O Arsenal WFC enfrentará o Corinthians na final da Copa dos Campeões Feminina da FIFA 2026™. O clube inglês goleou o ASFAR (Marrocos) por 6 a 0 nessa quarta-feira, 28 de janeiro, na segunda semifinal do torneio – horas depois de o Timão brasileiro derrotar o Gotham FC (EUA) –, e garantiu sua vaga na grande decisão, valendo um título inédito na história do futebol feminino. Ambos os jogos do dia ocorreram em Londres (Inglaterra).
De um lado, estará o tradicional Corinthians, o maior campeão da CONMEBOL Libertadores Feminina com seis conquistas; do outro, o poderoso Arsenal, da Inglaterra, atual vencedor da Liga dos Campeões Feminina da UEFA. Dois gigantes continentais que por muito tempo sonharam em disputar uma competição intercontinental feminina entre clubes para medir forças e definir seus lugares no pódio do mundo.
Embora o Corinthians conte com o apoio de sua Fiel Torcida, que faz todo estádio parecer corintiano, o Arsenal estará, de fato, em casa: a final será disputada no Estádio do Arsenal em 1º de fevereiro. O campeão só será conhecido no domingo, mas o Corinthians já avisou que quer chocar o mundo.
Jogo do Arsenal
Foram quatro gols em 41 minutos no primeiro tempo. Tudo começou aos oito: após cobrança de escanteio, Laia Codina desviou de cabeça para o centro da pequena área e ajeitou para a atacante Stina Blackstenius cabecear para o gol – com auxílio da tecnologia, foi possível constatar que a bola cruzou a linha inteiramente.
Pouco tempo se passou até o segundo gol. Meros quatro minutos depois, Smilla Holmberg fez o cruzamento pela esquerda, Olivia Smith matou a bola na área e deixou Frida Maanum girar e ampliar a vantagem do Arsenal. Aos 21, Mariona Caldentey converteu com categoria um pênalti cometido pelo ASFAR com toque de mão.
Com a vantagem de três gols antes de completar um terço do jogo, o clube londrino respirou. Houve até espaço para perder chances inacreditáveis, como a oportunidade que Blackstenius teve com o gol vazio diante de si aos 25 minutos – ela chutou para fora, mas se consolará com o pensamento de que talvez estivesse impedida no lance.
Nada que impedisse a talentosa jovem Olivia Smith, de 21 anos, de fazer um golaço depois de receber o passe de infiltração de Victoria Pelova, driblar a marcação e chutar da entrada da área aos 41 minutos. O Arsenal desceu para o intervalo com uma goleada parcial de 4 a 0 e um pé na final da Copa dos Campeões Feminina da FIFA.
A partir daí, o segundo tempo foi uma exibição particular de Alessia Russo. É claro que o quinto gol teve grande brilho de Frida Maanum, que driblou a marcação do ASFAR e chutou para grande defesa da goleira Khadija Er-Rmichi, mas Russo pegou o rebote com muita técnica e não perdoou.
Dez minutos depois, aos 31, Caitlin Foord fez o lançamento para Alessia Russo invadir a área pela esquerda, cortar para a direita e fechar a conta com o sexto gol. Uma goleada retumbante que colocou o Arsenal no caminho do Corinthians na grande decisão continental.
Corinthians na final: “Esperei muito por esse momento”, diz Zanotti
O primeiro gol da história do Corinthians Feminino em uma competição oficial da FIFA não poderia ser marcado por outra jogadora. Aos 40 anos, Gabi Zanotti já conquistou praticamente tudo que poderia com o Timão. Mas a lenda da camisa 10 pode ficar ainda maior nesta edição inaugural da Copa dos Campeões Feminina da FIFA™ – e ela já tratou de fazer sua parte para isso.
Nessa quarta-feira (28), foi de Zanotti o único gol na vitória do Corinthians por 1 a 0 sobre o Gotham FC, pela semifinal do torneio intercontinental. Com este resultado, as Brabas da Fiel garantiram seu lugar na final do próximo domingo, em Londres, contra as vencedoras do duelo entre Arsenal e ASFAR.
“Eu cheguei no Corinthians em 2018, esperei muito tempo por esse momento. Hoje eu fui abençoada, a bola sobrou para mim”, destacou Gabi ainda na saída do campo, antes de valorizar o esforço de todo o time.
“Eu queria ressaltar o grupo, o trabalho coletivo que a gente fez hoje. A gente sabe que é início de temporada, que não ia conseguir marcar pressão 90 minutos. Mudamos um pouco a nossa proposta e coletivamente a gente fez um trabalho extraordinário hoje, nossa defesa muito sólida. Todo mundo se doando, jogando como Corinthians, com sangue no olho, tentando fechar cada espaço”.
Foi, realmente, uma partida de muito sacrifício do Corinthians em campo. Acostumado a ser dominante em praticamente todos os seus embates na América do Sul, o time de Lucas Piccinato baixou um pouco mais as linhas e não teve tanta posse de bola contra o Gotham.
Ainda assim, soube ser cirúrgico. A melhor imagem para isso é a jogada do gol, aos 38 minutos do segundo tempo, que veio dos pés de duas das jogadoras mais experientes em campo. Tamires, de 38 anos, cruzou para o domínio e finalização de Zanotti.
“Nossa experiência foi muito importante porque a gente sabia que elas eram muito agudas pelos lados, a velocidade de jogo delas é muito, muito boa, e a gente tinha que anular essas ações”, explicou Tamires, que não escondeu a felicidade pela companheira de time.
“Ela merece muito. Toda a história que ela tem aqui no Corinthians, por tudo que ela vem construindo, por ser uma atleta muito disciplinada. Todos os dias no trabalho, né? O dia a dia mostra porque ela ainda joga em altíssimo nível, ainda faz o que faz e é muito decisiva para o Corinthians. Fico muito feliz por ela e muito feliz também por ter conseguido dar assistência também para ela”.
Apesar de toda essa felicidade compartilhada, Gabi Zanotti sabe que o maior objetivo ainda não foi conquistado. Com 19 títulos vencidos no Corinthians, incluindo sete Brasileiros e cinco Libertadores, a capitã sabe muito bem o tamanho que o troféu da Copa dos Campeões Feminina teria para a história do clube. E ela esperou muito tempo para viver esse momento.
“Nosso objetivo não parou por aqui, esse grupo tem uma mentalidade muito forte e já está pensando lá na frente, no jogo da final. É passo a passo. Vale ressaltar o trabalho coletivo que a gente fez, até as meninas que não entraram e estavam aqui gritando os 90, 100 minutos”, afirmou Zanotti.
“Estou muito feliz. A palavra é realizada. Mas a gente tem mais um jogo ainda”.
Fonte: FIFA






