Ciência e Tecnologia

Entenda por que as assistentes virtuais costumam ter vozes femininas

02/09/2026 às 14:00

 

A escolha de vozes femininas para suas assistentes virtuais, como Alexa e Siri, parece ser uma prática generalizada da indústria. Mas não há justificativa oficial: empresas como Apple e Microsoft nunca disseram em comunicados ou entrevistas o motivo dessa escolha.

Uma reportagem do The Wall Street Journal afirma que Amazon e Microsoft encontraram “a mesma preferência pela voz feminina em suas pesquisas de mercado” e que a Amazon testou várias vozes com clientes e grupos internos e constatou que a voz feminina era a preferida. Já a Apple lembrou à autora do texto que Siri é masculina por padrão em árabe, inglês britânico, holandês e francês.

Há algumas declarações públicas que tangenciam o assunto. Ao comentar a mudança da voz da Siri no iOS 11, a Apple explicou dizendo que escolheu uma nova atriz de voz com o objetivo de tornar a Siri mais natural, expressiva e com mais personalidade. Segundo a empresa, centenas de candidatas foram avaliadas antes de a voz final ser escolhida.

A Amazon afirma que, para sua Alexa, prioriza uma voz que seja inteligível e natural. Também faz questão de frisar que sua assistente não tem gênero e que, embora tenha uma personalidade, não é uma pessoa. E a Amazon não permite que organizações parceiras se refiram à Alexa como “ela” pois, no passado, isso resultou em ações de marketing que reforçavam estereótipos de gênero.

Um relatório da Unesco de 2019 estudou justamente essa preferência dos desenvolvedores por vozes femininas. Segundo o documento, Siri, Alexa, Cortana e outros assistentes são apresentados predominantemente com nomes e vozes femininas, frequentemente acompanhados de personalidades dóceis e prestativas.

A Unesco argumenta que isso pode reforçar o estereótipo de que mulheres são “assistentes” disponíveis para obedecer comandos e, de forma mais ampla, colaborar para o preconceito contra mulheres no ambiente tecnológico.

Mas o estudo também admite que “pesquisadores especializados em interação humano-computador reconhecem há muito tempo que tanto homens quanto mulheres tendem a caracterizar vozes femininas como mais prestativas, embora as razões por trás dessa observação não sejam claras”. Segundo o texto, é possível que essa percepção esteja ligada à associação da mulher ao papel de cuidadora e mãe.

Um estudo posterior, de 2024, observou a forma como as assistentes reagem a comandos inapropriados, como xingamentos ou questionamentos sexuais. “Todos os bots cedem aos caprichos verbais dos usuários e agradam o assediador, em vez de barrar explicitamente o abuso”, diz o texto. A pesquisa também observa que, após a polêmica levantada pelo estudo da Unesco em 2019, as empresas reformularam o comportamento dos bots para esse tipo de comando, fazendo com que as respostas das assistentes sejam mais assertivas e menos subservientes, embora ainda pacíficas.

Fonte: GALILEU

 

 

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