- 09/01/2018 - 16:46

O Nome do Senhor

“Quando se completaram os oito dias para a circuncisão do menino, deram-lhe o nome de Jesus, como fora chamado pelo anjo antes de ser concebido” (Lc 2,21). Muito embora este recorte do Evangelho de Lucas não diga explicitamente que fora a Virgem Maria a nomear Jesus, a sua leitura faz-nos recordar a maneira a qual o Arcanjo Gabriel se reportou a Virgem Santíssima: “Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus” (Lc 1,31).
Sabemos que, somente após o fiat – o ‘sim’– dado por Maria, é que Jesus, que já tinha espaço no coração daquela que seria a Sua Mãe, ganha corpo, sendo concebido no seio puríssimo da mesma Virgem Santíssima. Cronologicamente, só após a aceitação daquela que lhe fora prometida como esposa, é que São José, ao receber o anúncio de sua missão de pai adotivo do Menino, tem a revelação de Seu sublimíssimo Nome: “Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo de seus pecados” (Mt 1,21). O interessante é notar que, ao contrário do que acontece com Maria, onde lhe é revelada a grandeza da Criança que lhe haveria de nascer, para José é dita a carga que o Santíssimo Nome, Jesus, portaria em si: Yeshuá : Deus Salvador (cf. Mt 1,21). Daí, São Cirilo dizer, em comentário: “Salvador, porque foi dada a luz para salvação de todo o mundo”. Na luz de Deus, que é Cristo, encontramos a luz da liberdade frente às trevas do pecado, tal como Zacarias, pai de João Batista, cantou no Benedictus , em referência a Jesus (cf. Lc 1,78-79).
O Divino Nome de Jesus, imposto por Maria porque ela recebeu da boca de Deus, é testemunho de Sua dupla natureza: humano-divina; é prova inequívoca da filiação de Jesus: filho de Maria, Filho Eterno de Deus. Outra prova de que esta imposição do nome de Jesus por parte de Maria é sinal da autoridade discreta da Virgem sobre o seu Unigênito está no fato de que nunca, na Sagrada Escritura, José conversou com Aquele que adotou. Na passagem da perda e reencontro do Infante Jesus no Templo de Jerusalém, somente lhe trava diálogo a Sua Mãe; antes mesmo, porém, desse episódio, quando da predição do velho Simeão, na apresentação do Menino e na purificação ritual daquela que é toda pura e bela, as palavras do velho dirigem-se exclusivamente a Jesus e a Maria. E por que desta autoridade de Maria sobre Jesus: simplesmente porque ela é Sua Mãe? Não. Por causa da autoridade que Deus, por primeiro, sempre exerceu no coração da Beatíssima Virgem, achando na sua fidelidade um perfeito exemplo de obediência dócil: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38). Se é que existe: Maria possui sobre Deus uma autoridade de serva.
Santo Afonso Maria de Ligório, em comentário acerca do Santíssimo Nome de Jesus, dirá que ele é luz, alimento e remédio: “Este grande nome – diz-nos Santo Afonso – é comparado pelo Espírito Santo como azeite: ‘O teu nome é como azeite derramado’ (Ct 1,2). […] pois assim como o azeite dá luz, alimento e cura, também será o nome de Jesus: é luz para o espírito, alimento para o coração e medicina para a alma. É luz para o espírito [porque] converteu-se o mundo das trevas da idolatria para a luz da fé. Em segundo lugar, o nome de Jesus é um alimento, que nutre os nossos corações. E de fato, porque este nome nos recorda o que Jesus tem feito para a nossa salvação. Por isso este nome nos consola nas tribulações, fortalece-nos para seguirmos o caminho da salvação, anima-nos nas desconfianças e abrasa-nos em amor pela recordação de que o nosso Redentor tem padecido para nos salvar. Finalmente, este nome é medicina para a alma, porquanto nos torna fortes contra as tentações dos nossos inimigos. O inferno treme e foge ao ouvir a invocação deste santo Nome, segundo nos afirma o Apóstolo: ‘Ao nome de Jesus se dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos’ (Fl 2,10). Quem jamais se perdeu, depois de ter invocado nas tentações o nome de Jesus? Perde-se quem não chama Jesus em seu auxílio, ou deixa de invocá-lo quando da tentação contínua”.
Nos braços da Virgem Santa Maria está Aquele que tem por nome Jesus, Deus Salvador; Jesus, luz; Jesus, alimento; Jesus, remédio. Acorramos em direção a Maria e, nela, indubitavelmente, encontraremos o Senhor, porque ela é a Mãe da nossa Esperança: Ele, Jesus, é a nossa Esperança.