ARACAJU/SE, 15 de maio de 2026 , 0:31:36

“Câncer não é uma sentença de morte”, afirma oncologista

No último sábado, dia 4 de fevereiro, foi celebrado o Dia Mundial do Câncer. Com o tema ‘Por cuidados mais justos’, a campanha, liderada pela União Internacional para Controle do Câncer (UICC), objetiva pensar em medidas capazes de oferecer equidade no acesso ao cuidado oncológico.

Visando conscientizar a população sobre os temas associados à doença e, paralelamente, ampliar o entendimento sobre as causas e como evitá-las, assim como os avanços no diagnóstico, o Sindicato dos Médicos do Estado de Sergipe (Sindimed-SE) conversou com o oncologista Thiago Menezes Costa, do Hospital Universitário, em Aracaju.

De acordo com o dr. Thiago, com base no relatório do Instituto Nacional do Câncer (Inca), a estimativa para Sergipe, este ano, é de 6.450 casos. Desses, a maioria é de pele não melanoma, com 2.080 casos, seguido do câncer de próstata, com 870 casos, e do câncer de mama, com 570 casos. O Brasil deverá registrar 704 mil novos casos de câncer para cada ano do triênio 2023-2025.

“A gente sempre pega essas datas para chamar a atenção dessas moléstias que tanto afligem a população mundial. O câncer é a segunda causa de morte das pessoas. É uma doença que está no dia a dia das pessoas e está, na maioria dos casos, associado ao envelhecimento da população e às mudanças de hábitos que todos vêm se submetendo”, destaca o médico.

Muitas pessoas ainda associam o diagnóstico de câncer como o fim da vida, mas o dr. Thiago é taxativo ao afirmar que “estar com câncer não significa uma sentença de morte” e que “o diagnóstico precoce aumenta em 90% as chances de cura”.

Conforme o Inca, a maioria dos casos de câncer está associada a causas externas. As mudanças provocadas no meio ambiente pelo próprio homem, os hábitos e o estilo de vida podem aumentar o risco de diferentes tipos de câncer. Apesar de o fator genético exercer um importante papel na formação dos tumores, são raros os casos de câncer que se devem exclusivamente a fatores hereditários, familiares e étnicos.

Vertentes e principais tipos

“A gente atua no tratamento de câncer praticamente em três vertentes. A primeira é a prevenção, chamando a atenção para evitar maus hábitos que aumentam chances de câncer, a exemplo do tabagismo, que não está apenas associado ao câncer de pulmão, mas aos cânceres de esôfago, cavidade oral, laringe, bexiga, intestino, estômago. A gente chama a atenção para a prática de atividade física, combate à obesidade, uma alimentação saudável. Outra coisa importante é o uso do protetor solar, que evita a maior causa de incidência de câncer no mundo todo, que é o câncer de pele. Por sorte, o câncer de pele, no caso do não melanoma, é o mais incidente e não mata tanto”, diz.

Outra medida de prevenção, segundo o oncologista, é tomar vacinas que evitam certos tipos de infecções virais. “A rede de saúde pública tem programas de vacinação gratuitas, como a vacina contra o HPV, responsável por 90% do câncer de colo de útero. Esse tipo de câncer, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, é a segunda causa de câncer em mulheres e isso está relacionado ao HPV. Se você tomar vacina que previna essa infecção, você está evitando que você desenvolva o câncer. Também tem vacinação contra a Hepatite B, que também é responsável pelo câncer de fígado. Tudo isso está associado à prevenção”.

A segunda vertente é sobre o diagnóstico precoce de pacientes com câncer. “É normal que o câncer apareça em algum momento da vida. A minoria é relacionada à hereditariedade, e 90% das pessoas vão desenvolver câncer ao longo da vida por outros fatores. Contudo, quando aparecer o câncer, é preciso que o paciente tenha a oportunidade de desenvolver um diagnóstico precoce. É o tratamento na fase inicial que vai determinar a cura desse paciente”, explica.

E como se faz um diagnóstico precoce? “Primeiro, é a educação daqueles pacientes em ter sempre acesso a consultas médicas regulares, de ter sempre um clínico geral que lhe acompanhe, especialmente os homens, porque a mulher, desde cedo, já tem o hábito de ir ao ginecologista. Mas o homem não tem esse hábito”, a Thiago.

Ainda no tocante à detecção precoce, existe um programa de rastreamento, principalmente para câncer de mama, câncer de colo de útero, câncer de colorretal, câncer de pulmão e câncer de próstata, considerados por Thiago como os tipos mais recorrentes.

Depois da prevenção e diagnóstico precoce, vem o acesso ao tratamento de forma integral, um grande gargalo, na opinião do médico. “Feito o diagnóstico, a gente precisa dar acesso a esses pacientes para tratamento adequado, seja por cirurgia, por radioterapia ou quimioterapia, sendo esses os tratamentos contra o câncer, principalmente por doenças localizadas. Depois do diagnóstico de câncer, é preciso fazer o tratamento imediato, mas nós sabemos dos problemas de acesso a esses tratamentos”, afirma.

Tratamento

O tratamento do câncer hoje é multidisciplinar e envolve diversas áreas e grandes avanços tecnológicos. A quimioterapia tradicional aliou-se à terapia alvo-molecular. Mais eficiente, tem efeito apenas sobre as células tumorais, causando menos efeitos colaterais. Já os novos aparelhos de radioterapia permitem direcionar o feixe radioativo apenas aos tumores, muitas vezes menores que 1cm, desenhando o campo tumoral a ser irradiado. Assim, as células dos tecidos normais vizinhos ao tumor são poupadas dos efeitos da radiação. Também cirurgia menos invasivas, que ajudam na recuperação do paciente.

“Temos avanços com relação à quimioterapia, com drogas menos tóxicas, diferenciadas e com uma taxa de sucesso muito satisfatória. A mesma coisa com a radioterapia e as cirurgias”, conta.

Vá ao médico com periodicidade

Por fim, o oncologista faz questão de chamar a atenção da população para que vá, com periodicidade, ao médico e não tenha medo de um possível diagnóstico, já que a doença tem cura.

“Chamamos a atenção da sociedade, porque é uma doença cada vez mais incidente. Mas ao mesmo tempo em que é mais incidente, com as medidas de promoção, de detecção precoce e com tratamentos eficazes, a gente alcança a cura na grande maioria desses pacientes. Não tenha medo de ir ao médico, para que ele possa tomar várias medidas e orientações para que você não chegue a desenvolver nenhum tipo de doença fatal. Se detectada de forma precoce e tendo acesso aos tratamentos, é possível ficar curado e com vida longa”, finaliza.

 Câncer

Segundo o Inca, o câncer é o nome dado a um conjunto de mais de 100 doenças que têm em comum o crescimento desordenado de células, que invadem tecidos e órgãos. Dividindo-se rapidamente, estas células tendem a ser muito agressivas e incontroláveis, determinando a formação de tumores, que podem espalhar-se para outras regiões do corpo.

Os diferentes tipos de câncer correspondem aos vários tipos de células do corpo. Quando começam em tecidos epiteliais, como pele ou mucosas, são denominados carcinomas. Se o ponto de partida são os tecidos conjuntivos, como osso, músculo ou cartilagem, são chamados sarcomas.

Outras características que diferenciam os diversos tipos de câncer entre si são a velocidade de multiplicação das células e a capacidade de invadir tecidos e órgãos vizinhos ou distantes, conhecida como metástase.

Da assessoria Sindimed-SE. 

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