- 02/10/2017 - 16:09

A Sempre Virgem Maria

Na reflexão acerca dos dogmas marianos iniciada em nosso último escrito – A Imaculada Conceição de Maria –, não poderíamos deixar de acenar para a verdade que afirma: Maria é sempre virgem.
Quando da leitura do Evangelho de São Lucas, temos o único exemplar da Sagrada Escritura que, diretamente, trata Maria como virgem (cf. Lc 1,26-27). O que não desautoriza a Santa Igreja Católica – e nós com ela – a dizer, inequivocamente esta verdade de fé. Sim, porque, tal como já afirmamos em outras ocasiões, a Palavra de Deus não se estampa somente nas letras das Escrituras, porque igualmente a Tradição Apostólica e o Magistério da Igreja Católica, juntas transmitem o único Depósito de Fé dado pelo Verbo Eterno, Jesus Cristo, aos Apóstolos e seus sucessores legítimos, os bispos.
Dizer que Maria é virgem é recorrer a argumentos verazes do início da vida da Igreja, como asseveram todos os símbolos da fé, em suas variadas formulações, no decorrer da pública profissão do que a ‘Mulher Católica’ sempre creu. Daí estampar-se na sua expressão mais arcana (a mesma que se arraigou nos corações e nos lábios dos cristãos desde a era apostólica até aos nossos dias): Jesus Cristo, “nasceu da Virgem Maria”. Muito embora a Igreja nunca tivesse duvidado da integridade virginal de sua Mãe, Modelo e Senhora, não poucos, na confusão de seus palpites infundados (e até deturpados!), ousaram contrariá-la, negando este dado mariano de fé, que, antes de mais nada implica ao poder de Deus e à Sua providencial ação na vida de Maria por causa dos méritos de Cristo. E se as vozes dos adversários à pureza virginal de Maria ressoaram, com maior eloquência, ao longo dos séculos, foram aqueles que nunca se deixaram convencer pelo erro das heterodoxias, principalmente na época Patrística. Por exiguidade deste espaço, trago a lume somente três grandes mestres – dentre tantos – que sustentaram (porque, primordial e piamente, creram) sobre este fato.
Iniciemos com Santo Agostinho, que muito se dedicou a manifestar, que Maria “é virgem antes do parto, no parto e depois do parto”; e ainda: “Cristo nasceu com efeito da Mãe que embora sem contato com varão concebeu intacta, e sempre intacta permaneceu, concebeu virgem, dando à luz virgem, virgem morrendo, embora fosse desposada com o carpinteiro, extinguiu todo orgulho da nobreza carnal”; e mais: “Uma virgem concebe, virgem leva o fruto, uma virgem dá à luz e permanece perpetuamente virgem”. Porque, dizia: “Só a virgindade pôde decentemente dar à luz Àquele cujo nascimento não houve outro igual”. Junta-se ao pensamento do Santo Bispo de Hipona, os argumentos de outros dois: São Gregório Nazianzeno (a quem livremente citamos) revela-nos que a Santíssima Virgem era tão amante da virtude de sua virgindade, que, para conservá-la, estaria pronta, caso houvesse necessidade, de renunciar a dignidade de ser Mãe de Deus, porque entendia que a atitude de permanecer virgem diz da sua consagração inteira ao Ser Divino; São Jerônimo, refutando o herege Helvídio, acentuava: “Dizes que Maria não foi sempre Virgem; mas eu vou mais longe e afirmo que também José permaneceu virgem por causa de Maria”.
A proclamação foi, final e solenemente, pronunciada pela Igreja quando do Sínodo de Latrão (no ano de 649), contra a heresia monotelista (que apregoava que na Pessoa do Filho só havia uma natureza, onde a humana foi absorvida pela divina): “Se alguém não professa, de acordo com os santos Padres, em sentido próprio e verdadeiro, Mãe de Deus a santa sempre virgem imaculada Maria, já que ela, em sentido próprio e verdadeiro, no fim dos séculos, sem sêmen, concebeu do Espírito Santo e sem corrupção gerou aquele que foi gerado por Deus Pai antes de todos os séculos, Deus Verbo, permanecendo inviolada também depois do parto a sua virgindade, seja condenado” (Cân. 3). Após esta definição, os cristãos, instruídos pela Mãe e Mestra Católica, sentiram-se contemplados em sua convicta devoção. E até mesmo os ditos ‘reformadores’, João Calvino e Martinho Lutero, nunca negaram o fato de Maria ser sempre intacta; muito pelo contrário, defendiam-na.
Que o exemplo de doação plena a Deus dado por Sua e nossa Mãe possa inspirar-nos na permanência da nossa pureza interior. Que, na virgindade perpétua de Maria, os jovens sejam sinais para o mundo imerso nos valores eróticos, despertando nas consciências que a castidade é um dom dado por Deus para o alcance da santidade.