ARACAJU/SE, 15 de maio de 2026 , 3:06:57

Atuação feminina na imprensa sergipana é tema de pesquisa em escolas

 

Revelar a participação feminina na imprensa sergipana do século XIX a partir da investigação de jornais sergipanos publicados entre os anos de 1850 e 1900. Este é o objetivo da pesquisa “Mulheres na Imprensa Sergipana no Século XIX”, realizada por estudantes das primeiras séries do ensino médio do Colégio Estadual Professor José Franklin (CEPJF), na Barra dos Coqueiros, e no Centro de Excelência Governador Djenal Tavares de Queiroz (CEGDTQ), em Aracaju.
A pesquisa é contemplada pelo Edital nº 02/2022, realizado através de parceria entre a Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (Fapitec/SE) e a Secretaria de Estado da Educação e da Cultura (Seduc).
A coordenadora do projeto e professora de História, Adinagruber da Conceição Lima, explica que o objetivo da pesquisa é refletir sobre a questão de gênero. “Enquanto professoras pesquisadoras, vimos a necessidade de direcionar a reflexão e pesquisa sobre a participação feminina nos jornais sergipanos para o ensino básico, tornando relevante a discussão contemporânea sobre a participação feminina na sociedade, conectando presente e passado a partir de fonte histórica local”.
Entre os resultados obtidos na pesquisa foram identificadas algumas das primeiras sergipanas que escreveram para a imprensa sergipana no século XIX, entre elas: Ophelia, Diana Mali e Helena Amália e Ignez D’ Horta. “Também através desta pesquisa conseguimos atingir nosso objetivo no sentido de inserir nossos discentes na iniciação científica ao permitir que entrassem em contato com a pesquisa histórica de jornais do século XIX”, acrescenta Adinagruber.
Sergipanas na imprensa]
“Ainda avançaremos na pesquisa para encontrarmos informações sobre quem eram essas mulheres. Encontramos na Hemeroteca da Biblioteca Nacional, até o momento, três jornais com participação feminina em suas produções. ‘O Leque’, que se identifica como órgão das moças, foi produzido em Aracaju pela Gazeta de Sergipe – apresenta quatro páginas e duas colunas, contendo oito sessões, todas elas destinadas a destacar a mulher. Não é um periódico escrito somente por mulheres, o que era comum à maioria dos jornais desse período, muitos deles eram dirigidos por homens”, explica a professora.
A coordenadora ressalta que ‘O Leque’ apresentava poesias que colocavam em evidência a representação feminina da época. “Algo que nos chamou a atenção em seu conteúdo foi à reafirmação do papel social imposto à mulher naquela sociedade, com a delimitação de papeis definidos e sua subalternidade. A descoberta dessa fonte nos possibilitou dar visibilidade a mulheres que durante muito tempo foram negligenciadas pela história”, conta Adinagruber.
Através do site da BNDigital, foram identificados outros jornais, como ‘A Ortiga’, também produzido em Aracaju, que aparece com a designação “defensória de literário, crítico e noticioso”. A pesquisa constata que o dono do jornal, Manoel B. da Silva, abriu espaço para mulheres escreverem em seu periódico
“‘A Ortiga’ apresentava cinco sessões diversificadas e a que nos chamou atenção foi a sessão escrita por Ignez D’ Horta, única mulher que escreveu para o jornal. Na ‘Definição do homem’, escrita por Ignez, ela oferece um olhar de ataque ao gênero masculino, possivelmente apresentando uma visão feminista”, avalia a professora e coordenadora do projeto.

Outro veículo foi o periódico ‘A Tulipa’, um jornal impresso na cidade de Estância durante os anos de 1879 a 1880. “Com a designação inicial de ‘Consagrado ao Belo Sexo’, o jornal tinha publicações de poesias que apresentava a mulher

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