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PM atira com balas de borracha contra torcida do Itabaiana e acerta testa de adolescente

 
Da redação, AJN1
 
 
A final do Campeonato Sergipano, ocorrida na tarde de sábado (6) no estádio Etelvino Mendonça, com a vitória sofrida do Confiança em cima do Itabaiana pelo placar de 1 a 0 vai ficar para os anais da história esportiva como mais uma decisão vergonhosa, não pela formatação do jogo bem jogado, mas pela violência que desencadeou num show de socos e pontapés entre os jogadores ao término da partida.
 
 
Como consequência, a torcida, naturalmente inflamada pela selvageria dentro de campo, ameaçou invadir e a jogar garrafas d’água no gramado, mas foi rapidamente contida por policiais da tropa de Choque, não da maneira correta e disciplinar, mas com a mesma selvageria dos jogadores nas quatro linhas. Isso porque a PM atirou três vezes, utilizando-se da famosa arma com balas de borracha, contra a torcida tricolor. Como consequência, um dos projéteis de látex atingiu o meio da testa de uma adolescente, de 14 anos, a qual foi socorrida imediatamente por profissionais de saúde que se encontravam no estádio, o que provocou ainda mais revolta dos confrades. A jovem foi encaminhada ao hospital regional da cidade serrana e passa bem.
 
 
“Foi necessário agir com força”

Sobre a ação impetuosa da tropa de Choque, o assessor de Comunicação da Polícia Militar, tenente coronel Paulo Paiva disse que os tiros foram necessários. “O descontrole emocional dos jogadores das equipes provocou uma desavença com trocas de agressões físicas entre eles, já no final da partida. A PM foi obrigada a agir para evitar um mal maior, inclusive, evitando que os jogadores se digladiassem, mas como os ânimos estavam muito exaltados, isso acabou incitando o público que passou a ocupar o campo. Como a torcida era a grande maioria do Itabaiana, para você ter uma ideia, só foram vendidos 1500 convites para a torcida do Confiança e os outros todos para o Itabaiana, se a PM não agisse e deixasse os torcedores tricolores invadirem, os jogadores do Confiança seriam trucidados. Foi necessário agir com força para evitar a invasão”.

 
 
Paiva ainda fez questão de justificar que os tiros foram desferidos contra aqueles que estavam pulando o alambrado e que não há certeza se o ferimento na testa da jovem foi mesmo da bala de borracha. “Se polícia não tivesse agido rapidamente, o problema seria maior. Os disparos foram feitos contra aqueles que estavam pulando o alambrado. Eu não sei nem mesmo se aquela lesão foi mesmo de um elastômero, só uma perícia pode afirmar”.
 
 “Agressão desproporcional”

Essa não é a opinião dos torcedores que presenciaram o ato. De acordo com um aposentado que não quis se identificar e que estava do lado da jovem no momento da confusão, a tropa de choque mirou contra a torcida do Itabaiana aleatoriamente, mesmo sabendo que a confusão tinha começado do lado oposto do estádio e que havia crianças. “Eu vi o momento do tiro. Eles, simplesmente, miraram e atiraram, sem medir consequências. Se a bala pega na cabeça de uma criança? Como seria? A PM iria fazer o quê? O que eles fizeram ontem foi uma agressão desproporcional ao que estava ocorrendo, foram despreparados e violentos. Não devia ser assim”, contestou o torcedor tricolor.
 
 
Outro torcedor condenou a ação. “Não tenha dúvidas de que os policiais foram truculentos e despreparados. Se fosse com filha minha eu até morreria, mas eu dava porrada nesses ‘fi do canso'”, bradou.
 
 
A briga
 
 
A briga generalizada ocorreu nos últimos minutos do segundo tempo, quando o Itabaiana já perdia por 1 a 0 e com um jogador a menos.  De acordo com o Tribunal de Justiça Desportiva de Sergipe (TJD/SE), os pivôs das brigas foram o atacante Thiago Silvy, do Confiança, e o goleiro Genivaldo, do Itabaiana, que trocaram socos e pontapés.