Por Guilherme Guilherme, Beatriz Quesada
Depois de bater nova máxima histórica nos primeiros minutos de negociação desta segunda-feira, 4, o Ibovespa entrou no terreno negativo no início da tarde. Movimento semelhante também ocorreu no mercado americano, onde os principais índices renovaram máximas intradia no início do pregão, mas entraram em queda. Às 14h24, o Ibovespa caía 0,59%, aos 118.317 pontos.
“O otimismo acabou sendo apagado devido ao receio de que restrições mais severas prejudique a retomada econômica esperada”, afirma Stefany Oliveira, analista da Toro Investimentos. A analista ainda ressalta o alto número de hospitalizações nos Estados Unidos. Segundo o Wall Street Journal, foram registradas 125.544 hospitalizações no domingo, enquanto os novos casos superaram os 210.000.
Às 14h24, os três principais índices americanos operavam em queda de mais de 1,5%. O Dow Jones recuava 1,62%, o S&P500 operava em queda de 2,09% e o Nasdaq caía 2,17%.
Embora algumas das principais bolsas da Ásia tenham renovado o recorde nesta segunda, como a da China e da Coreia do Sul, os temores sobre a segunda onda de coronavírus já haviam atingido o mercado japonês, que fechou em queda, tendo no radar a possibilidade de o governo local decretar estado de emergência para conter a segunda onda de coronavírus.
O mau humor também chegou ao mercado de câmbio, com o dólar passando a se valorizar frente a moedas emergentes. Contra o real, o dólar chegou a cair mais de 1% no início do dia, mas já avança mais de 1%, sendo negociado próximo dos 5,25 reais.
Gustavo Bertotti, economista da Messem, conta ainda que as preocupações sobre a segunda onda de coronavírus no Brasil é ainda mais preocupante tendo em vista que restam dúvidas sobre o plano de vacinação do governo. “Nosso plano de vacinação está atrasado [em relação aos de outros países]. O mercado espera que o PIB cresça 3,4% neste ano. Mas isso vai passar muito pela retomada econômica do primeiro trimestre – e a vacinação extremamente importante para isso. Mas não temos nada claro ainda”, afirma.
Embora o avanço da covid-19 siga como um ponto de cautela no mercado, as esperanças de que a vacina termine com a maior pandemia em um século aumentam conforme novos planos de vacinação são iniciados, ao menos na Europa. Nesta segunda, o Reino Unido, que já havia dado início às vacinações com a vacina da Pfizer, se tornou o primeiro país a utilizar a vacina da AstraZeneca/Oxford. Com a maior alta entre as bolsas europeias, o índice londrino FTSE 100 fechou em alta de 1,72%. Já o índice pan-europeu Stoxx 600 subiu 0,72%
Esperanças de que bancos centrais e governos sigam estimulando as principais economias do mundo também contribui para o bom humor, com moedas emergentes e commodities se valorizando. Nesse movimento, até mesmo o ouro, considerado um ativo de segurança em períodos de incerteza, se valoriza mais de 2% nesta segunda.
Parte do movimento se deu também em função dos índices de gerente de compras (PMIs, na sigla em inglês), que saíram acima da linha dos 50 pontos que divide a expansão da contração da atividade contribuem para o tom positivo dos mercados. Na Zona do Euro, o PMI industrial de dezembro ficou em 55,2 pontos, enquanto no Reino Unido e na Alemanha, o mesmo indicador ficou em 57,5 pontos e 58,3 pontos.
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