Milhares de brasileiros buscam formação médica em países vizinhos, enfrentando desafios que vão desde a adaptação cultural até questões de segurança. Atraídos por mensalidades mais acessíveis e processos seletivos menos concorridos, jovens cruzam a fronteira, principalmente para o Paraguai e a Bolívia, em busca do sonho de se tornarem médicos.
O principal atrativo é financeiro. Enquanto no Brasil as mensalidades de faculdades particulares de medicina variam entre R$ 8 mil e R$ 10 mil, com média de R$ 10 mil mensais, nos países vizinhos os valores podem variar entre R$ 575 e R$ 2.500, dependendo da instituição. Essa diferença de custo torna o curso viável para famílias que não conseguiriam arcar com os preços praticados em território nacional, onde a concorrência por vagas em universidades públicas é extremamente alta.
As vantagens e os desafios da escolha
Além do baixo custo, a facilidade de ingresso é outro fator decisivo. Muitas instituições estrangeiras não exigem um vestibular tão rigoroso quanto o brasileiro, substituindo-o por cursos de nivelamento ou análise de histórico escolar. O processo simplificado acelera o início da jornada acadêmica.
A dimensão desse movimento é notável: estima-se que cerca de 35 mil brasileiros estudem medicina apenas no Paraguai. Nos últimos dez anos, o número de brasileiros formados no país vizinho superou o de médicos paraguaios.
Contudo, a experiência no exterior impõe desafios significativos. A adaptação a uma nova cultura e a um idioma diferente pode ser complicada, e questões de segurança pública também preocupam estudantes e suas famílias. Além disso, a qualidade e a infraestrutura de algumas universidades podem não corresponder aos padrões brasileiros, com relatos de problemas que impactam diretamente a formação.
O caminho de volta: o Revalida
Para exercer a profissão no Brasil, o diploma obtido no exterior precisa ser validado. O processo é feito por meio do Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos, conhecido como Revalida. A prova é conhecida pelo alto nível de dificuldade e por registrar taxas de aprovação historicamente baixas, o que representa o principal obstáculo para o retorno profissional ao país.
O Revalida é dividido em duas etapas. A primeira é uma prova teórica, com questões objetivas e discursivas que avaliam os conhecimentos fundamentais da medicina. Aprovados nesta fase avançam para a segunda, um exame prático de habilidades clínicas, no qual os candidatos precisam realizar tarefas específicas em um ambiente que simula uma estação de atendimento médico.
Fonte: Correio Braziliense







