Meio Ambiente

Mais da metade das espécies de aves migratórias do mundo está desaparecendo

28/07/2026 às 15:18

 

Mais da metade das espécies de aves migratórias do planeta está em declínio. É o que mostra uma ampla revisão científica publicada no dia 23 de julho na revista Nature Reviews Biodiversity.

O levantamento foi feito por pesquisadores da Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos, do Zoológico Nacional Smithsonian e do Instituto de Biologia da Conservação (EUA), em colaboração com ornitólogos de diferentes países. O trabalho reuniu décadas de pesquisas, programas internacionais de monitoramento, bancos globais de dados sobre biodiversidade e acordos de conservação para oferecer a avaliação mais abrangente já feita sobre essas aves.

O levantamento estima que aproximadamente 51% das espécies de aves migratórias apresentam queda populacional em todas as principais rotas migratórias do mundo.

Além disso, os pesquisadores destacam que quase 300 espécies migratórias já são consideradas globalmente ameaçadas, mas alertam que o problema vai além dos animais em risco de extinção. Espécies antes comuns e amplamente distribuídas também vêm registrando perdas significativas de indivíduos, evidenciando a dimensão da atual crise da biodiversidade.

Um conjunto de ameaças

Segundo os autores, conservar aves migratórias é particularmente complexo porque esses animais percorrem continentes, oceanos e fronteiras políticas ao longo do ano. Durante esse ciclo, dependem de uma rede de áreas de reprodução, locais de parada e habitats onde possam repousar.

Essas características faz com que enfrentem diversas ameaças ao longo da vida, muitas vezes simultaneamente. Entre elas estão a perda de habitat, as mudanças climáticas, espécies invasoras, colisões com edifícios e outras estruturas, doenças e uso de pesticidas.

Para Peter P. Marra, reitor do Instituto Earth Commons da Universidade de Georgetown e um dos autores principais do estudo, a dimensão do problema é preocupante. “O que estamos vendo é a consequência previsível de décadas de degradação ambiental. No entanto, esses declínios não são inevitáveis”, afirmou Marra, em comunicado.

Segundo ele, além de documentar a crise, a revisão identifica as principais ameaças, aponta lacunas no conhecimento científico e propõe um caminho para reverter as perdas antes que mais espécies sejam levadas à extinção.

Tecnologias ajudam a entender o problema

Apesar dos avanços no monitoramento das aves, os pesquisadores afirmam que ainda existem desafios para compreender exatamente onde e por que as populações estão diminuindo, e até mesmo para definir quais das cerca de 11 mil espécies de aves existentes no mundo devem ser consideradas migratórias.

Para responder a essas questões, cientistas vêm utilizando cada vez mais tecnologias como dispositivos de rastreamento, monitoramento acústico com inteligência artificial, modelagem populacional e iniciativas de ciência cidadã, como o eBird, que reúne observações de aves feitas por milhões de pessoas ao redor do mundo (sendo cientistas ou apenas fãs de pássaros amadores).

Essas ferramentas permitem mapear rotas migratórias, entender como diferentes populações estão conectadas ao longo das estações e identificar os fatores responsáveis pelos declínios.

Salvem os pássaros

Os autores defendem que as estratégias de conservação precisam considerar todo o ciclo de vida das aves e envolver diferentes países, já que as espécies atravessam diversas regiões ao longo das migrações.

Um exemplo citado pelos autores é a iniciativa Road to Recovery, atualmente sediada na Universidade de Georgetown. O projeto busca identificar os fatores que limitam as populações de aves e implementar medidas de conservação antes que elas passem a fazer parte da lista de espécies ameaçadas.

Apesar do cenário preocupante, os pesquisadores ressaltam que há motivos para otimismo. Segundo eles, programas de conservação já conseguiram recuperar populações de aves aquáticas, garças, aves limícolas (aves que vivem em áreas úmidas de lama ou lodo) e aves de rapina que chegaram perto da extinção.

“Sabemos que a conservação funciona. Esta revisão mostra que temos o conhecimento científico necessário para reverter muitos desses declínios. O desafio agora é reunir parcerias, recursos e o compromisso político e público para implementar essas soluções na escala que as aves migratórias exigem”, completou Marra.

Fonte: GALILEU

 

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