O Sindicato dos Médicos de Sergipe (Sindimed-SE) realizou nessa quarta-feira, 19, mais um ciclo de debates com os postulantes ao governo do Estado, que disputam o segundo turno das eleições 2022. Por ordem de sorteio, o primeiro candidato sabatinado pela categoria foi Fábio Mitidieri, do PSD.
Diferentemente do que ocorreu nos debates realizados ainda no primeiro turno, o Sindimed alterou o formato, numa espécie de sabatina, com perguntas e respostas sucintas, com duração de uma hora.
Além das presenças dos membros que compõem a diretoria do Sindimed, o evento contou com as participações de representantes de entidades médicas, a exemplo do presidente da Sociedade Médica de Sergipe (Somese), Dr. Hesmoney Ramos de Santa Rosa, do presidente do Conselho Regional de Medicina (Cremese), Jilvan Pinto Monteiro, e do Conselho Federal de Medicina (CFM), na pessoa do conselheiro Ricardo Scandian.
De acordo com o presidente do Sindime-SE, o médico Helton Monteiro, os debates com os postulantes ao governo objetivam, principalmente, zelar pela democracia, onde o candidato possa pontuar seu plano de governo, concernente à pasta da saúde, além da melhoria das condições de trabalho do profissional médico e de outras categorias correlatas.
“A dinâmica hoje foi um pouco diferente, com a participação de representantes do Sindicato, representantes da Somese, do Conselho Federal de Medicina, do Conselho Regional de Medicina, com o intuito de fazermos um debate mais dinâmico, onde o candidato possa confrontar os principais problemas da saúde de Sergipe e das categorias que trabalham na área”, destacou Monteiro.
Durante a sabatina, Fábio foi perguntado, em caso de um possível futuro governo, como será a relação com as entidades médicas presentes, e com todas as categorias da saúde.
De pronto, o candidato pessedista foi categórico, ao afirmar que tem muito respeito pela profissão do médico.
“Tenho uma relação muito próxima com a medicina, por ser filho de médico, primo, irmão e pai de futura médica. Ser médico é exercer uma profissão que não é fácil, é estressante, tensa e deve ser valorizada, bem como os demais profissionais da área. Vocês têm uma prestação de serviço com a sociedade, e cabe ao governo trabalhar para dar mais condições de trabalho a cada um de vocês, seja ela na remuneração ou na estrutura do trabalho, porque hoje nós temos uma saúde muito deficitária”, afirmou Fábio, ao reiterar que as discussões com os sindicatos e entidades sempre acontecerão, visando manter um diálogo salutar.
“Sempre estive aberto para discutir com as categorias e é importante ter um canal de diálogo permanente, para poder discutir política pública. As discussões devem ser feitas à exaustão, faz parte do processo. Mas é importante que tenhamos esse debate permanente, e a valorização do profissional médico”, completou.
Sobre o Hospital Amparo de Maria, no município de Estância, que vem sofrendo com frequentes intervenções, Fábio prometeu planejamento estratégico para fazer a unidade regional de saúde voltar a funcionar de maneira exemplar. “Com a pandemia, o Hospital de Estância foi muito utilizado e sempre foi muito importante para aquela cidade. Precisamos do esforço de todos, com planejamento, para o seu fortalecimento”, colocou.
Condições de trabalho
Uma das indagações levantadas durante a sabatina foi sobre as péssimas condições de trabalho por que passam os profissionais médicos. Em alguns hospitais, por exemplo, não há nem sala de descanso, ou cadeiras.
Sobre essa questão, Fábio disse que os problemas acontecem não por falta de recursos, mas de planejamento. “Não é falta de recursos, não é falta de investimento, pode ser o investir errado. Não podemos nos conformar com isso. O que falta é uma gestão mais preparada. Tem que ter um olhar mais técnico, com relação à pasta da saúde. Não se deve misturar política com saúde. Quando mistura, a tendência é dar errado”, enfatizou.
Concurso e Previdência
Sobre a possibilidade de lançar concurso público para a área, Fábio, primeiramente, lembrou que a Previdência Social precisa de novas fontes de receita, e que o Estado passou 10 anos sem dar reajuste ao servidor. Ele se comprometeu a discutir com a categoria uma maneira de definir a melhor forma de contratação.
“Precisamos remunerar melhor os servidores e encontrar caminhos para termos uma Previdência mais justa. Já o concurso público para médico tem uma problemática mais específica, em virtude da alta média salarial. É uma questão que precisamos discutir se vamos fazer o concurso, se vamos contratar, mas, para isso, precisamos conversar com a categoria e escolher o melhor formato que atenda à categoria, ao Estado e, principalmente, ao paciente”, explicou.
Fundações Hospitalares
Sobre as fundações hospitalares de saúde, o candidato foi taxativo, ao criticar o elevado custo que o Estado tem para mantê-las. “As fundações são soluções e, ao mesmo tempo, um problema, e nós teremos de encarar. Foram construídas lá atrás, e foram virando bola de neve. Ou a gente para e estanca a sangria, ou ela vai explodir e não sabemos o que vai acontecer lá na frente. Sou daqueles que encara o problema. Vamos discutir com a Secretaria da Fazenda, os profissionais da saúde e entender como resolver a sangria, como resolver a forma de contratação. Elas (as fundações) estão criando passivo para o Estado, e uma hora vamos ter que pagar essa conta. Tenho uma preocupação muito grande com essas fundações. Vamos discutir com todas as partes para achar uma solução”, argumentou.
Distorções salariais e HPM
Com relação às distorções salariais, enfrentadas por médicos concursados em comparação com os contratados, Fábio disse que pretende corrigir este problema, por meio de diálogo com o Sindicato, visando resgatar a autoestima dos profissionais.
“As contratações temporárias devem ocorrer quando se tem uma necessidade, como ocorreu na pandemia, mas que, depois que passasse o momento, teria de voltar para a realidade. O que não pode é transformar isso numa prática contínua. Também existe um grande número de profissionais na área da saúde que entram e saem, porque conseguem trabalho melhor na iniciativa privada, e o Estado vai sempre fazendo substituições. E isso é um problema que o Estado enfrenta no seu dia a dia. O fato é que existe um alto número de contratações e é preciso discutir, como falei antes, se tem condições de fazer o concurso, com salário dentro do interesse do profissional, mas que não descompense o Estado. Com relação às diferenças de salário, a solução tem de vir em consenso com os profissionais, com a Secretaria da Fazenda. É equalizar, para que todos recebam uma remuneração mais justa”, declarou.
O candidato também foi perguntado se existe a possibilidade de resgatar o Hospital da Polícia Militar (HPM), e qual a chance de transformá-lo em Hospital do Servidor Público.
“Sobre o HPM é preciso discutir qual a melhor metodologia para ver se a oferta de serviço vai descentralizar ou desafogar o Huse. Vamos encontrar a melhor metodologia. Sobre os hospitais municipais, o Estado já repassa aos municípios uma verba para ajudar no custeio dessas unidades, porque elas não são responsabilidade do Estado. O Estado só dá suporte. A responsabilidade de estrutura física é do município, mas não impede de o Estado investir”, contextualizou.
Ipes
Fábio revelou que o Ipes (Instituto de Previdência do Estado de Sergipe) tem um rombo de R$60 milhões, e o Estado, todo mês, coloca entre R$5 e R$6 milhões na folha do Instituto, com o objetivo de fechar a conta. “Se o Ipes é visto como um plano de saúde e o servidor paga por ele, temos que fazer uma política de verticalização, fazer com que o serviço seja próprio, porque diminui os custos. Ter um sistema redimensionado para dar ao servidor o serviço adequado, sem tirar do orçamento para cobrir o Ipes. O Ipes tem de ser um benefício real para o nosso servidor”, comentou.
Por fim, Fábio elogiou o formato da sabatina e disse que este tipo de encontro é salutar para o planejamento da saúde pública do Estado.
“Apresentamos nossas propostas. Mais uma vez, discutimos alguns itens do nosso plano de governo para a área da saúde. Temos como pauta principal a descentralização dos serviços da saúde, levando mais ofertas e serviços para o interior; a modernização com o prontuário eletrônico, que vai fazer que agilize a eficiência do serviço; a telemedicina, que é uma realidade e queremos incrementar em todo o estado. Ou seja, discutir como evoluir, zerar a fila de cirurgias eletivas. A ideia é discutir os pontos da saúde pública”, concluiu o candidato.
A próxima sabatina acontece na terça-feira, dia 25, com o candidato Rogério Carvalho (PT).







