ARACAJU/SE, 15 de maio de 2026 , 4:31:00

Jovem que denunciou estupro no Rodeio de Jaguariúna diz que exame comprovou ‘boa noite, Cinderela’

A estudante e influenciadora digital Franciane Andrade, de 23 anos, usou a rede social neste sábado (4) para falar sobre a denúncia de estupro no Rodeio de Jaguariúna. Nos vídeos, a jovem rebate críticas de quem duvida do crime, diz que a violência sexual foi novamente atestada por outra médica e que o exame toxicológico ao qual foi submetida teria confirmado a presença da droga conhecida como ‘boa noite, Cinderela’ – veja vídeo acima. A Polícia Civil investiga o caso.

“O sentimento é de revolta. Revolta porque a vítima é sempre acusada. A vítima é sempre a errada da história (…) Não tem como falar que não foi tá, além de ter sido na parte da frente, teve também anal. Tenho provas, tenho foto de todas as lesões. (…) Então, não venha acusar a vítima. Vocês não tem noção do quanto é sério o quanto acaba com a gente, acaba com a honra, dignidade, acaba com a honra dos meus pais. Eu nunca menti na minha vida, e jamais mentiria uma coisa dessas. Temos resultados de violência sexual por meios médicos, e agora também temos resultado do exame toxicológico que foi detectado a droga ‘boa noite, Cinderela’ naquela noite“, disse a jovem.

Em nota, o projeto Justiceiras, idealizado pela promotora Gabriela Manssur, informa que a estudante e a família solicitaram apoio e estão recebendo acolhimento jurídico, médico, socioassistencial e psicológico.

“Informamos que em atendimentos pelas médicas voluntárias do Justiceiras, após exames realizados, foi constatada a presença da substância conhecida como ‘boa noite, Cinderela’ no organismo de Franciane, bem como de lesões graves, compatíveis com abuso sexual. Os documentos serão encaminhados imediatamente para o Ministério Público”, diz a nota.

Mãe e pai desabafam

Nos stories do Instagram que postou neste sábado, Franciane também contou com depoimentos dos pais. A mãe da estudante disse temer pela vida da filha.

“Gente, é uma dor terrível, eu não durmo a noite porque eu não sei o que a Fran pode fazer. Ela não lembra de nada e eu tenho muito medo dela fazer alguma coisa, dela se machucar, se matar. Eu tenho medo, eu não durmo. Nós estamos muito preocupados com ela porque ela só chora e chora, e as pessoas ficam atacando. (…) Você ouvir de 3 médicos que ela foi violentada, isso é crueldade”, disse a mãe.

O pai também falou publicamente sobre o caso pela primeira vez. Ele cobrou uma resposta sobre o que teria ocorrido no rodeio com sua filha e Justiça.

g1 tentou contato com Franciane para comentar o caso, e a jovem pediu que fosse feito contato com suas advogadas. As representantes da influenciadora publicaram uma nota em que informam que acompanham as investigações desde quinta (2), destacando que as oitivas realizadas, incluindo a da vítima, foram realizadas sem a participação da defesa.
As advogadas também manifestaram repúdio a notícias falsas sobre o fato de câmeras de segurança não terem imagens sobre o fato – imagens do circuito interno da festa estão em análise pela Polícia Civil, mas detalhes não são divulgados pois o caso corre sob segredo de Justiça.
A Polícia Civil informou que apura a suspeita de estupro, que teria ocorrido dentro de um camarote do rodeio de Jaguariúna (SP). A vítima, Franciane Andrade, relatou o crime em stories no Instagram na noite de terça-feira (30).
“O doutor do IML da polícia constatou que realmente houve estupro e ele não sabe me dizer se foi um, dois ou três. Eu não sei o que fazer”, relatou a vítima na postagem, enquanto chorava.

Conforme o boletim de ocorrência do caso, registrado na terça, o crime ocorreu entre a noite de sábado (27) e a madrugada de domingo (28).

Franciane afirmou que estava na companhia de amigos na festa, bebendo, e que não sabe o que ocorreu depois. Disse aos policiais apenas que acordou em uma rotatória próximo ao local do evento. Ela também compartilhou o story de uma amiga que relatou que algo foi colocado no copo da influenciadora.

A estudante tem, até este sábado, 223 mil seguidores no Instagram. O g1 tentou contato com ela pela rede social, mas não obteve retorno.

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) informou que  o caso foi registrado pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Mogi Guaçu (SP) e, posteriormente, encaminhado para a Delegacia de Jaguariúna, onde as investigações prosseguem e um inquérito foi aberto para apuração de estupro.

“Diligências estão em andamento para esclarecer os fatos. Outros detalhes não podem ser divulgados devido à natureza do crime”, informou a SSP. O caso será investigado em segredo de justiça.

Fonte: G1/Globo

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