Política

Mendonça quebra sigilo de ação sobre relação entre Vorcaro e Moraes

01/09/2026 às 17:20

 

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça retirou, nesta terça-feira (1º), o sigilo de um processo envolvendo as relações entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. O material foi extraído do celular do dono do Banco Master no âmbito da Operação Compliance Zero e inclui mensagens, registros de encontros e documentos relacionados ao escritório de advocacia de Viviane de Moraes.

Mendonça abriu vista dos autos à Procuradoria-Geral da República (PGR) para manifestação e afirmou que, independentemente do parecer do órgão, os novos elementos serão analisados pelo Plenário do STF. A sessão deverá ser presencial e pública, em data a ser definida pelo presidente da Corte, Edson Fachin.

“Ao se analisar o teor das informações apresentadas a partir de tais premissas, únicas passíveis de aplicação ao caso —porque estabelecidas pela exclusiva bússola de orientação da conduta dos ministros integrantes deste Supremo Tribunal Federal, qual seja, a Constituição da República Federativa do Brasil—, diante da inevitável forma e do inexorável locus de deliberação, ainda com maior razão se impõe, seja, desde logo, levantado o sigilo dos presentes autos”, justifica Mendonça.

Vorcaro tinha um contato em seu celular com o nome “Alexandre de Moraes BRASÍLIA”, destinatário de uma série de mensagens que envolveriam apurações das fraudes do Banco Master. O contato atribuído ao ministro receberia informações vazadas do Banco Central (BC) logo depois que o banqueiro as escrevia em um aplicativo de notas e tirava prints.

O documento cita de sete a dez reuniões entre Moraes e Vorcaro. Em uma delas, o ex-ministro das Comunicações Fabio Faria diz que confirmou o jantar com “o careca”, e a Polícia Federal (PF) faz a conexão. O banqueiro ainda teria consultado o ministro sobre a conveniência de deixar o país antes que as investigações culminassem em sua prisão.

Por meio de nota, o escritório Barci de Moraes admitiu que o setor de compliance solicitou informações de Alexandre de Moraes como marido de sua sócia diretora. A nota afirma que o objetivo era entender se haveria algum problema na contratação pelo cargo do ministro e fecha argumentando que a contratação ocorreu, uma vez que Moraes “jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master”.

Vorcaro autorizou cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para filhos de Moraes

O Banco Master, instituição do empresário Daniel Vorcaro, emitiu cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para dois filhos de Alexandre de Moraes: Alexandre e Giuliana Barci de Moraes. O escritório confirmou a emissão dos cartões, mas negou que tenham sido usados.

A emissão dos cartões foi um pedido do escritório Barci de Moraes, de propriedade da esposa de Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes. Conforme indicam as mensagens, divulgadas nesta terça-feira (1º) pelo Estadão e cujo teor foi confirmado pela Gazeta do Povo, foram encontradas no celular do então banqueiro pela Polícia Federal (PF).

As provas vieram a público depois que o sigilo desta fase da Operação Compliance Zero foi levantado pelo ministro do Supremo André Mendonça. Através destas revelações, foi conhecido que Moraes editou pessoalmente o contrato da esposa com o banco Master.

A primeira mensagem solicitando os cartões foi enviada por Guilherme Benazzi, colaborador do escritório:

“Bom dia, Daniel. É o Guilherme, que trabalha com a Viviane, tudo bom? Quer me passar algum contato para falar a respeito do cartão de crédito da Giuliana e do Alexandre?”

Vorcaro responde a Guilherme e envia o contato de Adriana Solano, superintendente executiva do Master. Ela volta a trocar mensagens com Vorcaro, pedindo autorização para seguir com o negócio:

“O Guilherme que trabalha com a Dra. Viviane (Moraes) me ligou para emitir cartão para os filhos dela… Limite de 300 pra cada… Posso seguir?”, pergunta.

Vorcaro responde com um “OK”.

Em nota, o escritório confirmou a emissão dos cartões, mas negou o uso:

“Os cartões de crédito, que foram oferecidos pelo Master, jamais foram usados por qualquer advogado ou pessoa do escritório”, disse a empresa à Gazeta do Povo.

As mensagens constam de um documento de mais de 200 páginas da PF, que teve o sigilo levantado nesta terça por Mendonça. O material foi produzido a partir dos dados extraídos de um dos celulares apreendidos do ex-banqueiro.

Fonte: Gazeta do Povo

 

 

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