Se ainda há dúvidas de como será o Carnaval deste ano, uma certeza é que essa grande festa nacional está associada ao consumo de álcool. Não importa se a folia será no barzinho, em clubes ou até mesmo em casa, a probabilidade de fazer uso exagerado de bebida alcoólica é alta. Mas, esse não é o único risco e para alertar os foliões, o CISA – Centro de Informações sobre Saúde e Álcool, referência nacional no tema, aponta outros perigos relacionados ao uso de álcool nesta época:
1. Da ressaca ao coma alcoólico: uma das consequências mais comuns do consumo abusivo de álcool é a ressaca, que pode durar de 8 a 24 horas. Ela não tem cura, mas seus sintomas podem ser aliviados. No entanto, cuidado com remédios milagrosos que prometem desintoxicar o fígado ou acelerar a metabolização do álcool, pois eles podem ter efeito contrário, sobrecarregando ainda mais o funcionamento do órgão. Outra preocupação é com a ingestão em volumes muito elevados de álcool, pois podem provocar confusão mental, dificuldade de manter-se acordado, vômitos, convulsões, dificuldade de respirar, diminuição da frequência cardíaca e resfriamento do corpo, condições que podem levar a pessoa até mesmo ao coma alcoólico.
2. Uso de bebidas alcoólicas sem procedência: “o consumo de bebidas falsificadas e/ou fabricadas com matéria-prima imprópria para ingestão e com teor alcoólico superior ao permitido por lei é extremamente perigoso e traz consequências sérias à saúde, como crises renais em curto prazo, mesmo quando ingeridas sem excesso”, destaca o psiquiatra, Arthur Guerra, presidente do CISA. Por isso, desconfie de bebidas com preços muito baixos, procure comprar de estabelecimentos comerciais de confiança e cuidado redobrado com bebidas com cheiro muito forte de álcool, que pode ser um indicativo de irregularidades. Alerta também para as novidades, como geladinhos alcoólicos e bebidas que têm como apelo alto teor alcoólico.
3. Uso concomitante com energético: prática comum entre menores de idade e jovens adultos, a combinação álcool e energético potencializa o risco de arritmia cardíaca e está associada ao consumo excessivo de álcool, a dirigir alcoolizado e ao comportamento sexual de risco. “Muitos dos ingredientes dos energéticos ajudam a ‘mascarar’ o sabor do etanol das bebidas alcoólicas, tornando mais doce e palatável, o que contribui para o aumento do consumo. Além disso, a cafeína presente no energético aumenta a euforia causada pela bebida e reduz a sensação subjetiva de embriaguez, fazendo a pessoa sentir e pensar que está ‘menos alcoolizada’ do que verdadeiramente está”, explica Mariana Thibes, coordenadora do CISA.
4. Consumo de álcool por menores de 18 anos: com as promoções de bebidas alcoólicas comuns nessa época e as vendas online, pais e responsáveis devem redobrar o cuidado para evitar a compra por menores de 18 anos, assim como os estabelecimentos comerciais, uma vez que a venda, oferecimento e entrega de bebida para esse público é crime previsto em lei. “Adolescentes são mais sensíveis aos efeitos neurotóxicos do consumo de álcool, o que pode comprometer o desenvolvimento cerebral e afetar funções cognitivas, como aprendizado, memória e impulsividade”, reforça Guerra.
5. Álcool e direção: nas últimas semanas, os casos fatais envolvendo essa combinação estão mais frequentes na mídia, o que reforça a importância da conscientização, fiscalização e penalização. “O álcool compromete a capacidade de direção, diminuindo os reflexos e a tomada rápida de decisões. Isso acontece mesmo com a ingestão de pouca quantidade, o que dirá quando esse consumo é exagerado. Portanto, álcool e direção, nem com moderação. Quem assume o volante, assume a responsabilidade de não ingerir qualquer quantidade de álcool”, alerta Guerra.
Para aproveitar a folia sem prejudicar a saúde, o CISA orienta quem decidir consumir álcool que se alimente bem antes e durante o consumo de álcool e também intercale a água ou outra bebida não alcoólica. Lembrando que gestantes, menores de 18 anos, motoristas, pessoas que fazem uso de medicação e com problemas com álcool, não devem ingerir nenhuma quantidade de bebida alcoólica.
Sobre o CISA
O Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA) é uma das principais referências no Brasil sobre este tema e desde sua fundação, em 2004, vem contribuindo para a conscientização, prevenção e redução do uso nocivo de bebidas alcoólicas. Qualificada como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), a instituição dedica-se ao avanço do conhecimento na área, atuando na divulgação de pesquisas e dados científicos com linguagem acessível, na produção de materiais e conteúdos educativos e no desenvolvimento de outros projetos, como a publicação “Álcool e a Saúde dos Brasileiros”, um levantamento inédito que anualmente traz análises exclusivas sobre o uso de álcool no Brasil e seu impacto na saúde da população. Acesse nossos canais no YouTube, Instagram, Facebook e Twitter e junte-se a nós na missão de reduzir o uso nocivo de álcool.







