ARACAJU/SE, 15 de maio de 2026 , 0:54:10

MPT-SE lança série sobre a realidade dos artesãos de Santana do São Francisco

 

A cerca de 120 quilômetros da capital sergipana, uma cidade às margens do Rio São Francisco se destaca pela beleza e pela arte de transformar o barro em peças variadas. Em Santana do São Francisco, esse é o ofício que acompanha famílias inteiras por gerações.

Mas, por trás de cada escultura, vaso e peça que viaja para além de Sergipe, há o trabalho manual de artesãs e artesãos — desde a preparação do barro até o processo de queima que, em muitos casos, acontece dentro das próprias residências. “A maior dificuldade da gente é sempre com a queima, com o forno, que não tem uma estrutura boa para trabalhar. Além disso, tem a fumaça, porque é muita poluição e isso dificulta”, conta o artesão José Wagno Melo.

Em dias de queima, a cidade fica coberta por uma névoa de fumaça que rapidamente se espalha. O problema, histórico, impacta a vida dos moradores e a saúde dos artesãos. “Já tivemos várias perdas de artesãos que, no decorrer do trabalho, acabam indo a óbito por problemas de saúde. Isso, para nós, que trabalhamos com artesanato, é uma perda muito grande”, relata o artesão Edson Barreto.

O procurador-chefe do Ministério Público do Trabalho em Sergipe (MPT-SE), Márcio Amazonas, acompanhou de perto essa realidade durante visita ao município. “O que pudemos observar foi uma situação muito difícil: um trabalho degradante e arriscado, realizado dentro das próprias casas, onde começa e termina o processo de fabricação. São famílias submetidas ao calor excessivo, além de problemas oculares e pulmonares causados pela fumaça, que gera uma poluição trabalhista”, afirmou.

Esse cenário, no entanto, deve mudar em breve, com a construção de 130 fornos sustentáveis financiados com recursos de multas e indenizações trabalhistas de caráter coletivo, por meio do Fundo Estadual de Recomposição de Danos Trabalhistas (FERDT). O projeto já foi aprovado pelo Conselho Gestor e está em fase de licitação.

Os fornos, que serão construídos em regime de mutirão, reduzem significativamente a emissão de fumaça e as perdas na produção, garantindo mais qualidade às peças. “A construção dos fornos é a materialização da recomposição trabalhista, assegurando que os recursos sejam aplicados aqui em Sergipe, em benefício das comunidades locais. Essa medida representa recomeço, dignidade e qualidade de vida”, destacou o secretário de Estado do Trabalho, Emprego e Empreendedorismo, Jorge Teles, presidente do Conselho Gestor do FERDT.

Para retratar a realidade dos artesãos, o MPT-SE produziu a série “Mãos que moldam, ar que respira: a vida dos artesãos em Santana do São Francisco”. A produção mostra o talento e a força do artesanato local, mas também evidencia os riscos enfrentados no dia a dia.

Dividida em três episódios, a série será exibida nas redes sociais do MPT-SE a partir de 1º de maio, Dia do Trabalhador. “Esperamos que a série promova reflexão na sociedade e que, com a construção dos fornos, as famílias tenham mais dignidade e avancem socialmente, alcançando um patamar mínimo de condições trabalhistas”, ressaltou o procurador Márcio Amazonas.

“Mãos que moldam, ar que respira: a vida dos artesãos em Santana do São Francisco”, está disponível a partir desta sexta-feira, 1º de maio, nas redes sociais do MPT-SE.

Fonte: Ascom MPT-SE

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