Em sua estratégia de ampliar o braço de educação, a XP fechou a aquisição de 100% do Instituto de Gestão em Tecnologia da Informação (IGTI), faculdade de ensino a distância focada nas áreas de tecnologia e inovação. O valor da transação não foi revelado.
Com isso, a XP entra no mercado de ensino superior. Até então, o grupo atuava com cursos livres voltados a temas relacionados à educação financeira. Há ainda uma parceria com o Ibmec em MBAs para pós-graduação, mas nesse caso a XP opera como um canal de distribuição. Hoje, a XP tem 82 mil matriculados nesses cursos.
É a primeira vez que o grupo financeiro faz uma aquisição da área de educação. “É o maior investimento feito pela XP na área de educação. Passaremos a ter 122 mil alunos”, disse Paulo de Tarso, presidente da XP Educação, cargo que assumiu há duas semanas, após dez anos na Cogna.
“Queremos nos tornar um ecossistema que forma talentos para a XP e outras empresas. Lá fora, já há empresas como Amazon e Google atuando em educação. Não são apenas as edtechs que são disruptivas, as empresas já consolidadas, que têm conexão com o mercado de trabalho podem contribuir muito porque sabem as demandas”, disse.
Dos 122 mil alunos que a XP Educação passa a ter, 40 mil estão vindo do IGTI que trabalha com um modelo distinto de cursos. A faculdade tem um programa de assinatura, com custo mensal de R$ 69, que permite aos estudantes fazer vários micro cursos e ao obter as respectivas certificações eles podem usar essa carga horária para abater de um MBA, cujo custo é de cerca de R$ 6 mil. Segundo Tarso, os cursos têm alto nível de exigência e apenas 35% dos alunos conseguem obter os certificados.
A oferta da graduação começa em 2022 com três cursos nas áreas de tecnologia, que obtiveram autorização do MEC neste ano. Outros três estão em processo de análise da pasta.
Segundo Tarso, a meta da XP Educação é ter 1 milhão de alunos dentro de cinco anos, o que significa aumentar em cerca de dez vezes a base atual. Para atingir essa marca, a estratégia é ter alunos da própria faculdade XP, mas voltada à base e meio da pirâmide, e por meio de parcerias com empresas que pagam capacitação aos seus funcionários e com outros grupos educacionais como fornecedores de material didático, edtechs e também concorrentes diretos como a própria Kroton.
“Hoje, já somos um canal do Ibmec, que atende um público com renda maior, distinto do que pretendemos atender. Queremos ser um ecossistema e podemos ter parceria sendo um canal, inclusive, com Kroton”, disse Tarso, que era presidente da Platos, empresa da Cogna que presta serviços de gestão para o mercado.
Fonte: Valor Econômico







