Com o período de férias e o verão batendo à porta, a realização de atividades ao ar livre aumenta e, consequentemente, os cuidados com a pele precisam ser redobrados para que os momentos de lazer não se transformem em problemas de saúde. Uma das precauções necessárias é a utilização do protetor solar, mas uma dúvida muito comum é sobre qual Fator de Proteção Solar (FPS) deve ser usado.
A médica dermatologista Thâmara Morita, especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e professora de dermatologia do curso de medicina da Universidade Tiradentes, esclarece que essa é uma característica importante, mas não o único cuidado a ser adotado.
“Atualmente, é recomendado o uso de protetor solar com pelo menos FPS 30 para proteção ideal. O FPS, porém, mede apenas a proteção contra raios UVB, não indicando proteção contra UVA, nem contra a luz visível, que também necessitam de atenção. A Academia Americana de Dermatologia recomenda o uso de protetor solar com o rótulo ‘amplo espectro’, pois esses filtros solares têm proteção adicional contra UVA, que é medida por meio do PPD”, explica Thâmara Morita.
Além disso, a dermatologista esclarece que, apesar do protetor solar ser uma boa ferramenta para proteção contra a radiação UV, nenhum bloqueará 100% dos raios ultravioletas. Por isso, outras medidas devem ser tomadas. “Orientamos usar chapéus de abas largas, roupas de proteção solar, procurar sombra e evitar horários entre 10h e 16h e usar óculos de sol”, reforça Thâmara Morita. A aplicação adequada do protetor solar é outro fator crucial para garantir uma proteção eficaz contra os danos causados pelo sol, entretanto, nem sempre as pessoas utilizam a quantidade necessária para cobrir toda a área da pele exposta. “A maioria dos adultos vai precisar de cerca de 30 ml para cobrir todo o seu corpo na espessura apropriada, ou seja, recomenda-se uma colher de chá de protetor solar no rosto, cabeça e pescoço e em cada extremidade superior e duas colheres de chá no tronco e em cada extremidade inferior”, orienta a médica dermatologista.
Alerta sobre bronzeamento
A dermatologista Thâmara Morita também chama a atenção para o bronzeamento artificial, bastante realizado pelas mulheres no período do verão para a conquista das ‘marquinhas”. O bronzeamento tem sido associado ao aumento do risco de melanoma, considerado o tipo de câncer de pele mais agressivo por possuir alta possibilidade de se espalhar para tecidos e órgãos vizinhos. “Um estudo mostrou que em indivíduos com idades entre 25 e 59 anos, o bronzeamento resultou em 74% de risco aumentado de melanoma; O mesmo dano ao DNA induzido por radiação ultravioleta que leva ao bronzeamento também pode levar ao câncer de pele ao longo do tempo”, frisa a especialista.
Câncer de pele
Um em cada três diagnósticos de câncer no Brasil é de câncer de pele. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), são esperados 704 mil casos novos de câncer no país para cada ano do triênio 2023-2025, sendo o de pele não melanoma o mais incidente. Ainda de acordo com o Inca, em Sergipe a estimativa é de mil novos casos de câncer de pele não melanoma por 100 mil habitantes só este ano, sendo 550 diagnósticos só em Aracaju. Para conscientizar as pessoas sobre o câncer de pele e sobre a importância de procurar um dermatologista para entender a combinação ideal de medidas de proteção para sua pele, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) criou a campanha Dezembro Laranja. A ação faz parte da Campanha Nacional de Prevenção do Câncer de Pele, que realiza desde 1999 um mutirão anual de atendimentos gratuitos que já beneficiou mais de 600 mil pessoas.







