Moraes editou contrato milionário entre a própria esposa e Vorcaro, então dono do Banco Master

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo o jornal O Estadão, editou uma versão do contrato de R$ 131,27 milhões firmado entre o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master.
A identificação foi feita a partir dos metadados do arquivo extraído do celular de Vorcaro, apreendido pela Polícia Federal (PF). Os registros do Office 365 apontam que a última edição do documento foi realizada por um perfil identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”, às 23h04 de 15 de janeiro de 2024.
A alteração ocorreu cerca de uma hora e 40 minutos depois de Vorcaro devolver a minuta a Viviane pelo WhatsApp. Na mensagem, enviada às 21h22, o banqueiro informou que havia incluído uma cláusula e pediu que o escritório verificasse se a mudança estava adequada. Dois dias depois, em 17 de janeiro, Viviane enviou a versão final a Vorcaro.
O contrato previa 36 parcelas de R$ 3 milhões líquidos ao escritório, equivalentes a aproximadamente R$ 3,65 milhões mensais antes dos impostos. O valor bruto total previsto chegava a R$ 131.274.351,72. Registros encaminhados à CPI do Crime Organizado apontam 22 pagamentos entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025.
O escritório Barci de Moraes confirmou que o ministro teve acesso e editou o documento. Segundo a banca, Moraes foi consultado pelo setor de compliance para verificar a existência de eventuais impedimentos legais à contratação pelo Banco Master. A defesa sustenta que não havia impedimento porque o ministro nunca havia atuado em processos envolvendo a instituição financeira.
A revelação ocorre enquanto o Banco Master é alvo de investigações e novos documentos envolvendo Vorcaro chegam ao STF. Procurado pelo Estadão especificamente sobre os registros da edição, Moraes não havia se manifestado diretamente à reportagem. O escritório afirma que a participação do ministro na análise do contrato não configura irregularidade.
Fonte: Conexão Política
