ARACAJU/SE, 18 de maio de 2026 , 12:36:31

Consumo de mel sem procedência pode trazer riscos à saúde, alerta ITPS

 

O consumo de mel contaminado ou adulterado pode provocar alergias, intoxicações e outras complicações à saúde, alerta o Instituto Tecnológico e de Pesquisas do Estado de Sergipe (ITPS). Diante do crescimento da produção no estado, o órgão reforça a importância das análises laboratoriais para garantir a qualidade e a segurança do produto antes da comercialização e do consumo.

Naturalmente produzido pelas abelhas, o mel puro passa apenas por processos de extração, filtragem e envase. Quando manipulado corretamente, mantém propriedades nutricionais e benefícios à saúde. No entanto, a presença de contaminantes, como bactérias, fungos, resíduos de agrotóxicos e metais pesados, pode comprometer o alimento e causar danos ao organismo.

Entre os principais riscos está a bactéria Clostridium botulinum, responsável pelo botulismo infantil. A gerente de atividades técnicas do ITPS, Ana Virginia Figueiredo, alerta que bebês com menos de um ano não devem consumir mel. “Em adultos e crianças maiores, o sistema digestivo já é maduro o suficiente para impedir o desenvolvimento desta bactéria. Já nos bebês, o intestino ainda é imaturo, permitindo que esses esporos multipliquem-se e produzam uma toxina perigosa”, explica.

A coordenadora do Laboratório de Bromatologia do ITPS, Karina Magna Leão, destaca que fungos presentes no mel contaminado também podem provocar irritações respiratórias e reações alérgicas. “As análises são essenciais para prevenir riscos à saúde e são fundamentais para evitar problemas decorrentes do consumo de mel de origem duvidosa”, afirma.

Além da contaminação, a adulteração do produto por meio da adição de açúcar ou amido reduz os benefícios nutricionais e pode prejudicar pessoas que precisam controlar a glicemia. Segundo Karina, identificar alterações apenas pela aparência do produto é praticamente impossível.

“As características como cor e densidade variam bastante, o que dificulta a diferenciação a olho nu entre um produto genuíno e um adulterado. Por isso a importância das análises em laboratórios especializados, como o de Bromatologia do ITPS, para garantir a segurança alimentar da população”, ressalta.

No laboratório, são realizados testes físico-químicos e sensoriais que avaliam composição, sabor, aroma, presença de impurezas e possíveis adulterações. Também são analisados parâmetros como umidade, acidez, teor de açúcares, sacarose e atividade diastásica, seguindo padrões estabelecidos pelo Ministério da Agricultura e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“Esses critérios asseguram para que o consumidor receba um mel autêntico e seguro”, completa Karina.

O crescimento da apicultura em Sergipe tem ampliado a procura pelos serviços do instituto. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o valor da produção de mel no estado chegou a R$ 4,1 milhões em 2024, alta de 144% em comparação aos quatro anos anteriores. No período, Sergipe produziu 192 toneladas de mel, com destaque para municípios como Carira, Frei Paulo, Indiaroba, Japaratuba, Lagarto, Poço Verde, São Cristóvão e Tobias Barreto.

Presidente da Associação de Meliponicultores e Apicultores de Sergipe (Asmase), Ricardo Thairon dos Santos afirma que a parceria com o ITPS tem fortalecido a cadeia produtiva no estado. “No ITPS, essa relação fez com que não só eu, mas outros colegas da associação, buscássemos mais profissionalização, evitando inclusive problemas sanitários aqui em Sergipe”, relata.

Ele também destaca a confiança nas análises realizadas pelo instituto. “Não tenho dúvidas sobre a qualidade dos serviços prestados. O corpo técnico do ITPS nos garante resultados confiáveis, o que reflete diretamente na qualidade do produto que oferecemos. O atendimento foi rápido e recomendo tanto para a população quanto para outros produtores”, afirma.

*Com informações Secom

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