ARACAJU/SE, 15 de maio de 2026 , 1:02:42

Cenário econômico desfavorável ainda influencia consumidores na escolha por “lembrancinhas”

Agência Jornal de Notícias
Joângelo Custódio

 

A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Aracaju já anunciou que espera um aumento acanhado nas vendas do Natal deste ano, algo em torno de 2% a 3%, não mais que isso.

 

O desemprego e a insistente crise econômica que vêm desenhando incertezas e dias tenebrosos aos milhares de brasileiros foram as principais causas dos problemas financeiros dos consumidores, especialmente os funcionários públicos que tiveram os salários e o 13º parcelados.

 

Diante da desordem, o jeito é contar as pratas que sobraram no bolso e fazer dos presentes, outrora robustos, lembrancinhas palatáveis.

 

Recém desempregado, José Sales Silva, de 30 anos, trabalhava no Distrito Industrial do município de Nossa Senhora do Socorro. Ele vai usar o seguro desemprego para comprar umas lembrancinhas, mas apenas para pessoas mais próximas. “Mãe, esposa e filho. Só! A grana tá curta e já estou à procura de emprego. Nada de presente caro. Quero gastar, no máximo, cem reais nos três presentes”, avisou ele, com ar de preocupação.

 

Quem não está nada satisfeita com a atual conjectura econômica a qual o Estado atravessa é a aposentada Maria das Graças, 66. Ela, que vem recebendo o aposento atrasado, já disse que esse ano não comprará presentes para os netos. Para não passar em branco, distribuirá doces. “Se o governo pagasse em dia, eu teria tempo de planejar. Mas não dá, tô é pagando juros de cartão. Aos netos, darei doces”, prometeu a vovó.

 

A universitária Julia Cabral está com dúvidas se gasta o dinheiro do estágio com presentes ou se guarda para viajar na virada de ano. Ela, assim como centenas de “filhos da crise”, está receosa. “Não sei. Queria comprar uns perfumes, mas penso na viagem. Não sei se vou comprar. Acho que não vou ganhar muitos presentes esse ano e também não vou presentear. Até amanhã eu vejo o que faço”, disse, levando consigo a indecisão.

 

Vilão

 

Como já havia revelado ao AJN1, o presidente da CDL, Breno Barreto, reiterou que os atrasos e parcelamentos de salários por parte das prefeituras e do governo do Estado, e, inclusive, de algumas empresas particulares, são os maiores vilões para o esperado crescimento minguado nas vendas deste ano.

 

“Esses fatores decisivos vão dar o sucesso ou não das vendas de Natal. Os consumidores estão esperando o dinheiro entrar na conta para poder gastar. Mas estão recebendo dinheiro atrasado, aí ninguém compra. Considero esse atraso como o maior vilão. Esse sobressai mais que o aumento do dólar e até mesmo a inflação”, afirma Breno.

 

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