Em 2022, as mulheres em Sergipe gastaram 13,5 horas por semana a mais do que os homens em atividades como afazeres domésticos ou tarefas de cuidado de pessoas. Ao todo, as mulheres gastavam 24,7 horas semanais com esses tipos de tarefas, ao passo que os homens gastavam 11,2 horas semanais com as mesmas atividades.
Na prática, um homem levaria 2,2 semanas para cumprir a mesma quantidade de horas que uma mulher despende em uma semana com afazeres domésticos e cuidado de pessoas. Os resultados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – Outras formas de trabalho, divulgada na última sexta-feira (11) pelo IBGE.
As diferenças na quantidade de horas dedicadas ao trabalho com afazeres domésticos e tarefas de cuidado de pessoas persistem mesmo quando se consideram apenas as pessoas ocupadas, ou seja, que tinham um outro trabalho. Em 2022, uma mulher ocupada em Sergipe dedicava em média 21,3 horas semanais às rotinas de trabalho doméstico.
Um homem ocupado, por sua vez, dedicava apenas 10,4 horas semanais a essas mesmas rotinas. Ou seja, uma mulher com ocupação no mercado de trabalho gasta duas vezes mais tempo semanalmente com afazeres domésticos e cuidado de pessoas do que um homem com ocupação no mercado de trabalho.
A taxa de realização de afazeres domésticos entre mulheres no estado chegou a 90,6% em 2022. Entre os homens, a taxa chegou a 74,0%. No caso dos homens, porém, a taxa de realização de afazeres domésticos vem crescendo de maneira significativa. Em 2016, por exemplo, apenas 56,7% dedicaram pelo menos uma hora semanal a afazeres domésticos. Em 2019, esse percentual saltou para 68,0% e, em 2022, chegou aos atuais 74,0%.
Os estados do Nordeste são os estados com as maiores diferenças entre as taxas de realização de afazeres domésticos de homens e mulheres. No Ceará, por exemplo, ela chegava a 20,1 pontos percentuais, e, em Pernambuco, Maranhão e Piauí, ficava em 18,6 pontos percentuais. Em Sergipe, a diferença foi de 16,6, a oitava menor diferença entre os nove estados da região Nordeste. A menor diferença entre os estados nordestinos foi registrada no Rio Grande do Norte (14,3).
Tarefas de cuidado de pessoas também recaem mais sobre mulheres
Para o cuidado de moradores do domicílio ou de parentes não moradores, houve queda na taxa tanto para homens quanto para mulheres. As diferenças de gênero,
porém, se repetem: enquanto a taxa para mulheres era de 39,2%, para os homens ela ficava em 24,0%. Nos grupos de idades intermediárias (25 a 49 anos), a taxa chegava a 49,7% para mulheres e 32,4% para homens. Entre mulheres pretas, considerando as idades de 14 anos ou mais, a taxa de realização de cuidado de pessoas chegava a
42,7%, enquanto entre mulheres brancas no mesmo recorte etário a taxa ficava em 34,4%.
As diferenças entre homens e mulheres nas taxas de realização de cuidado de pessoas são maiores nos estados das regiões Norte e Nordeste. No Pará, a diferença chegava a 16,2%. Bahia (16,1%) e Tocantins (15,9%) aparecem em seguida. Sergipe, o quarto estado com maior diferença nas taxas de homens e mulheres, registrou
15,2%.
Pesquisa também traz dados sobre trabalho para o próprio consumo e trabalho
voluntário
A PNAD Contínua também traz dados sobre o trabalho para o próprio consumo e sobre trabalho voluntário. Em Sergipe, 157 mil pessoas realizaram trabalho para o próprio consumo. A taxa de realização desse tipo de trabalho vem crescendo desde 2016 (de 6,7% para 8,2%). A taxa é maior entre homens, sobretudo entre os com idade igual ou superior a 50 anos e/ou os de cor ou raça preta.
O trabalho voluntário é a outra forma de trabalho pesquisada com menor taxa de participação. Em Sergipe, a taxa ficou em apenas 3,2% em 2022, o dobro da taxa registrada em 2019 (1,6%). A realização de trabalho voluntário é menos expressiva ainda entre as pessoas com idades entre 14 e 24 anos (1,9%). No grupo de idades entre 25 e 49 anos, a taxa ficou em 3,7%, e no grupo de 50 anos ou mais, em 3,5%.







