SALGADO - 12/03/2020 - 18:30

Com aumento do dólar, preço do pão Jacó em Sergipe é reajustado

Foto: Divulgação

Da redação, Joangelo Custódio

Sergipano que se preza, em algum momento da vida já foi à padaria comer pão Jacó, fumegando, seja passado na tradicional manteiga da terra ou simplesmente recheado com queijo coalho. Fato é que ele combina com tudo. Mas a ida à padaria pode ficar mais ‘salgada’. Isso porque o preço do pão Jacó, que em outras regiões do país recebe as alcunhas de ‘Francês’ ou de ‘Sal’, sofreu reajuste e começa a pesar no bolso dos consumidores.

O reajuste varia entre 5% e 10%, percentual que fica a critério dos donos das panificações, como explica o presidente do Sindicato dos Panificadores do Estado de Sergipe, José Rodrigues. “Quem define é o panificador. O preço do dólar está influenciando, o coronavírus também deixou a economia global fragilizada, isso nos deixou sem perspectiva”.  

Como já era de se deduzir, o vilão que puxou esse tormento para a mesa dos sergipanos é a disparada na cotação do dólar, que nesta quinta-feira (12), beira a casa de R$4,786. O leitor deve estar se perguntando o porquê da moeda americana interferir tanto no preço final do pãozinho dourado e crocante. A resposta é coesa: cerca de 70% do trigo – principal ingrediente do pão nosso de cada dia – que o Brasil consome vêm de importação.

De acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), as importações de trigo recuaram em fevereiro, devido à expressiva valorização do dólar frente ao Real e aos preços mais firmes na Argentina – que, vale lembrar, é a principal fornecedora do cereal ao Brasil.

Em fevereiro, o Brasil importou 526,1 mil toneladas de trigo em grão, volume 18,8% inferior ao de janeiro/20 e 13,2% menor que o de fevereiro/19. Desse total, 87,6% tiveram como origem a Argentina, 6,9%, os Estados Unidos, e 4,7%, o Paraguai.

Exportação

Em contrapartida, apenas 30% do trigo são produzidos no Brasil. Os principais moinhos estão localizados no Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e São Paulo.

Dependendo de quanto o dólar subir, esse aumento de preços poderá se tornar generalizado, aumentando a inflação por aqui, contribuindo para a nefasta crise financeira que atola o país.

Preços

Para atender a uma demanda de mais de dois milhões de habitantes, Sergipe possui cerca de 1000 panificações. Na Grande Aracaju pode chegar a 400 padarias, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip)

Em Aracaju, o quilo do pão varia entre R$5, R$7, R$10 e R$15, esse último é praticado, evidentemente, na zona Sul, onde há maior concentração de classes abastadas. Enquanto na zona Norte, há padarias que não vendem a quilo, e sim, por unidade, o que sai mais em conta.

História do pão

Segundo os pesquisadores, é estimado que os primeiros pães tenham surgido há 12 mil anos na Mesopotâmia, onde atualmente está situado o Iraque, juntamente com o cultivo do trigo. A fermentação é o segredo do pão. O pão levedado foi inventado no Egito, onde, há cerca de 6.000 anos, seria descoberta a fermentação.

No Rio de Janeiro, então capital brasileira, cresceu o número de cafés e confeitarias que reproduziam o costume francês de servir com estilo e elegância. E as padarias, que ainda produziam um pão de casca e miolo escuros, começaram a ser solicitadas a reproduzir o pãozinho de casca dourada e miolo branco dos franceses.

No Brasil colônia, os portugueses trouxeram o pão europeu, mais duro e de tonalidade mais escura. Em 1910, os brasileiros descobriram e copiavam tudo que vinha de Paris e na gastronomia não foi diferente. Então, os padeiros, pela descrição dos viajantes, criaram uma receita que passaram a chamar de “pão francês”.

Na verdade, a receita que os padeiros criaram atendeu, sim, às exigências de casca dourada e miolo branco, mas superou as características do pãozinho original, por ser mais macio e saboroso, com o acréscimo de um pouco de açúcar e gordura na massa, dando o sabor brasileiro. Hoje em dia, dizem que o nosso pão francês é um dos melhores do mundo e que alguns estrangeiros nos procuram para copiar a receita do nosso pão “tipo francês”, que eles chamam de “pão brasileiro”.

Ao longo dos anos, o novo pão francês foi ganhando cara e apelidos diferentes em várias partes do país, como Pãozinho, em São Paulo, Pão Massa Grossa, no Maranhão, Cacetinho, no Rio Grande do Sul e Bahia, Pão Careca, no Pará, Pão Média, na Baixada Santista, Pão Jacó, aqui em Sergipe, Pão Aguado, na Paraíba, Pão de Sal ou Pão Carioquinha (Rio de Janeiro e Ceará).