter incêndio em madeireira

Da redação, Joângelo Custódio
“Eu vi o início das chamas e os Bombeiros demoraram mais de quarenta minutos para chegar ao local”. A queixa é de Luiz Carlos Pereira, de 62 anos, dono de uma loja de autopeças no bairro Santo Antônio e que fica vizinha à Serigy Madeiras, estabelecimento que ruiu após incêndio iniciado por volta das 18h50 dessa segunda-feira (11).
Por sorte, ninguém se feriu e a loja de Luiz Pereira não sofreu danos, mas ele não esconde a insatisfação por parte da ação “inerte” do Corpo de Bombeiros Militar (CBM-SE). Para ele, mais um minuto demorado, o fogo poderia se espalhar por todo o quarteirão, situado entre os bairros Santo Antônio e Centro.
“Liguei para o Corpo de Bombeiros e eles disseram que eu tinha que ligar primeiro para o Ciosp [Centro Integrado de Operações em Segurança Pública]. Como vou ligar para o Ciosp se eu já eu estou avisando que tem um incêndio de grandes proporções? Mesmo assim, me pediu para avisar ao Ciosp. Ligamos e eles só chegaram cerca de 40 minutos depois, e só ficaram olhando o incêndio sem fazer nada. Disseram que tinham que ligar para a Energisa para cortar a energia e só depois disso iniciar os trabalhos”, relata Pereira.
O empresário disse ainda que um dos oficiais dos Bombeiros perguntou onde tinha um hidrante mais próximo. “Eu disse que ficava perto da avenida João Ribeiro. Aí me disseram que o incêndio maior estava do outro lado da rua, na rua Airton Teles. Mais uma hora se passou e os Bombeiros não tinham iniciado os trabalhos para conter as chamas, eles esperavam um carro tanque da Petrobras. Depois chegaram vários carros pipas para ajudar, e por volta de onze ou meia noite, as chamas foram debeladas. Fiquei apavorado”, conta.
Posicionamento do CBM
A AJN1 entrou em contato com a Capitã Emanuela, responsável pela comunicação do CBM. Ela rebate as declarações de Luiz Antônio. De acordo com a oficial, o tempo de atendimento e a chegada da viatura ao local foi de apenas oito minutos. “Temos registro de entrada no Ciosp às 18h59. E às 19h07 já estavam no local”.
A Capitã disse ainda que, em qualquer corporação do CBM, existe um plano de emergência para pedir apoio a outros órgãos quando existe problemas de grandes proporções. “Foram utilizadas sete viaturas nossas, inclusive, uma bi tanque com capacidade de 40 mil litros. Para não precisarmos sair do local para reabastecer, foi necessário pedir apoio a carros-pipas que faziam o transporte da água, sem a necessidade do bombeiro sair da cena, além de poder manter a vazão e pressão com as nossas viaturas no local”, explica ela, ao frisar que as chamas foram debeladas por volta das 22h, e não perto de meia noite como fora narrado pelo empresário.
Esta reportagem perguntou a Capitã se a corporação tem o mapeamento dos hidrantes espalhados pela cidade, e a resposta foi sucinta. “Sim. Na região do Centro tem vários pontos estratégicos com hidrantes”.
Dificuldade de acesso
Mais cedo, o comandante geral do CBM-SE, o coronel Gilfran Mateus, concedeu entrevista coletiva e disse que houve dificuldade de acesso à edificação, já que não havia ninguém no local e todas as portas estavam trancadas.
“Nós tivemos muita dificuldade de entrar, pois ela estava totalmente fechada. Isso prova que o incêndio começou internamente e se alastrou porque não tinha ninguém que pudesse fazer um primeiro combate. Quando chegamos ao local, o incêndio já estava em uma dimensão significativa, tivemos dificuldade, mas conseguimos controlar evitando que se propagasse para as edificações vizinhas”, afirma o comandante.
Ele disse ainda que as guarnições do Quartel do Comando Geral (QCG), Socorro, Itabaiana e do Posto Avançado (Praia) deram apoio para combater o incêndio. Os bombeiros também contaram com a ajuda de outros órgãos: Polícia Militar, Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT), Petrobrás e a Prefeitura Municipal de Aracaju.
Perícia
O trabalho da perícia para apurar as possíveis causas do ocorrido ainda não foi iniciado, pois, até às 16h desta terça-feira (12), ainda havia pequenos focos de chamas e um calor intenso dentro da edificação, assim como brasas e ferros retorcidos. “Isso prejudica o início do nosso trabalho de perícia, devemos começar assim que tivermos condições de adentrar o local em segurança e retirar alguns materiais que foram queimados. Ainda estamos fazendo o trabalho de rescaldo e tendo sempre que ficar controlando as chamas, para evitar que esse fogo se propague novamente e aumente sua dimensão”, diz o comandante.










