ARACAJU/SE, 15 de maio de 2026 , 2:45:27

CEO demite funcionários e posta foto chorando na internet

 

Braden Wallake, um CEO de 32 anos, teve que fazer sua primeira demissão, de funcionários de sua startup de marketing, a HyperSocial. Ele comentou que tentou evitar diminuir a equipe. Antes do desligamento, cortou o próprio salário e fez outros ajustes no negócio. Mas, ainda assim, teve que demitir 2 de seus 17 funcionários. Aparentemente, ficou mal com a ação que teve que tomar, tanto que publicou um texto no LinkedIn acompanhado de uma foto sua, chorando. O post dizia o seguinte:

“Esta será a coisa mais vulnerável que eu vou compartilhar. Eu fui e voltei atrás para ver se postava isso ou não. Tivemos que demitir alguns de nossos funcionários. Vi muitas demissões nas últimas semanas no LinkedIn. A maioria delas é devido à economia, ou qualquer outro motivo. O nosso? Minha culpa. Tomei uma decisão em fevereiro e fiquei com essa decisão por muito tempo. Agora, eu sei que minha equipe vai dizer que ‘nós tomamos essa decisão juntos’, mas eu nos conduzi a isso. E por causa dessa falha tive que fazer hoje a coisa mais difícil que já tive que fazer. Sempre fomos um negócio orientado a pessoas. E sempre seremos. Em dias como hoje, eu gostaria de ser um empresário movido apenas pelo dinheiro, que não se importasse com quem ele machuca ao longo do caminho. Mas eu não sou. Então, eu só quero que as pessoas vejam que nem todo CEO por aí é insensível e não se importa quando tem que demitir pessoas. Tenho certeza de que existem centenas e milhares de outros como eu. Aqueles sobre os quais não se fala muito. Porque eles não demitiram 50, 500 ou 5.000 funcionários. Eles demitiram 1 ou 2 ou 3. 1 ou 2 ou 3 que ainda estariam aqui se melhores decisões tivessem sido tomadas. Eu sei que não é profissional dizer aos meus funcionários que eu os amo. Mas do fundo do meu coração, espero que eles saibam o quanto eu faço. Cada história. Cada coisa que os faz sorrir e cada coisa que os faz chorar. Suas famílias. Seus amigos. Seus passatempos. Eu sempre contratei pessoas com base em quem elas são como pessoas. Pessoas com grandes corações e grandes almas. E não consigo pensar em um momento mais baixo que este.”

O post de Wallake rapidamente se tornou viral no LinkedIn. São mais de 51 mil reações ao texto, e mais de 9 mil comentários – nem todos de solidariedade. “Isso parece autoindulgente e um pouco inautêntico”, disse um comentarista. “Talvez você pudesse ter feito o post sobre as pessoas que suas decisões impactaram, em vez de sobre você.”

“Se meu chefe tivesse postado uma foto dele chorando por ter que me demitir eu ficaria com raiva”, disse outro.

Mas comentários e mensagens de apoio também chegaram de colegas executivos e outros que o elogiaram por mostrar vulnerabilidade e humanidade.

“Obrigado por compartilhar isso e restaurar minha fé no mundo dos negócios novamente”, disse um dos comentaristas do post.

“Quando vejo este post – vejo um cara que está literalmente apenas tentando o seu melhor”, disse outro usuário do LinkedIn. “Esse cara se preocupa com seus funcionários – ele decidiu mostrar um pouco disso on-line. Ele poderia ter marcado os funcionários e dito como eles eram ótimos – claro, mas ele esperava que este post explodisse assim? Provavelmente não.”

Demissões em startups

Com menos dinheiro disponível, maior pressão por resultados e a crise econômica, a startup de Wallake não é a única a demitir. Houve o emblemático caso dos 900 funcionários da startup de empréstimos imobiliários Better demitidos em uma videoconferência.

No Brasil, vimos outros episódios de demissões em startups, menos atrapalhados que o da Better, é verdade, mas também envolvendo uma quantidade relevante de desligamentos. Entre eles, o da Loggi, que cortou 15% do quadro, o da Kavak, que demitiu 100 funcionários em São Paulo depois de fazer cortes no Rio, o do QuintoAndar, que reduziu a equipe em 4%, o da Loft, que já demitiu mais de 500 pessoas este ano, e o do Ebank, que cortou 20% do quadro.

Fonte: Valor

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