ARACAJU/SE, 15 de maio de 2026 , 0:28:04

Fechamento do comércio impacta na atividade informal

As pessoas que trabalham por conta própria, vendedores e comerciantes de bancas improvisadas, vendedores de balas, picolés, água de coco, cabeleireiros, entre outros somam mais de 70 mil pessoas em Sergipe, de acordo com dados do IBGE, considerando as atividades econômicas apresentadas na PNAD Contínua. Essa força de trabalho é parte das 948 mil pessoas ocupadas, que hoje se encontra desempregada forçada pelo decreto do governo que impede o funcionamento das atividades econômicas pra evitar a proliferação do novo coronavírus.

Segundo a presidente do Sindicato dos Cabeleireiros, Rosemaria Leite, somente no setor são 22 mil profissionais parados por causa do decreto, o que colocou essas pessoas e suas famílias em situação de fome. Segundo Rosemaria, as famílias dos cabeleireiros estão vivendo um grande drama por não ter como pagar suas despesas, já que não entra um centavo em suas casas, pela proibição de trabalhar.

“Como é que os cabeleireiros, esteticistas, manicures, pedicures, maquiadoras, e todos os componentes de nossa cadeia produtiva vão sobreviver se não podemos trabalhar? Estamos sofrendo e passando fome, isso porque o governador não permite que trabalhemos. Temos família, temos filhos, eles precisam se alimentar. Estamos pedindo doações de alimentos para poder ajudar nossos colegas, mas não é isso que queremos fazer. Nós queremos trabalhar, sustentar nossas famílias dignamente, mas não podemos porque o governador não deixa”, diz Rosemaria indignada enquanto entrega duas cestas de alimentos doados para colegas impedidas de trabalhar, que receberam as doações.

Já a categoria dos trabalhadores de eventos, sonorização, iluminação e produção artística enfrentam a mesma realidade. Com o impedimento da realização de eventos, por causa da grande capacidade de contágio da covid-19. Segundo Luciel Oliveira, técnico de som, a situação é tão grave que muitos estão desesperançosos em voltar ao trabalho, pois sabem que a volta da permissão de eventos irá demorar bastante.

“Nossa categoria será a última a voltar ao trabalho, pelo que entendi. Os eventos não poderão ser realizados durante muito tempo e isso prejudica umas cinco mil pessoas que trabalham no nosso segmento. Não tá sendo fácil porque temos contas a pagar e dependemos de nosso trabalho. O colega que monta um sonzinho e vive daquilo não tem com o que se manter nesse momento. Organizei junto com amigos, uma campanha para arrecadar alimentos para essas pessoas que estão passando fome, mas é fome de verdade. Não ter o que comer, nem como se manter não é fácil. Quem ajudou a gente foi a imprensa, divulgando nossa campanha e levando pessoas e empresas a doar para a gente. De todo modo, as dificuldades estão muito grandes”, comentou.

Outro segmento que sofre é o de bares e restaurantes. O garçom Antônio Luiz reclama que os restaurantes estão funcionando em sistema de delivery, mas eles não têm como trabalhar sem mesas para serviço. O garçom diz que ele faz parte dos potenciais três mil desempregados no setor.

“Eu recebi a informação que a associação de bares e restaurantes informou que serão três mil desempregados até o final do mês. Eu sou um desses que já perderam o emprego, é duro admitir, mas estou sem perspectiva. Acham que o auxílio do governo de 600 reais dá pra alguma coisa? Qual a família que se alimenta com 600 reais por um mês? Meus três filhos e minha esposa dependem de mim e eu estou desempregado. Não culpo o dono do bar em que trabalhava, porque ele tá sendo forçado por um decreto que não faz nenhum sentido. Enquanto estou sofrendo, os políticos estão recebendo seu dinheiro e não estão fazendo nada, na não ser impedir que as pessoas de bem trabalhem. Os traficantes estão vendendo drogas nas ruas e ninguém faz nada, e nós que somos trabalhadores, não temos chance de alimentar nossos filhos. Eu só pergunto se isso é justo? Por que é que o trabalhador tem que sofrer e passar necessidade?”, questiona o garçom com lágrimas nos olhos.

O Governo do Estado expediu decreto proibindo o funcionamento das atividades econômicas, prejudicando de modo imediato os setores que têm maior incisão de trabalhadores que atuam em regime de autonomia ou microempreendedorismo individual. Houve uma tentativa de flexibilização do decreto, mas sem justificativa, foi revogada dois dias depois.

Resposta

Em resposta a reportagem da AJN1, a Superintendência de Comunicação do Governo do Estado enviou a seguinte nota: “Não foi o governo nem o governador que impediu ninguém de trabalhar. Foi uma pandemia que atingiu o mundo todo e já provocou até esta quarta-feita, 20, quase 18 mil mortes somente no Brasil. Em Sergipe, até a última terça-feira 19, quase 4 mil pessoas já tinham sido contaminadas e foram registrados 63 óbitos. O grande desafio neste momento é salvar vidas. É garantir que a estrutura de saúde, suporte a demanda por atendimento. O governo está trabalhando para aumentar a quantidade de leitos de UTI, evitando assim que pessoas contaminadas pelo novo coronavírus, morram na porta de hospital sem atendimento. Em breve, assim que os casos começarem a diminuir, será lançado um plano de retomada da economia. Isso não depende somente do governo, depende , sobretudo, das condições de saúde e da diminuição dos ricos para a população em geral”.

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