O Ibovespa sobe nesta sexta-feira, 5, em linha com o mercado internacional, após o relatório oficial de empregos não-agrícolas, o payroll, surpreender as expectativas dos mercados.
Divulgado nesta manhã, o payroll registrou criação de 379.000 empregos em fevereiro, mais que o dobro das 182.000 novas vagas projetadas pelo mercado. Os dados de janeiro também foram revisados para cima de para 166.000 novos postos de trabalho.
Bolsas do mundo inteiro, que vinham oscilando entre altas de baixas, se firmaram no campo positivo, após a divulgação do indicador, considerado o mais importante da economia americana.
Nos Estados Unidos, os principais índices operam em alta, com destaque para o Dow Jones, que avança mais de 0,80%.
Na bolsa brasileira, as ações da Vale (VALE3) — que são as de maior participação no índice — avançam 4,69% às 15h e impulsionam o índice.
O Ibovespa também avança com as ações dos bancos, que chegam a subir mais de 4%. O setor é o que é o mais representativo entre os que compõem o índice.
Também com grande peso, as ações da Petrobras (PETR3/4) sobem mais de 1%, embaladas pela alta do petróleo, que se valoriza mais de 2%, após membros da Opep+ acordarem não elevar a produção, apesar da alta da commodity. Em dois dias a apreciação do petróleo brent, referência para a política de preços da empresa, já subiu 7%.
Dólar
A melhora do mercado de trabalho americano também produziu efeitos positivos sobre moedas emergentes, que ganharam força após a divulgação do payroll. No Brasil, o dólar que chegou a bater 5,71 reais nesta manhã, arrefeceu o movimento de alta, voltando a operar abaixo dos 5,70 reais.
O movimento de queda após a publicação do indicador também ocorreu frente a moedas desenvolvidas. Pela manhã, o índice Dxy, que mede a variação do dólar contra as divisas mais negociadas do mundo, bateu sua máxima desde novembro.
Títulos americanos em alta
Ainda que tenha favorecido ativos de risco, o payroll também fez subir o rendimento dos títulos americanos, que tem sido uma das principais preocupações dos investidores, uma vez que a alta poderia provocar alguma migração para a renda fixa.
Com os temores de inflação de volta nos Estados Unidos, o rendimento dos títulos de 10 anos se aproximaram da máxima do último dia 25, quando bateu o maior patamar desde fevereiro de 2020.
O andamento do pacote de estímulo de 1,9 trilhão de dólares e as contínuas medidas de estímulos por parte do Federal Reserve (Fed) podem elevar ainda mais a preocupação.
Como o rendimento dos títulos são inversamente proporcionais à demanda, membros do Fed têm interpretado o movimento de forma diferente de parte do mercado, que vê como sinal de inflação futura. Para eles, a alta dos rendimentos é sinal de confiança de que a economia americana seguirá crescendo.
Pressão no Copom
A alta dos títulos americanos joga ainda mais pressão para que o Comitê de Política Monetária (Copom) eleve a taxa de juros já na próxima reunião, daqui a duas semanas. Mas, para André Perfeito, economista-chefe da Necton, a alta da taxa Selic esperada para a próxima reunião deve ser moderada
“Apesar de um certo ‘pânico’ entre alguns investidores acreditamos que o Copom não deve subir a taxa Selic em março fortemente, mas antes começar o ciclo com uma alta de 25 pontos base. Uma alta muito forte nos juros iria soar como que o Banco Central estivesse ele também em “pânico”, algo que não acreditamos que esteja”, diz em relatório.
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