DEVASTAÇÃO - 05/06/2019 - 16:09

SE não tem o que celebrar no Dia do Meio Ambiente



Da redação, Joangelo Custódio

Todos os anos, desde 1972, 5 de junho é celebrado como o Dia Mundial do Meio Ambiente, data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) com o singelo objetivo de disseminar atividades de preservação da natureza, além, é claro, de alertar os governos sobre os perigos do negligenciamento da tarefa de cuidar do planeta em que vivemos.

Em Sergipe não há muito o que se comemorar, quando o assunto é preservação ambiental. Isso porque, segundo o Inventário Florestal Nacional (INF-SE) – órgão do Ministério do Meio Ambiente -, restam apenas 13% de cobertura florestal, totalizando cerca de 286 mil hectares dividido entre caatinga (6,2%) e mata atlântica (6,8%). Isto é, o Estado é praticamente “careca” e candidato à desertificação.

De acordo com o estudo, essa cobertura ocorre de forma desigual: 56% dos municípios apresentam entre 1% e 10% de cobertura florestal, enquanto apenas 10 dos 75 municípios sergipanos abrigam metade de toda a área de floresta do estado.

O levantamento identificou também que 20% das florestas de Sergipe estão nas 23 Unidades de Conservação (UCs) existentes no estado. A área protegida total é de 119 mil hectares, o que corresponde a 5% do território, mas pouco menos da metade das UCs – cerca de 57 mil hectares – contém floresta.

Outro dado interessante é que apenas 10 municípios detêm metade dos 13% de cobertura vegetal, sedo que o município de Areia Branca, na região de Mata Atlântica, tem a maior cobertura vegetal do Estado, 42%; e Canindé de São Francisco a segunda maior área, 19%.

De acordo com o engenheiro florestal Elísio Marinho, 28 municípios do semiárido estão em condições iminentes de desertificação. “Além do desmatamento, a irregularidade das chuvas contribui para que a degradação seja ainda mais acentuada em algumas regiões”.

O que diz o Governo

A AJN1 entrou em contato com o superintendente especial de Meio Ambiente e de Recursos Hídricos, Aílton Rocha. Segundo ele, o governo tem realizado diversas ações para conter desmatamentos e preservar nascentes.

“Nestes últimos 10 anos de gestão, podemos destacar a realização do Diagnóstico Florestal, que tem o objetivo de saber quanto se consome de madeira e derivados de madeireira, e não madeireiro, de onde vem, e quanto custa. Criamos e executamos o programa “Preservando Nascentes” e Municípios abraçando o “Adote um Manancial”, com mais de 320 nascentes recuperadas, 45 hectares de mata ciliar nas sub-bacias do rio Piauitinga, que corta os municípios de Lagarto, Boquim, Salgado e Estância; do rio Cajueiro dos Veados, em Malhador; e Siriri Vivo, em Siriri; e Poxim Mirim, em Itaporanga, Areia Branca e São Cristóvão”.

Ainda segundo Aílton, houve implementação de ações de recuperação de áreas degradadas no semiárido. “Realizamos o Inventário Florestal Nacional em Sergipe. Criamos 3 unidades de conservação da Natureza, RVS Mata do Junco e Mona Grota do Angico e ARIE Mata do Cipó, além de fazer a gestão das outras duas (APA Litoral Sul, APA Morro do Urubu). Fizemos o plano de Manejo de duas e estamos fazendo de mais um Plano, todas tem conselho consultivo que ajuda na gestão”.