- 16/04/2018 - 15:30

Feitos homem e mulher

 

Pe. Everson Fontes Fonseca,

Administrador da Paróquia Nossa Senhora da Conceição do Mosqueiro

 

 

O prescrito pelos Mandamentos é perene, tendo em vista que provém da Lei Eterna. Daí, os ensinamentos da Santa e Única Igreja do Senhor, a “Mãe, Mestra e Senhora Católica”, serem imutáveis, porque, como Corpo Místico de Cristo, não pode trair o querido pelo seu Divino Fundador e Legislador, principalmente no tocante à fé e à moral. E, por que deste ressalto na abertura do artigo de hoje? Para esclarecer que, por mais que o mundo se deixe guiar pelas tentações do pecado, na tentativa de impetrar no coração humano o contrário ao que o Criador inscreveu como verdadeiro, fruto de modismos tendenciosos, sempre e apenas serão válidos para a realização integral da pessoa humana os critérios de viver a capacidade e a responsabilidade do amor e da comunhão como respostas à vocação dada por Deus para a santidade.

 

Ao instituir o Sacramento do Matrimônio, afastando, assim, o desafeto que mina o amor familiar, o Senhor foi bastante enfático ao reprisar – tanto para os seus interlocutores quanto à nós – o plano original de Deus: “Desde o princípio, quando Deus os criou, ‘formou-os homem e mulher. Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe e se unirá a sua mulher; e os dois serão uma só carne’ (cf. Gn 2,21). Assim, não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o homem o que Deus uniu” (Mc 10,6). Desta maneira, além de sacralizar como amor a atração natural entre homem e mulher, elevando-a a Sacramento, fala da indissolubilidade do Matrimônio e de como Deus se vale da família para renovar a criação.

 

Criados homem e mulher para que, cada sexo, pela naturalidade de sua afetividade que une corpo e alma, amem-se, procriem, se vinculem em comunhão, sempre se há de levar em absoluta consideração a sua identidade sexual, entendida à luz da bênção divina, que se ordena para o Matrimônio. Daí o Catecismo da Igreja Católica afirmar: “Cada um dos dois sexos é, com igual dignidade, embora de modo diferente, imagem do poder e da ternura de Deus. A união do homem e da mulher no matrimônio é um modo de imitar na carne a generosidade e a fecundidade do Criador […] Desta união procedem todas as gerações humanas” (n. 2335). Com tal citação, já vemos repelidas as teorias desumanas do machismo, do feminismo, da ideologia de gênero, das práticas homossexuais e afins, por não se enquadrarem como salutares reflexões da sexualidade humana.

 

É, principalmente, na ética da moral sexual católica que vemos conjugadas a lei natural e Lei divina, esta última conhecida por nós pela revelação, que se apresenta, em Jesus Cristo, como proposta única de salvação. E São João Paulo II, nas suas catequeses sobre a Teologia do Corpo, nos dizer: “O ser humano, a quem Deus criou ‘homem e mulher’, carrega a imagem divina impressa no seu corpo ‘desde o princípio’; homem e mulher constituem duas formas diferentes do humano ‘ser corpo’ na unidade daquela imagem” (Audiência Geral de 02.01.1980).

 

Ainda nos proporemos a tratar mais sobre o sexto mandamento. No nosso próximo artigo, deveremos falar sobre a vivência da castidade e as possíveis ofensas que lhe maculam. Até lá!